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Início Cultura Cultura “Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” de Adelino Timóteo chega às bancas este mês

“Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” de Adelino Timóteo chega às bancas este mês

Primeiro romance histórico do escritor

Imagine-se uma mulher com oito maridos, quantos mimos teria a dar e a receber, neste 14 de Fevereiro? No plano real, eventualmente não se encontre nenhuma, mas, na ficção, tudo pode acontecer. Que o diga Adelino Timóteo, autor que, como se pretendesse questionar o padrão dos casais, aventura-se num livro que, à partida, inquieta:  Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz”.

A nova obra de Timóteo traz a história que acontece no início do terceiro quartel do século XIX, época em que o missionário inglês Livingstone propõe-se a tarefa de evangelizar e combater o tráfico de escravos nas terras do Rio Zambeze. Nessa altura, Livingstone desembarca no Prazo do Goengue, onde irá encontrar a voluptuosa mulata, de olhos vivos, que se chama, nem mais, Dona Luíza Michaela Rita da Cruz. O encontro inesperado arrasta o missionário até ao extremo da ansiedade, de acordo com o escrito, como quem se põe a descascar o fruto para chegar à polpa da mulher. E nisso vai saciando a curiosidade sobre a natureza e a vida dela, até a dar-se com os seus oito maridos”.

As peripécias da narrativa consagram o personagem estrangeiro como biógrafo de dona Luíza e da "sagrada" família Cruz, do Estado de Massangano, que dificulta a colonização portuguesa.

Não obstante, o título da nova obra de Timóteo lembra uma outra, de Jorge Amado, “Dona Flor e seus dois maridos”, mas a inspiração do autor moçambicano não partiu daí. Adelino Timóteo conta que, antes de começar a escrever, quando passava por um alfarrabista junto à Brasileira, em Lisboa, caiu-lhe às mãos o livro “História das guerras de Zambeze, Chicoa e Massangano (1954)”, de Filipe Gastão de Almeida Eça. Nisso, um capítulo chamou-lhe atenção, o destaque que o autor fazia à Dona Luiza, na sua percepção, tratada como uma figura digna de romance, num tema “Dona Luíza da Cruz e os seus quatro maridos”. “Recordei-me de que “Dona Flor e os seus dois maridos” escreveu o Jorge Amado em 1966. Disse cá para os meus botões, esse título é bem moçambicano. Talvez tenha sido essa a fonte de inspiração do Jorge Amado. Glosei o meu romance muito consciente de que ao nível da ficção há um vasto filão que a Zambézia daquele tempo oferece, sem ter que emprestar nada ao Jorge Amado. Podia ter escolhido outro título, mas saber que o título é muito moçambicano como a história que conto deu-me gozo de fazer um trocadilho”, afirmou Adelino Timóteo.

“Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” recupera áurea mística e misteriosa das donas dos prazos da Zambézia. E, para o escrever, o escritor teve que investigar. Passou pelo Arquivo Histórico de Moçambique, em Maputo, lendo páginas da Tempo e amadurecendo ideias.

Timóteo começou a conceber o romance em Lisboa (Portugal), levando-o a San Sebastian (Espanha), depois Beira, Linz (Áustria), Amsterdão (Holanda) e Colónia (Alemanha). “Como é normal nos meus livros, fecundam num lugar e gestam em outros. Mas esta obra, em particular, rodou muito”, mas a maternidade escolhida para o parto é Moçambique, com a chancela da Alcance editores.

Adelino Timóteo assume que esta é a sua primeira experiência no romance histórico. “Respirei uma grande pulsão do Zambeze até aqui pouco referenciado, até Quelimane. Penso que descobri neste livro uma áurea misteriosa que me obrigará a escrever mais um ou dois livros sobre o lugar. Penso no Jorge Amado que escreveu cinco livros sobre o cacau. E sobre donas dos prazos até poder-se-á escrever mais”.

“Os oito maridos de dona Luíza Michaela da Cruz” poderá ser adquirido nas livrarias dentro de duas semanas.

 

Escrita e ressureição

Adelino Timóteo entende que neste livro ressucitou Dona Luíza, “as suas paixões, cóleras, a sua justiça sumária, no fim assisti ela padecer, morrer, lentamente. Acompanhei a sua longa agonia. Estive entre os quelimanenses, nas calçadas, que assistiram o seu cortejo. Eu chorei nalgum momento. Não só a morte dela, mas porque desiludiu-me que uma personagem daquele quilate viesse a morrer. Merecia a vida eterna”, mas, mesmo na ficção, há desejos difícies de satisfazer.  

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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