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Luís Bernardo Honwana apresenta novo livro em Maputo

Cerimónia de apresentação de “A Velha Casa de Madeira e Zinco” terá lugar na associação Kulungwana

Luís Bernardo Honwana volta às livrarias. O autor de “Nós matamos o Cão-Tinhoso” regressa com o livro “A Velha Casa de Madeira e Zinco”, a ser apresentado publicamente no dia 21, na associação Kulungwana (Estação central CFM), em Maputo.

À vontade de fazer ficção, Honwana juntou sempre a necessidade de escrever textos de análise e reflexão. O livro ora editado contém textos de elevado interesse cultural e político, entre ensaios, crónicas, depoimentos e testemunhos, uns já publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras, e outros ainda inéditos.

Os temas abordados são vários, desde os que interessam à história recente do país ao sempre actual debate da língua portuguesa versus línguas bantu, passando pela questão da identidade, pela análise literária e pela produção artística em Moçambique.

A novidade que o livro traz, diz o autor, é fazer os seus escritos funcionarem juntos e “ver o que nessa reconfiguração poderão eventualmente trazer de interessante” e também, acrescente-se, de valor literário, que realmente têm, além da sua actualidade inquestionável para a compreensão da realidade moçambicana.

Luís Bernardo Honwana nasceu em Maputo, em 1942, numa família com longas tradições nacionalistas. Escritor e jornalista, tornou-se figura incontornável da intelectualidade moçambicana. Bem cedo ganhou notoriedade como activista cultural, envolvendo-se com outros jovens, na disseminação do ideal da libertação nacional.

Como jornalista colaborou nos principais jornais do país. Era membro da redacção do jornal Notícias, quando em 1964 viu a sua carreira interrompida pela PIDE, a polícia política do colonialismo português. Foi preso num grupo que incluía outras figuras públicas como José Craveirinha, Rui Nogar e Malangatana, com a acusação de envolvimento no processo da luta de libertação. Isto aconteceu no justo momento em que Luís Bernardo Honwana publicava o seu livro “Nós Matamos o Cão-Tinhoso”.

Honwana foi condenado a uma pena de três anos de prisão maior mas, em contrapartida, o seu livro foi imediatamente reconhecido como um marco importante da literatura de Moçambique. Hoje figura na lista dos 100 melhores livros publicados em África, e foi já traduzido para as principais línguas europeias.

Além de ficcionista, Luís Bernardo Honwana investiga e escreve sobre temas socioculturais, como atesta “A Velha Casa de Madeira e Zinco”.

Após a independência de Moçambique, Honwana ocupou cargos destacados na administração pública do país, como Director de Gabinete do Presidente Samora Machel e, mais tarde, foi Ministro da Cultura.

Antes de ir servir à UNESCO, primeiro como membro do seu Conselho Executivo e, depois, como representante da organização em alguns países da África Austral, Honwana criou, como projecto pessoal, e foi o primeiro presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa.

De regresso ao país, Honwana passou a dedicar-se profissionalmente a questões ligadas à preservação ambiental e à conservação, sendo neste momento o Director Executivo da Fundação para a Conservação da Biodiversidade - BIOFUND.

“A Velha Casa de Madeira e Zinco” sai sob a chancela da Alcance Editores.

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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