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Os espiões que foram ao cinema

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Os espiões que foram ao cinema
Os espiões que foram ao cinema

Histórias que saíram de livros para as telas.

Um mergulho rápido na história faz pensar que a aposentadoria de muitos agentes secretos britânicos foi dedicada ao mesmo ofício: a literatura. A estreia do longa-metragem “O Espião que Sabia Demais” (já cotado para o Óscar 2012), segundo a Globo, trouxe à tona um subgénero da literatura policial explorado, em geral, pelos escritores britânicos: os romances de espionagem.

O filme é uma adaptação de um dos muitos livros de John Le Carré, pseudónimo de David John Moore Cornwell, um ex-agente do serviço secreto inglês (MI-6), que passou a escrever romances de espiões antes mesmo de sua vida como agente terminar repentinamente, com a divulgação de muitos nomes de integrantes do MI-6 aos russos da KGB, pelo agente duplo Kim Philby (circunstância que, por si só, já rendia um excelente livro!). Fugindo ao ritmo a que os filmes de James Bond nos acostumou, de trama electrizante e cenas de acção protagonizadas por aparatos tecnológicos de última geração, “O Espião que Sabia Demais” é muito mais psicológico e denso, composto por cenas sombrias, geladas e lacónicas, uma ambiência digna do enredo, em que um agente da divisão secreta denominada “Circo” investiga a actuação de um agente duplo, infiltrado em plena liderança.

Apesar de passíveis de confusão, os romances de espionagem são bem diferentes dos casos protagonizados por Sherlock Holmes, por exemplo, para fazer um comparativo entre compatriotas, já que o autor, Sir Arthur Conan Doyle, é também inglês.

Nos livros de Sherlock, o ponto alto da narrativa está relacionado à resolução de casos e a decifração de códigos, elementos que definem o romance policial; o de espionagem, por sua vez, trata das missões, mas, sobretudo, da rotina e dos bastidores de agentes de instituições secretas. Um dos mais populares nomes do subgénero é o londrino Ian Fleming, o autor que deu vida ao imortal de três dígitos, James Bond.

Até os 23 anos, Ian não tinha a menor perspectiva do que faria da vida. Tinha escrito para alguns jornais, mas apenas com o início da Segunda Guerra Mundial começa literalmente a inscrever o seu nome na história dos romances.

Fleming é designado a trabalhar para o serviço de inteligência da Marinha Britânica. O seu superior, o almirante John H. Godfrey, vai servir posteriormente como modelo para o perfil de “M”, o chefe de Bond. O primeiro livro, “Cassino Royale”, foi lançado em 1953 e é adaptado para o cinema em 2006.

A partir do primeiro volume, devido ao sucesso de Bond, Ian Fleming, já também ex-agente secreto, anualmente se mudava para a sua casa na Jamaica (curiosamente chamada Goldeneye) para escrever mais um título. Foram 12 livros até à sua morte, em 1964.

Depois do falecimento de Fleming, outros autores britânicos, como John Edmund Garner, continuaram a dar vida ao agente secreto. Edmund lançou outros 14 títulos originais. Nos cinemas, a franquia “James Bond” é, ainda hoje, reconhecida como uma das sequências mais lucrativas da indústria cinematográfica.

Foram 23 filmes nos quais o agente 007 foi estrelado por seis actores diferentes. Este ano, está previsto o lançamento de mais um deles, “Skyfall”, com Daniel Craig (de “Guerra ao Terror”) na pele de Bond, e o espanhol Javier Bardem a encarnar mais um vilão.

Apesar da fama, os amantes da literatura de espionagem não consideram a obra de Fleming magistral. O agente por ele criado é carregado de estereótipos e elementos irreais, tornando-o muito mais um super-herói dos quadrinhos do que um agente da MI-6.

Neste sentido é que se valoriza a obra de John Le Carré, que narra com propriedade e realismo os bastidores das instituições secretas. Carré é autor de 22 livros, o último lançado em 2010. O primeiro deles foi lançado quando ainda estava no serviço de inteligência britânico. Nesse período, entre as décadas de 60 e 70, os seus livros tinham por contexto político a Guerra Fria.

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