O País Online - A verdade como notícia

Segunda-feira
23 de Outubro
Tamanho do texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Início

MIREME diz que produção de biodiesel através da jatropha tornou-se inviável

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Custo de produção do biodiesel é superior ao dos combustíveis convencionais

O Ministério dos Recursos Minerais e Energia diz que a produção de biodiesel, através da jatropha, é algo para esquecer, porque os seus custos de produção implicariam a aplicação do preço por litro acima do praticado na gasolina e no diesel.

Há seis anos, a produção da jatropha chegou a ser uma grande aposta do Governo que via nela uma alternativa que aliviaria a importação de combustíveis fósseis, já que Moçambique é também produtor daquela planta, que em alguns países é transformada em biodiesel.

De acordo com Almirante Dima, do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, quando se fez a política de biodiesel no país, o crude estava acima de 130 dólares e era viável fazer os combustíveis renováveis como o biodiesel e o gás de xisto. Mas este tipo de projectos é viável quando o xisto está acima de 80 dólares e quando o biodiesel está acima de 100 dólares. Entretanto, na conjuntura actual, em que o preço do crude baixou, ninguém vai poder comprar biodiesel cujo custo de produção, por exemplo, esteja nos 70 dólares e o combustível nas bombas custa entre 50 a 60 dólares. Ou seja, “não é viável usar o biodiesel agora porque o custo de produção vai ser superior aos combustíveis convencionais”, revelou Almirante Dima, director nacional-ajunto de hidrocarbonetos e energia do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.

Em princípio, a partir de 2012, deveria entrar em vigor a obrigatoriedade de misturar biocombustíveis e combustíveis fósseis. A previsão é de que as gasolineiras misturassem 10% de etanol com 90% de gasolina e de 3% de biodiesel com 97% de gasóleo, percentagens que foram estabelecidas tendo como base a capacidade instalada para a produção destes combustíveis em Moçambique. Acreditava-se, na altura, que se iria reduzir em cerca de 22 milhões de dólares a factura de importação de combustíveis, que estava avaliada em aproximadamente 500 milhões de dólares.

Mas a iniciativa, que tinha apoio do Governo Brasileiro, não avançou por causa da crise económica global, que retraiu financiamentos, até tornar-se inviável, por razões de conjuntura actual.

Aliás, em 2014, o então Ministério da Energia, havia anunciado obstáculos. Através do antigo director para a área de energias renováveis, Eusébio Saíde, referiu que crise financeira que abalou o mundo, travou o crescimento da indústria de biocombustível em Moçambique, interrompendo projectos que estavam em curso.

Hoje, o país debate-se com elevados custos de combustíveis devido á recente suspensão dos subsídios, que mantiveram a estabilidade de preços desde 2008. Os preços deverão subir gradualmente ao longo dos próximos meses até atingirem os níveis do mercado internacional. O perigo disto é que o facto de induzir a subida do preço de todos os bens e serviços.

 


 

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo