
“Libreto da Miséria” uma história de homens.
Depois de ter ido ao palco, “O Libreto da Miséria”, texto de Eduardo White, sai hoje em livro. Para sermos mais exactos, White lança hoje dois livros: “O Libreto da Miséria” e “A Mecânica Lunar e A Escrita Desassossegada”. No entanto, nesta edição, prestamos atenção ao “libreto”.
“Esta é uma história que resolveu contar-se sozinha”. Explica Eduardo White logo no princípio da introdução de “O Libreto da Miséria”, como quem “desassume” todas as responsabilidades pela linha que o texto irá assumir a partir daquele momento. O poeta decidiu, em “O Libreto da Miséria”, assumir-se claramente dramaturgo, embora, esta sua incursão pelo teatro não o liberte da poesia que existe nele.
Calane da Silva, no posfácio do livro, onde assina com o título “Texto e história para o teatro moçambicano”, questiona “que texto dramático é este de Eduardo White no contexto das obras de teatro já publicados no nosso país?”
A partir deste texto de White, Calane da Silva leva-nos de uma forma rápida pelas linhas do teatro moçambicano. Mesmo reconhecendo a quase ausência de produção de teatro em livro, consegue ir buscar no período antes da independência “O Lobolo” e “As Trinta Mulheres de Muzeleni” de Lindo Lhongo. Mas, depois, vamos encontrar outras referências como “Eu Não Sou Eu e Outras Peças de Teatro” de Santana Afonso e “Gatsi Luceri” de Aurélio Furdela.
“Sabemos, por outro lado” – escreve Calane da Silva para enquadrar o surgimento deste texto de White em livro depois de ter sido levado ao palco - “que muitas obras universais de literatura dramática não existiam antes da sua representação em palco, sendo que até hoje muitos textos são editados depois de serem representados.”
Quando se trata de um poeta como White, não podemos falar de “experimentação” como se coloca no caso de autores que procuram ver como o público vai reagir. White atirou-se para o palco como dramaturgo, levando consigo um luxuoso elenco composto por actores como Graça Silva, Adelino Branquinho e Mário Mabjaia, para além de Chico António e Zé Maria.
Mas segurou-se na poesia como um alpinista às cordas. “...(não é por acaso que também surgem no texto poemas a serem cantados)...”, lembra Calane da Silva.
Emídio de Oliveira, no Prefácio do livro, também faz referência a esse “espetro” de poesia nesta dramaturgia de White. Isso também viria a acontecer quando entrou para o bailado numa correografia de Pérola Jaime e repetiu o dueto com Chico António, que ele confessou existir “entre nós uma cumplicidade”.
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