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Residentes de zona alagada na Beira recusam transferência para zona segura

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Moradores alegam que não querem sair do bairro onde nasceram

Os residentes de Munhava Matope, um dos bairros da cidade da Beira severamente afectados pelas inundações causadas pelas chuvas fortes registadas nos dias 25 e 26 de Fevereiro último, na província central de Sofala, estão divididos quanto à sua retirada para zonas mais seguras.

Alguns do residentes disseram, semana passada, que sempre manifestaram vontade de se mudarem para outros bairros mais seguros, mas afirmam que isso nunca se efectivou, enquanto outros alegam que nasceram e cresceram naquele bairro, razão pela qual recusam a sua transferência para outros locais.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, que defende a transferência dos residentes para zonas mais seguras, afirma que não faz sentido alguém se submeter ao sofrimento apenas porque nasceu e cresceu num determinado local e, por isso, não quer mudar-se para outro.

Por seu turno, o edil da Beira, Daviz Simango, considera a sensibilização um factor importante. Afirma que o maior problema é sensibilizar as populações para que construam as suas residências em novos terrenos, tendo em conta o nível freático que caracteriza aquela urbe.

“Mesmo que o município decida transferir os residentes e demolir as suas casas, estas pessoas vão regressar para reerguer as suas casas de construção precária e voltarem a viver nas mesmas condições”, explicou Simango, apontando a zona da Praia Nova como exemplo.

O edil da Beira referiu que o ideal seria o Conselho Municipal encarregar-se de fazer um aterro, ordenar e abrir estradas e valas nas novas áreas de construção, para depois atribuir os terrenos. Infelizmente, segundo Simango, o município carece de meios para o efeito, por ser um exercício muito oneroso.

Por isso, algumas famílias continuam a viver em casas inundadas e com água estagnada dentro dos quintais, desde o início da época chuvosa, em Outubro último. Em alguns casos, a água está misturada com lixo, em terrenos lamacentos e sem condições para habitação.

“Aqui neste bairro houve inundações em 1977 e as famílias afectadas estiveram abrigadas no armazém número dois. Nesta última vaga de chuvas, que inundaram quase todo o bairro, as pessoas recusaram-se a abandonar as suas casas e, por isso, chegavam ao extremo de dormir em cima das mesas, outras sentadas nas cadeiras”, disse António Marques, um dos residentes.

 


 

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Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo