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“Fomos ofuscados pelos media”, Magid Mussá

Músico moçambicano lamenta-se da falta de consideração que os medias têm aos artistas da velha guarda

As músicas de Magid Mussá eram uma espécie de conteúdo obrigatório para os amantes da boa música nos anos 90. O artista moçambicano que despontou em 1992 com a gravação do seu primeiro álbum nos estúdios da M1, na Rádio Moçambique, ainda bem jovem, marcou grandemente a sua geração. Trata-se do álbum “Nhoniyuwe”, que em português significa “vi você”, que o projectou nos palcos de quase todo o país e, como se não bastasse, fê-lo conquistar um prémio da televisão pública.

O artista não só começou bem a carreira como também os anos subsequentes foram cheios de glória. O regente agrícola emprestado às artes, lançou, quatro anos depois, “Xitivile”, termo bitonga que se refere a uma moeda antiga ou, se quisermos, relíquia. Mas não parou por ai, mais dois álbuns foram lançados e como resultado, foi premiado como Melhor Voz no Ngoma Moçambique, parada musical em que teve seis indicações.

Era, na altura, Magid para lá e Mussá para cá. Espectáculos e eventos privados eram palcos consideráveis deste artista da música popular que (en) cantava com mensagens de emocionar qualquer um que escuta, mas também de fazer reflectir os mais atentos. Tal como outros artistas de sua geração, não cantava apenas pelo facto de ter o dom da voz, mas, igualmente, cumpria um exercício cívico sem igual. Seus dois últimos trabalhos discográficos “Olhe para trás” e “Faz de conta” clarificam quaisquer equívocos sobre este episódio.

Mas, de repente, a sua carreira declinou. Embora existissem espectáculos esporádicos, Magid já não era o mesmo Mussá. Quanto a esse aspecto, o autor de “Sikwata” indica a viragem de gerações como o grande vilão. “Aparecia pouco nos órgãos de comunicação social, pois existiam media que gostavam de ‘abafar’ os músicos considerados da ‘velha guarda’ ou os músicos mais velhos. Ficávamos ofuscados, não tínhamos espaço para nos mostrar”, lamenta-se. O segundo factor, de acordo com o nosso interlocutor, é a força da música tropical no país, também esteve por detrás do desaparecimento dos artistas que apostavam na música ligeira. “Mesmo em termos de patrocínio, os mais jovens eram sempre os privilegiados. A idade é que valia”, queixa-se, e enfatiza: “Fomos ofuscados pelos media”.

Para o artista a “guerra” entre a nova e velha geração de músicos que despontou alguém tempo é inútil. “O músico mais velho e o mais novo são músicos todos e juntos devem trabalhar”, assim pensa Magid e está um pouco feliz pelo facto de, nos últimos anos, o cenário estar a mudar. Segundo conta, alguns jovens já lhe solicitaram para parcerias e está aberto para tal.

Magid Mussá é membro da Associação dos Músicos Moçambicanos, instituição que zela pelos artistas no país. Para o músico, o organismo tem dado alguma ajuda, entretanto, defende que podia fazer mais, nomeadamente, criar mecanismos para que projectos dos músicos sejam financiados.

Ainda na nossa entrevista, referenciou-se um tópico que “suga o sangue dos criadores”: a pirataria. Quanto a esse aspecto, o músico diz que com a evolução tecnológica vai reduzir a pirataria, pois os compradores optam pelos CD originais, que duram mais tempo, em detrimento dos descartáveis.

“Phuluvundza”: quinto álbum de Magid Mussá está na forja

Diferentemente de outros anos, 2017 começou muito bem para Magid Mussá. Só em duas semanas, já passou por quatro televisões (incluindo Stv) e pela rádio pública. Alguns espectáculos, também, estão na forja. Mas não só, o seu quinto projecto discográfico – “Phuluvundza” – será outro feito. O trabalho que vai juntar 12 faixas já tem pelo menos quatro gravadas. A poesia e a crítica social – as marcas do artista – não vão faltar neste mais recente CD. Só para se ter uma ideia, a música que dá o título ao álbum conta a história de um comilão que, entretanto, não gosta de trabalhar. Nota-se, aqui, uma clara figura de estilo que Magi Mussá usa, neste caso a metáfora.

“Das quatro músicas que já gravei, ainda em estúdio, tenho notado a boa recepção dos colegas. Sob a batuta da Ram Multimédia – a empresa que tem ajudado o artista nos últimos tempos – prevê que até finais de Março o álbum esteja nas bancas. Esta agência, afinal, não se preocupa apenas em registar as composições de Magid, mas em ajudar o artista a reerguer-se. A reabilitação da sua casa é uma das ajudas a ser prestada ao artista.

Um dos sonhos do artista é criar uma editora, para que os artistas deixem de vender os CD de porta em porta; além disso, ele pretende criar uma escola de música.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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