O País Online - A verdade como notícia

Quinta-feira
25 de Maio
Tamanho do texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Início Cultura Cultura “Não se pode pensar que um escritor escreve em função de um prémio”

“Não se pode pensar que um escritor escreve em função de um prémio”

Mia Couto considera que os grandes prémios são meros acidentes de percurso

Passam um pouco mais de uma semana desde que foi anunciada a lista dos finalistas do Prémio Literário Internacional de Dublin, onde entre 10 finalistas figura o nome do escritor moçambicano Mia Couto com o romance “A confissão da Leoa”.

Em exclusivo ao jornal O País, com o seu jeito descontraído e sereno de sempre, Mia Couto reagiu a este prémio elogiando a forma simpática como é regido este concurso pelo facto de seleccionar escritores de vários cantos do mundo, através de bibliotecas públicas de alguns países.

“Dá uma grande felicidade estar no meio dessa lista”, confessou Mia Couto, embora perceba que só tem 10% de uma possibilidade para ser o grande vencedor dos cem mil euros. O que mais deixa escritor orgulhoso, é que leva junto à obra que participam as pessoas que com ele viveram e, por isso, sentenceia: “É Moçambique que está ali”.

Mia não deixa de reconhecer o prestígio daquele prémio atribuído a uma única obra em língua inglesa na Irlanda, mas diz que a distracção é sua estratégia e não pensa no assunto, tal como ele é, mesmo sem estar à espera de nenhum resultado.

“Não se pode pensar que um escritor escreve em função de um prémio. O prémio é um acidente de percurso. Os grandes prémios são como uma criança aborda o escritor, uma maneira como uma pessoa anónima na rua quer dizer qualquer coisa, como alguém completamente desconhecida diz ‘você tocou na minha vida’; isso sim é um grande prémio”, explica, sempre com um tom poético.

Nesta lista de 10 escritores de luxo figuram dois amigos de Mia Couto: o angolano José Eduardo Agualusa e a nigeriana Chinelo Okparanta. Esta última, por sinal, foi quem informou ao escritor que eram finalistas. Aos dois e aos demais escritores de Dinamarca, Estados Unidos, Áustria, Vietname e outros, o escritor olha-os como companheiros não como adversários. E o autor de “Terra Sonâmbula” diz que na literatura não existem mensagens que são promovidas aos jovens, as de competição, de liderança e de um ser melhor que o outro. “Não existe essa coisa de ser o melhor na literatura”, enfatiza.

E mais, o escritor diz que tanto na literatura ou noutras artes não existe essa coisa de se escolher o melhor, nem de perder ou de ganhar. Diz que os prémios são determinados por um conjunto de circunstâncias, quer políticas ou de contexto, mas não os diminui por esse motivo.

Das vezes que perdeu alguns concursos nunca pensou que perdeu e, por outro lado, quando ganhasse, também não tinha este sentimento. Quanto a este prémio não tem expectativa. “Não é que não penso que não perdi, penso que nem estou lá”. 

Prémio Fundação Fernando Leite Couto

Esta entrevista sobre ao Prémio Dublin aconteceu minutos depois da cerimónia do Prémio Literário Fundação Fernando Leite Couto. Para Mia, os prémios não projectam os grandes escritores, mas defende a existência de prémios para que os escritores tenham a ousadia de submeter as suas obras, pois só isso já funciona como encorajamento para eles próprios.

“Este prémio tem a função de fazer justiça dos novos talentos e valores que estão a surgir em Moçambique”. Além do valor monetário de 150 mil meticais, um livro, o grande sonho dos novos autores, faz parte do prémio deste concurso. Mas o escritor diz não bastar, defende a modernização do livro, através da internet e da partilha através de várias formas, para que se vença a batalha da leitura.

“Dublin”: pela promoção da literatura de excelência

O Prémio Literário Internacional Dublin é inteiramente financiado pelo governo local, cujo objectivo é impulsionar a criação literária de excelência em todo o mundo.

Em 2010, Dublin foi designada Cidade da Literatura da UNESCO, dado que o seu património literário consagra grandes figuras da literatura internacional como Samuel Beckett, James Joyce e Oscar Wilde.

O anúncio do vencedor será feito a 21 de Junho pelo presidente da câmara de Dublin, Brendan Carr.


 

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


publicidade

Edição Impressa e O Tempo

 Edição  O Tempo

 Edição Impressa -24-05-2017

Impressa

 

Maputo

 

Inhambane

 Beira
 

Nampula

 
 

Edição Impressa 398