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O ponto mais alto do festival

“Something’s Coming” na quarta-feira.

A VIII edição do Festival Internacional de Música Clássica, que arrancou sexta-feira última na capital do país, conta com a presença de 16 artistas estrangeiros, entre bailarinos, músicos e directores, e mais de 20 artistas locais, entre músicos, bailarinos e actores.

O Festival Internacional de Música Clássica começou com uma gala no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, com uma grande homenagem à activista sul-africana anti-apartheid Ruth First, directora científica do Centro de Estudos Africanos (CEA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), assassinada há 30 anos, por meio de uma carta armadilhada pelos serviços secretos sul-africanos.

Se fosse viva, Ruth First completaria na sexta-feira 86 anos. Esta jornalista e antropóloga sul-africana deu a sua vida a uma causa que só viria a triunfar em 1990, com a libertação de Nelson Mandela e outros presos políticos sul-africanos e o levantamento da ilegalidade das formações políticas banidas durante o apartheid.

Até 11 de Maio, o festival vai oferecer uma rica programação, sendo que nesta segunda-feira vai apresentar música de câmara no Teatro Avenida, às 19h30. A sessão musical será abrilhantada por Audun Sandvik, violoncelo (Noruega), Sveinung Bjelland, piano (Noruega),  Hayato Ishibashi, violino  (Japão), Eldevina Materula, oboé (Moçambique), Mateuze Stasto, viola (Polónia). Amanhã haverá também no Teatro Avenida mais uma sessão de música da câmara. Já na quarta-feira será exibida a peça musicada que constitui o grande destaque na oitava edição do festival de música clássica, a “Something’s Coming”, uma adaptação da original “West Side Story”, que será apresentada no palco do Gil Vicente em gala marcada para as 20h00. O ballet, que caracteriza esta VIII edição do Festival Internacional de Música de Maputo, vai juntar artistas de renome, nomeadamente Carlos Pinillos e Filipa Castro, os bailarinos principais da Companhia Nacional de Bailado, de Portugal. Entretanto, os trechos de “West Side Story”, o musical dos anos 1950 inspirado no Romeu e Julieta de Shakespeare vão constituir o momento mais alto deste festival. A peça é dirigida e coreografada por Greg Ganakas, que já trabalhou com entusiasmo e com valentia com estudantes e cantores moçambicanos na mise-en-scène de “Porgy and Bess”, em 2010.

A orquestração do musical, de Leonard Bernstein, será efectuada pelo Steve Zegree Quartet, todos professores da Escola de Música de Bobby McFerrin, que esteve em Maputo na edição passada e que, desta vez, embora em contexto diferente, vem replicar uma experiência que foi a todos os níveis formidável.

 O clássico Romeu e Julieta, a história dos amantes que morreram por causa da inimizade entre as suas famílias, foi transportado para a Nova Iorque do século XX por Jerome Robbins (coreografia), Stephen Sondheim (texto) e Leonard Bernstein (música). O conflito era entre dois grupos de jovens: um formado por americanos “tradicionais” e o outro por imigrantes porto-riquenhos, recém-chegados, em busca da “terra prometida”.

O musical “West Side Story” foi encenado em Nova Iorque durante quase dois anos, com 772 apresentações. Em 1961, a obra foi filmada, com Natalie Wood num dos papéis principais. Também no cinema, “West Side Story” (Amor, Sublime Amor) tornou-se um clássico.

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