Disco “Tonota” é o melhor álbum de jazz de 2012.
Reagindo, em primeira mão, Jimmy Dludlu deixou vincada toda a sua satisfação por ter sido ele o escolhido, no meio de vários concorrentes com muito peso no jazz em África. “Este prémio é o reconhecimento de que em Moçambique e em África a música que se produz é de qualidade. Também significa que, como músico e como artista, eu estou a crescer a cada dia que passa. O ‘Tonota’ representa uma bênção importante para o povo daquela aldeia do Botswana, onde eu cresci e amadureci como homem durante os anos 80, quando estava no exílio”.
Ainda electrizado pela emoção da comemoração, Jimmy Dludlu contextualizou ainda o clima de inspiração que levou ao nome do disco e as emoções que o rodearam quando esteve, durante três anos, a produzir o trabalho com a sua banda: “Quando tu estás fora do teu país de origem, que está em guerra, numa situação de exílio, vais para um sítio onde não conheces ninguém, e és recebido da forma como eu fui recebido em Tonota, aprendes a dar valor ao amor e à fraternidade. Longe da minha família, eu encontrei em Tonota um acolhimento e um amparo. Foi lá onde, inclusive, encontrei o primeiro amor da minha vida, a Nomsa, que é a mãe da minha filha Tapiwa, que nasceu ao longo daqueles anos. Este disco, conforme tive ocasião de dizer, é um tributo a ela e ao povo de Tonota, que cuidou dela com amor e com carinho enquanto eu aprendia música”.
Sou moçambicano nascido no Chamanculo
E eles já sabem que este trabalho foi premiado?
Eles acompanharam a cerimónia da entrega dos prémios em directo e telefonaram-me de seguida. Recebi mensagens e felicitações no meu celular de muitas pessoas anónimas e conhecidas do Botswana, de Moçambique, da África do Sul, e de quase todos os cantos do mundo.
E porquê a tendência de Jimmy Dludlu associar os nomes dos álbuns a pessoas e a lugares concretos da vida?
Porque os amores e os lugares fazem parte da nossa própria história. O que eu vivi e aprendi em Tonota não é uma simples paixão, é um ciclo completo da minha vida e eu devo isso a eles. Nunca tinha imaginado dar este nome ao disco. Mas ver a minha filha a crescer ao longo destes 20 anos deu-me imensa compaixão e alegria. Dentro em breve volto ao Botswana para um grande concerto musical de retribuição e de celebração do Tonota, por este prémio.
Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»




Comentários