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“Terra Sonâmbula” de Mia Couto é peça de Teatro no Rio de Janeiro

Estreia marcada para Quinta-feira da próxima semana

Duas editoras brasileiras – Nova Fronteira e Companhia de letras –, juntas, publicaram 19 obras do escritor Mia Couto. E não é um exercício recente, desde 1986, a começar por “Estórias abesonhadas”, que as histórias moçambicanas são vividas naquele país sul-americano.

Mas não só, a vasta obra de Mia já foi transportada em filmes, músicas, entre outras artes, o teatro inclusive. E a prova de que a escrita de Mia não passa despercebida entre os brasileiros, mal 2017 começou a Companhia portuguesa (ainda que portuguesa) denominada ESTE - Estação Teatral da Beira Interior - apresenta entre os dias 12 e 15 deste mês o espectáculo Terra Sonâmbula, do escritor, no Teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro.

Esta é a primeira vez que a peça será exibida em palcos brasileiros. O espectáculo baseia-se no romance do autor, publicado em 1992. Não se pode ignorar a sua eleição por parte desta companhia pelo livro ter sido considerado um dos doze melhores africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbábue.

Na trama, um machimbombo incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que acontece por toda parte, em Moçambique. O veículo está cheio de corpos carbonizados, mas há também um outro corpo à beira da estrada junto a uma mala que abriga os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto, em questão.

A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do menino, a única esperança contra os senhores da guerra.

Assim começa também o espectáculo Terra Sonâmbula, que busca transpor para o teatro os traços tão marcantes da essência, da forma de comunicação, da singularidade e da poética de Mia Couto, buscando ressaltar a profundidade de uma escrita tão característica do escritor.

O espectáculo é fruto do encontro do dramaturgo Nuno Pino Custódio e da actriz Rosinda Costa com Mia, em Maputo.

O convívio entre os três aflorou a vontade de estender o aclamado romance também para a linguagem teatral. A narrativa teatral é expressa, principalmente, pela linguagem corporal/gestual da actriz, Rosinda Costa, que conta também com o músico Alexandre Barata, que realiza a percussão durante toda a cena.

ESTE é uma companhia sedeada no Fundão (cidade portuguesa no distrito de Castelo Branco) que tem como objectivo nuclear a produção de espectáculos através de uma vocação artística e pedagógica que visa promover e fomentar a criação e formação de públicos.

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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