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Personalidades lamentam perda do homem que promoveu as TIC no país

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Venâncio Massingue (1960-2017)

É hoje que os restos mortais do ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue, vão a enterrar em Nwavaquene, província de Gaza, sua terra natal. O funeral foi antecedido da última homenagem ao “homem simples que tinha um entusiasmo envolvente pelas tecnologias”.

A cerimónia foi marcada por lágrimas, dor e tristeza das centenas de pessoas que foram, ontem, ao Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane dizer adeus a Venâncio Massingue. Entre os presentes destaca-se o Presidente da República, Filipe Nyusi, o primeiro-ministro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, o actual ministro da Ciência e Tecnologia, Jorge Nhambiu, os antigos presidentes da República, Armando Guebuza e Joaquim Chissano, e o reitor da Universidade Eduardo Mondlane. Foi perante essa plateia que o irmão do malogrado destacou que o seu irmão era uma pessoa amável e simples, que lutou contra a doença da qual padecia, até ao último momento.

“Durante quinze meses, o Venâncio sofreu de uma doença violenta, penosa e agressiva. Nos últimos dias, a nossa vida foi passada mais dias no serviço de urgências do hospital, o que nos faz reflectir se não seria a morte o fim do sofrimento”, disse emocionado, Tiago Massingue.

Em seu elogio fúnebre, o Reitor da UEM, Orlando Quilambo, destacou as qualidades profissionais do seu colega e amigo.

“ Ele pertenceu ao grupo de jovens docentes e investigadores que nos anos 90 foram chamados a dirigir unidades estratégicas da vida do país como é o sector das Tecnologias de Informação e Comunicação. Partilhamos com ele os momentos mais empolgantes da vida da UEM, quer na preparação dos instrumentos de gestão, quer na sua implementação. O entusiasmo com que ele vivia as tecnologias de informação e comunicação era tão envolvente, que nos levava a esquecer as dificuldades que os sistemas enfrentavam”, frisou Quilambo.

Falando em representação do Governo, o actual ministro da Ciência e Tecnologia, Jorge Nhambiu, realçou o papel desempenhado por Massingue na promoção do desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação no geral e da internet, em particular, no país.

“Foi no consulado de Venâncio Massingue que tiveram lugar a criação de importantes instituições que regulam e promovem a actividade de investigação científica em Moçambique, tais como a elaboração de importantes instrumentos jurídicos e orientadores relativos ao sector da Ciência e Tecnologia; a dinamização, promoção e divulgação da ciência e tecnologia e o estabelecimento de parcerias nacionais e internacionais de financiamento a investigação; a promoção de recursos humanos de elevada qualidade, realidades que têm beneficiado ao país. São inúmeras as iniciativas por ele lideradas e cujos resultados beneficiam hoje muitos cidadãos, instituições do Estado e privados”, disse Nhambiu.

“Ele era um exemplo de humildade e solidariedade com os outros. Quero dizer a família que é verdade que tiveram uma perda irreparável, mas não estão sozinhos. Todos nós estamos com a família Massingue. Ele foi um grande intelectual que serviu o país e seus feitos sempre serão reconhecidos por todos nós”, referiu Armando Guebuza.

“A morte dele representa a perda de uma pessoa que iniciou uma obra e que certamente tinha muito para dar. Os seus projectos de disseminação e conhecimento eram bem conhecidos. Felizmente ele deixou seguidores na universidade e nas aldeias há centros de informática e cabe a nós dar continuidade ao seu legado”, considerou Joaquim Chissano.

Venâncio Massingue perdeu a vida a 10 de Fevereiro corrente, vítima de doença, numa instância hospitalar da cidade do Cabo, na África do Sul.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo