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24 de Abril
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Artistas munidos... violência ferida

“Canto da Liberdade”

Pelo menos entre as quatro paredes do Cine-teatro Gilberto Mendes a mensagem ficou. Carregada de força, certeza e honestidade, o grito contra a violência ecoou naquele espaço e, obviamente, irá espalhar-se por diversos cantos... pois aqueles que lotaram por completo o auditório têm família, amigos e vizinhos a que vão levar a informação.

Este é o primeiro grande evento que se debruçou sobre esta temática em Moçambique, mas a produção e os parceiros garantem que vão levar este projecto para mais locais. Desta vez tiveram a ajuda da televisão (nada mau), entretanto as rádios comunitárias são os próximos destinos de mensagens como essas, afinal, são órgãos que estão perto das comunidades.

Promessas à parte, vamos a festa:

O espectáculo verdadeiramente dito iniciou por volta das 17h00, depois de discursos da ocasião. A voz de Tchakaze é que inaugurou as perfomances. Juntamente com o seu parceiro, Jojó, nos teclados, a cantora disse já não aguentar com a violência no seu lar e, como exemplo a dar, colocou um ponto final naquela tortura. Logo vieram os primeiros aplausos da tarde, que aos poucos ia se tornando noite.

A seguir, mais um casal foi chamado ao palco pelo Jorge Ribeiro e Iveth, os mestres-de-cerimónia em perfeita sintonia. Jimmy colocou as cordas da sua guitarra a falarem e, no meio do discurso, cruzaram-se com a voz inconfundível de Yolanda. O casal que representava toda a banda Kakana interpretou três faixas, mas apenas vamos destacar a terceira: “Nikarate”. É uma música que estende o grito de socorro da “Nkata”, de Tchakaze. Nesta faixa, o casal também diz basta a violência física.

Depois veio o homem, afinal, esses são os agitadores dessa violência. Mas não são todos, há aqueles que têm noção de que a mulher precisa ser respeitada, acarinhada e amada. E quem entrou a posterior, Stewart Sukuma, é um homem que tem essa lição bem estudada. O artista resgatou uma música do seu primeiro álbum “Afrikiti”, elogiando os feitos da mulher negra, aquela que chega em patamares impensáveis pelo seu rico esforço. No final da música não faltaram exemplos: a desportista Lurdes Mutola e a ceramista Reinata Sadimba. Mas não só, levou ao auditório “Felisminha”. A música em que Sukuma exalta a beleza da mulher foi aplaudida e cantada de início ao fim. E porque estava a cantar e tocar, esperou que terminasse com excurssão para poder dançar (o que faz em grandes concertos). Mesmo sem ritmo os seus passos denunciaram uma marrabenta e ganhou, como resposta, muitos gritos.

Porque o espectáculo não era só de música, veio a poesia. Primeiro foi na voz de Ritinha e depois de Obedes Lobadias. Duas prestações formidáveis com a mulher no centro das atenções.

A percussão, a bateria, as guitarras, o piano e, claro, as vozes entraram em acção quando Elvira Viegas soltou a sua inconfundível “Lirere”. Se alguém perguntasse qual foi o momento “show” a resposta seria: a actuação da “mamã Elvira”. E foi mesmo, o auditório levantou-se (literalmente) e houve quem preferiu ir com ela dançar naquele compasso animado.

A festa do “Canto da Liberdade” já entrava na sua fase mais animada, mesmo que a exibição teatral do Grupo do Oprimido tenha reduzido os ânimos e despertado consciências com uma história de violência psicológica, mais uma vez protagonizada pelos homens.    

Roberto Chitsondzo dando continuidade a palestra de Viegas, cantou duas músicas que engrandecem sim a mulher, sobretudo a que é mãe.

As jovens Lourena Nhate e Anita Macuácua partilharam a sua energia. A primeira falou do respeito e o amor que as mulheres devem ter pelos homens e a segunda congratulou a mulher mãe.

O antigo membro dos Kapa Dech não deixou o seu “Lalani” em mãos alheias, nem a Mingas... cada vez mais jovem, animou o público até Mr. Bow fazer o que melhor sabe: agitar. Com o seu “Number one” e “Nitafa nawena” fez o que o público queria para poder descansar em paz e dizer “sim senhora valeu a pena”. O jovem não mediu a voz nem os passos para lutar contra a violência que com certeza saiu de lá tremida.


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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