Guerrinhas de diversão em tempo de pandemia?

O tempo de pandemia deveria ser aproveitado para repensar com profundidade o nosso desporto, muito particularmente o futebol, por estar na crista de todas as atenções, pois tal como noutras áreas da nossa sociedade, o “anterior normal” nunca voltará a ser o mesmo.

Copiar e contornar o que se passa noutras latitudes, não é o melhor caminho, até porque as nossas bases estruturais, com epicentro nos clubes, partiu de uma decisão estatal de emergência, que foi a integração das colectividades em empresas, logo após a Independência Nacional.

O pensamento, então, era o de que as colectividades, progessivamente, iriam dar passos no caminho da autonomia. Mas aconteceu precisamente o inverso, de tal sorte que nos dias em que vivemos, os clubes – salvo raras excepções – dependem praticamente do poderio do patrocinador. Faça-se a leitura, através dos balancetes e facilmente se chegará a essas conclusões.

Assim sendo, de outras realidades, importa equacionar. De que vive a maioria dos grandes clubes mundiais?

1.     Venda das estrelas da sua formação;

2.     Merchandising, isto é vender a marca do clube, através de símbolos como camisetes e outros objectos dos mais variados;

3.     Quotização dos associados e receitas da bilheteira.

A nossa realidade demonstra que em qualquer dos pontos atrás referidos, os clubes só conseguem receitas ínfimas. Por isso vivem na dependência, institucionalizada, da “mão estendida” ao patrocinador, cuja situação não fugirá às novas realidades...

 

PARA GRANDES MALES...PEQUENOS REMÉDIOS

As medidas que os Municípios estão a tomar de proibir a venda de produtos nas ruas, por exemplo, são duríssimas. Para muitos inoportunas, porque coincidentes com o período da pandemia. Mas estão a produzir efeitos.

Mas nós, no desporto, queremos utilizar paliativos, para enfrentar uma nova realidade tão dura? Será possível manter as mesmas deslocações, salários e por aí fora, num tempo em que, por exemplo, os atletas já não poderão – ou não deverão – deslocar-se nos transportes públicos normais, tendo até que jogar com as bancadas vazias?

É no mínimo estranho que, ao invés de discussões estruturantes, nos vamos distraindo com:

a)    Mudança da designação Mambas;

b)   Inclusão, por solidariedade, de uma equipa de Cabo Delgado, num Moçambola que não sabemos quando começa;

c)    Discussão do tecto salarial dos jogadores.

Na realidade, em tempo de pandemia, andarmos a comprar guerrinhas que estavam em “stand by”, não me parece uma boa opção. A não ser que seja apenas para distrair o nosso confinamento, e demonstrar que estamos vivos.

 


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