Gran’Mah em digressão africana

Gran’Mah em digressão africana

As fronteiras nacionais começam a ficar pequenas para Gran’Mah, afinal a banda está a impor-se em África. Vagarosamente. Com a paciência de quem sabe que correr, de facto, não é chegar.

Nos próximos meses, o agrupamento viaja para realizar quatro concertos em três países africanos. O primeiro espectáculo está marcado para 24 de Maio, na cidade sul-africana de Durban. Na data seguinte, 25, que coincide com o Dia de África, os artistas vão subir o palco do Basslin Festival, em Constitution Hill, Joanesburgo, onde, nesta edição, a figura de cartaz são os nigerianos Asa e Mr. Eazi, e que inclui, igualmente, actuação da cantora Isabel Novella, que se prepara para lançar o seu segundo álbum solo, Metarmophosis, próximo mês. E não se fica por aí. No dia 26 de Maio a banda moçambicana vai actuar num outro grande evento musical da região: o MTN Bushfire, no eSwatini, o novo nome da Swazilândia, e, finalmente, a 8 de Junho, será a vez do Sakifo Music Festival, nas Ilhas Reunião.

Diante destes convites todos, mesmo sem se esquecerem da pequena digressão já feita em Portugal e nos Estados Unidos, os integrantes da banda sentem-se honrados porque, pela primeira vez, podem representar Moçambique numa digressão que lhes vai expor ao mundo. Segundo acredita Miguel Wilson, baterista dos Gran’Mah, a banda está finalmente a ser reconhecida ao mais alto nível, o que lhes motiva e excita: “vamos honrar a bandeira e a cultura moçambicanas lá fora, numa rota muito conhecida mundialmente. Quem toca nestes festivais tem a possibilidade de tocar noutros festivais pelo mundo fora. Este circuito de festivais são plataformas importantes para catapultar a banda para outros mercados, como os europeus e americanos”. Do mesmo modo, o baterista realça que, depois de actuarem nos quatro palcos previstos, cada integrante da banda vai regressar ao país com um portfólio mais rico e apreciável.

À parte o reconhecimento colectivo e pessoal, o impacto que Miguel Wilson antevê da actuação internacional tem que ver com a oportunidade. Para o baterista, num contexto em que existe muitos lobbies na música moçambicana, espera que a digressão dê aos instrumentistas Gran’Mah a possibilidade de, por exemplo, acompanharem vocalistas que vêm ao país sem banda, pois as preferências giram, excessivamente, em torno das mesmas pessoas.  “Não quero questionar a qualidade de ninguém, entre os eleitos para sempre actuarem com músicos de fora no país, que até são talentosos, mas os lobbies na música impendem que haja variação de instrumentistas. Temos muito talento em Moçambique que não é dado oportunidade. Então, espero que, também, esta experiência no estrangeiro nos enriqueça de tal modo que esse quadro selectivo altere logo”.

Antes de partir para o estrangeiro, a banda Gran’Mah encontra-se a gravar o seu segundo disco, em formato EP, porque entende que não se justifica fazer um álbum com 10 ou 12 músicas. A pretensão é aproveitar a digressão para apresentar música de dois discos ao público dos festivais em que vão participar. E as do álbum de estreia serão tocadas com uma roupagem diferente da habitual. Depois, o novo disco, cujo título e número de músicas ainda não deve ser do conhecimento público, regressará a Moçambique para uma apresentação oficial em concerto (em breve terá primeiro single e vídeo-clip).

Dos quatro palcos que vai pisar, a banda moçambicana está mais ansiosa em tocar no Sakifo Music Festival, Ilhas Reunião, porque vão actuar ao lado de grandes nomes da música e porque lá vão estrear-se.

Olhando para trás, Miguel Wilson lembra que a banda nunca antes pensou na possibilidade de ser convidada para digressões por África, depois do primeiro álbum lançado, intitulado Gran’Mah. Nunca pensaram fazer música para ganhar dinheiro, mas há sempre um “mas”: “as pessoas começam a gostar do que fazemos, apoiando-nos, e aí já não temos como fugir da responsabilidade.”

Finalizando, um dos sonhos dos Gran’Mah é tocar do Rovuma ao Maputo. Da cidade de Tete e da Beira não falta interesse, más condições logísticas. Então, vão trabalhando, convictos de que qualquer dia o sonho torna-se realidade.


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