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Mais de 10 artistas gritam hoje “não à violência contra a mulher”

Espectáculo é resultado de uma formação dirigida aos artistas

Arte ao serviço da sociedade. Sem dúvida, é o que o espectáculo de hoje, às 16h00, propõe. Infelizmente, a nossa sociedade está contaminada pela violência doméstica contra a mulher e não há grupos específicos, quase todos de alguma forma são abrangidos. É por esta sociedade que diferentes artistas juntam-se para gritar “nenhuma mulher a menos, por uma sociedade livre da violência doméstica”. Este é o lema de uma palestra em forma de concerto que vai juntar músicos, na sua maioria, mas também actores, dançarinos e poetas.

Tchakaze, Yolanda Kakana, Stewart Sukuma, Ritinha, Elvira Viegas, Roberto Chitsondzo, Lourena Nhate, Grupo Teatral Oprimido, Anita Macuácua, Roberto Isaías, Mingas e Mr. Bow é o alinhamento proposto a este espectáculo com um nome sugestivo: “Canto da Liberdade”.

“Este nosso canto de amanhã (referindo-se a hoje) queremos que chegue a todos cantos do nosso país, que não seja um canto que apenas vai soar em Maputo”, disse Elvira Viegas, uma das artistas que participou, ontem, da conferência de imprensa, que dava conta das linhas gerais sobre este evento. A cantora disse mais, com um tom sereno, como se cantasse “Xirere” embora aqui dispensasse o ronga: “não somos pela violência, por isso damos a cara, sobretudo a violência contra a mulher e contra a criança”.

Outra mulher que na arte e na sua profissão e luta contra este mal é Iveth. Presente na cerimónia, anseia que a violência passe a fazer parte do nosso passado e que como nós somos conhecidos como boa gente, esse nome volte a fazer parte, se verifique nas nossas casas e nos nossos relacionamentos. A autora de várias músicas de intervenção social olha para os artistas como “aqueles que acompanham de forma ampla o desenvolvimento de uma sociedade, ou seja, cantam aquilo que a sociedade lhes diz”, assim legitima este evento que servirá de um canto para dar informações, pois a violência tem que ser denunciada.

Ainda que o espectáculo tenha um fim social, as entradas serão pagas. Iveth explica o porquê dessa opção: “o produto deste espectáculo vai ser doado para poder garantir que meninas que não têm acesso à escola na Zambézia possam ter acesso à educação”.

Porque o concerto tem um conteúdo que interessa mais a mulher, inicialmente tinha-se pensado nas cantoras. Mas a organização concluiu que também seria exclusão, uma forma de violência. E para corrigir este acto começa-se pelo próprio concerto.

Aguarda-se, no entanto, um espectáculo breve, previsto até às 19h30. Roberto Isaías promete cumprir com o horário e num tom de brincadeira disse que quem for a dormir tarde, não será por culpa deste concerto.

Espectáculo é resultado de uma formação dirigida aos artistas

Este evento resulta da parceria entre os artistas e as seguintes organizações: Fórum Mulher, Redem HOPEM e outras instituições que trabalham no programa AGIR. Este projecto não tem outro objectivo senão “provocar a sociedade de uma forma geral e os homens de uma forma específica, chamá-los à sua responsabilidade. Estamos conscientes que isso não se faz num único momento, mas exige que haja um engajamento contínuo”, explicou Júlio. O formador recordou que esta acção iniciou, ano passado, com uma capacitação aos artistas.


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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