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26 de Junho
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Início Cultura Cultura “Mães especiais” desfilam contra discriminação

“Mães especiais” desfilam contra discriminação

Cooperativa Semeia Sorrisos em parceria com agentes culturais elevam a voz das crianças com necessidades especiais

 

A manhã do último sábado (17), na “cidade das acácias”, foi marcada por um desfile incomum. Mães de crianças com doenças raras e necessidades especiais, ou simplesmente mães especiais, tomaram o palco do Conselho Municipal da Cidade de Maputo para advogar pelas causas dos seus filhos e dizer basta à discriminação.

Ao todo, foram 12 mulheres – membros da Cooperativa Semeia Sorrisos (CSS) – que, trajadas de roupas africanas e carregando os seus filhos ao colo, mostraram muita ginga, garra e força.

Em meio a tantas histórias de superação, encontrámos a de Cornélia Cristina e sua filha Wendy. A pequena Wendy nasceu com má formação congénita e, por conta disso, Cornélia teve que experimentar a dor da exclusão. Alguns meses após o nascimento da filha, foi “convidada” a abandonar o seu emprego. Ciente de que o mais importante naquele momento era a saúde do seu bebé, Cornélia abriu mão de lutar pelos seus direitos e aceitou a demissão.

Hoje, passados alguns anos, diz não estar arrependida de ter largado a carreira, mas reconhece que foi injustiçada. Exactamente por isso, decidiu juntar-se ao desfile das “mães especiais”, para chamar atenção da sociedade e incentivar outras mulheres a lutarem pelos seus direitos.

As mães especiais dizem que desfilaram não apenas pelos seus filhos, mas por todas as crianças com necessidades especiais. “Este momento foi muito importante para mim. Estou aqui para incentivar outras mães a levarem os seus filhos ao hospital e cumprirem os tratamentos. Ter uma criança especial não pode ser motivo de vergonha”, declarou emocionada Rosalina, outra mãe especial.

Além das mães, subiram ao palco alunos da Escola primária 3 de Fevereiro, o poeta Leco Nkhululeko, a banda Mazu, bem como os músicos Roberto Chitsondzo, Miguel Xabindza e Xixel Langa. As roupas foram produzidas pelo estilista Luiggi Júnior, sendo que a coordenação artística do evento ficou a cargo bailarino e coreógrafo Lulu Sala.

O desfile foi organizado pela Cooperativa Semeia Sorrisos (CSS) e contou a colaboração vários agentes culturais e sociais. Segundo a co-fundadora da CSS, Benilde Mourana, alguns dos objectivos desta organização sem fins lucrativos são: lutar pelos direitos das crianças especiais, garantir a reintegração familiar das mesmas e dar suporte às famílias, em particular as mães.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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