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Seis declamadores, quatro livros e uma poetisa: Sónia Sultuane

Poetisa juntou poetas para declamarem textos dos seus quatro livros em Maputo

Sónia Sultuane é uma das vozes firmadas quando o assunto é literatura e artes plásticas no país. Autora de quatro livros de poesia, um dos quais publicado em Novembro do ano passado - “Roda das encarnações” – transporta nos seus versos, segundo Calane da Silva, cores e melodias, o imanente e o transcendente.

É por esse poder que a sua escrita granjeia, que na última sexta-feira, seis declamadores juntaram-se para dizer os seus poemas numa noite para lá de agradável. Entre as vozes que exteriorizam o “eu poético” da Sultuane constam duas, bastante conhecidas e respeitadas no culto à declamação: Octávio Raúl e o próprio Calane.

A lua cheia misturou-se com traços de luz que se espalhavam pelo jardim da Loja das Meias, espaço que pouco a pouco tem servido para alimentar os apreciadores das roupas com sugestões artísticas de alto nível.

Diríamos que a moda e a poesia partilharam o mesmo espaço, e de forma saudável, diga-se. Mesmo não sendo aquele um palco comum para se dizer poesia, o momento soou a agrado, o sorriso e os aplausos dos presentes confirmaram, afinal a poesia tem que ser “comida e bebida” seja onde for.

Como se antecipasse a celebração do Dia dos Namorados, a temática do amor (e os seus dramas) reinou nas declamações que preencheram as primeiras horas da noite. Não era apenas a celebração da carreira de Sultuane, era, mais é, a exaltação da poesia feminina.

Para a autora de “No colo da lua” – um dos livros esmiuçados no local – este evento foi um grande momento, pois diferentes pessoas lá estiveram só para ouvir os seus poemas. “Esta foi uma noite dedicada a minha poesia, mas também foi uma oportunidade para as pessoas celebrarem o amor, a partilha, a vida, tendo em conta que muitos poemas meus falam de amor”.

Sultuane, como outro escritor, fá-lo por lazer. Mas depois de disponibilizar quatro colectâneas de poesia e um livro infantil, é impossível que não haja um aprendizado. “Estes livros ensinam-me que fui amadurecendo, crescendo, sentindo doutras formas, vivenciado outras coisas… e isso mostra que como ser humano tenho evoluído”.

Para Calane da Silva estes encontros literários vão reaver não só o sentido crítico sobre a vida, mas também ter a noção de que Moçambique tem bons poetas e boas poetisas. A poesia de Sultuane não só foi bem declamada por Calane da Silva, como sempre o faz com a mestria merecida, como também foi cantada.

O canto, doce como um “açúcar a atravessar pela garganta” foi protagonizado pelo músico Cheny Wa Gune. À ele e a sua mbira foram confiados o acompanhamento sonoro aos poetas que por ali desfilaram, fazendo um périplo pela “enciclopédia” da poetisa. Mas não só, no fim, teve que levantar-se e declamar em forma de música um dos poemas da autora.

As declamações e o canto terminaram, mas ainda não era o fim do evento. Já no interior da loja, Sónia Sultuane concedeu autógrafos ao seu último livro, “Roda das encarnações”. Apertos de mão, abraços e conversa solta fizeram a segunda parte da sessão de poesia até pela noite adentro.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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