Guebuza terá pedido a Privinvest para apoiar a Frelimo

Guebuza terá pedido a Privinvest para apoiar a  Frelimo

O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, terá pedido que a Privinvest apoiasse o partido no poder, a Frelimo, revelou, ontem, o executivo libanês no Tribunal Federal de Distrital de Brooklyn, no segundo dia do seu testemunho, em defesa própria, no processo em que ele é acusado de conspiração para cometimento de fraude financeira e lavagem de dinheiro.

O pedido de apoio aconteceu no dia 21 de Janeiro de 2013, um dia depois do aniversário de Guebuza. Tratou-se do segundo encontro entres as duas partes para falar sobre o projecto da ProIndicus, de acordo com Jean Boustani.

Boustani contou ainda ao tribunal que desde 2011 tentava viabilizar as aprovação do projecto da ProIndicus, mas o lobista e intermediário, Teófilo Nhangumele, demorava fazer com que o que ele pretendia desse certo. Por isso, Boustani deslocou-se, pessoalmente a Maputo e por meios próprios para encontrar-se com o antigo Chefe de Estado, Armando Guebuza.

Afinal, o encontro entre Boustani e Guebuza não se concretizava porque Teófilo Nhangumele criava dificuldades, exigindo como condição o pagamento de 50 milhões de dólares no fim do projecto em alusão, segundo explicou Boustani.

O libanês diz que foi ao encontro de Ndambi Guebuza e falou do interesse de reunir-se com seu pai porque tinha um projecto ambicioso para o país mas que “Teo” não estava a facilitar. Ndambi, também chamado por Boustani de Júnior terá respondido que o pai andava ocupado mas que havia possibilidade de trocar dois dedos de conversa com ele no fim-de-semana, durante a festa do seu aniversário de 70 anos. A transcrição que se segue é das respostas de Jean as perguntas do advogado Michael Schachter sobre este capítulo da “novela das dívidas ocultas”.

Como foi sua primeira conversa com o Presidente Armando Guebuza?
Encontrei-me com o Presidente, era seu aniversário e me apresentei conversando sobre tudo o que eu tinha tentado fazer desde 2011. E disse a ele que a única coisa que recebemos foi uma carta do ministro Manuel Chang que dizia que o projecto foi aprovado. Ele respondeu-me falando sobre a importância do projecto e me chamou para uma reunião no dia seguinte.
 
 
Você pode nos contar sobre esta segunda reunião com o Presidente Guebuza em seu escritório?
Ele me disse que já tinha mais detalhes sobre o que estava a acontecer. Informou-me que meu ponto focal a partir daquele momento seriam os serviços secretos. Eu disse a ele, “excelência, preciso lhe contar uma coisa”. Eu disse que há uma pessoa chamada Teófilo Nhangumele que quer dinheiro e disse que parte desse dinheiro está relacionada a você”.
 
Qual foi a reação do Presidente?
O presidente ficou congelado, depois olhou para o filho. A resposta do Presidente foi o Sr. Boustani, você está falando sobre grandes projectos estratégicos. Minha resposta à sua pergunta é simples: ninguém, ninguém, nem eu, nem qualquer funcionário público de Moçambique poderá pedir um centavo para fazer o seu trabalho neste projecto. Você diz não e vem a mim.
 
O que ele disse nessa reunião sobre seus próprios negócios?
O Presidente Guebuza me pediu três ou quatro coisas. Ele disse que antes de tudo a segurança é fundamental, então, por favor, apoie nossa segurança. Em segundo lugar, ele disse “você falou sobre Abu Dhabi então traga investimentos para todos os sectores que temos.

Número três ele disse que queria que eu investisse em Moçambique. Ele disse “há muitos homens de negócios no país, não é um segredo, eu sou o maior empresário do país”. Por fim, ele me pediu uma ultima coisa, disse também quero que você apoie a Frelimo.
 
E é a mesma Frelimo que é citada nas provas apresentados neste Tribunal pelo FBI como tendo recebido dez milhões de dólares de uma subsidiária da Privinvest em quatro tranches, em 2014. O valor terá sido enviado pela empresa Abu Dhabi Logistics International com destino à conta detida pelo Comité Central da Frelimo no BIM.
 
BOUSTANI NEGA TER ALICIADO MOÇAMBICANOS
 
Ainda ontem, Jean Boustani recusou ter sido ele que surgiu com a ideia de pagar a Teófilo Nhangumele e a outros moçambicanos para facilitar o andamento do processo de aprovação da dívida da ProIndicus. Afirmou ter sido “Teo” quem cobrou subornos.
 
Você já propôs pagar algum dinheiro em troca de garantia de contratos para Privinvest?
 Não.
 
O Senhor Nhangumele perguntou se a Privinvest pagaria?
 Sim, perguntou.
 
E o que o senhor Nhangumele escreveu no e-mail que você recebeu em Novembro de 2011?
Ele dizia que era para proteger o projecto e criar condições para que chegasse ao Chefe de Estado, era preciso pagar dinheiro.
 
E o que você achou depois de ver este e-mail?
Minha reação foi baseada na orientação clara que tinha, que a Privinvest não paga para garantir projectos.
 
No final da audição, de ontem, o juiz William Kunts acabou por questionar quando é que terminaria o testemunho de Boustani que já dura há dois dias. O advogado disse que precisa de mais, porém o juiz fez questão de deixar claro que já notou que trata-se de uma estratégia da defesa para usar maior parte dos dias da última semana e deixar pouco tempo para que o Ministério Público “tire a limpo” a história contada pelo executivo da Privinvest. O julgamento termina esta sexta-feira.


Contactos

Tef: +258 21 313517/8

Email: opais@soico.co.mz
Local: Rua Timor Leste, 108 Baixa
Maputo- Moçambique