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Ungulani: do berço à “Sibéria moçambicana”

Ungulani Ba Ka Khossa foi um menino irrequieto, no entanto, amigo dos livros

Inhaminga continuaria a ser uma vila de Cheringoma como tantas outras do país inteiro, não fosse ter registado o nascimento de um dos grandes autores moçambicanos: Ungulani Ba Ka Khosa, pseudónimo que Francisco Esaú Cossa encontrou na tradição familiar para se apresentar ao mundo como escritor. Naquele pequeno povoado de Sofala, o segundo filho de Esaú e Maria viveu até aos 11 anos, altura que se transfere para Lourenço Marques, onde passou a viver na casa da tia Argentina Cossa, no bairro Chamanculo. Na meninice, Chico, outro nome do autor, sempre foi irrequieto, traquino, no entanto, amigo dos livros. Por isso caminhou, com efeito, à procura do conhecimento com a disciplina que o caracteriza, quer na então Escola João Belo, hoje 24 de Julho, quer na Joaquim de Araújo, actual Estrela vermelha.

Aos 13 anos de idade, Chico deixa a casa da tia Argentina, onde também viveu com o irmão mais velho, Elias, e ruma para Zambézia, com o pai, onde faz o 3º e 4º anos no colégio de Gurué. Naquele distrito Chico não ficou muito tempo. Afinal, a sua viagem ainda estava no início, sem que disso o garoto desse conta. Seguiu para Quelimane. Na capital provincial, o “puto” de Elias Cossa termina o ensino secundário.

Três anos depois de chegar a Quelimane, em 1977, Chico é abrangido pelo movimento 8 de Março e regressa a Maputo para tornar-se professor na Universidade Eduardo Mondlane. Entre várias amizades, ali conheceu Teresa Manjate, agora professora universitária, que mereceu dedicatória na primeira versão de “Ualalapi”.

Em 1978, acontece uma das viagens mais importantes da vida de Chico, melhor, do Sr. professor Chico. O novo “stor” foi colocado pelo Ministério da Educação no Niassa e, em Lichinga, lecciona a disciplina de Geografia na Escola Secundária Ngungunhane. No Norte, Francisco conheceu o seu primeiro amor, Judite Mandua, mulher que o fez pai pela primeira vez em 17 de Dezembro de 1979. Nesta data, A família Cossa ganhou mais um membro, Misete, a Primeira, como o pai a trata. Mas Niassa foi ainda marcante porque lá o futuro escritor conheceu um aluno seu, com quem mais tarde fundou a revista “Charrua”: Armando Artur; em Niassa, Francisco revelou os seus dotes de basquetebolista; em Niassa, por acaso ou não, estando a leccionar na Escola Ngungunhane, o professor apropriou-se de um contexto que o tornaria um bom escritor ao inserir na sua narrativa aquela figura real que oscila entre o herói e o vilão. Na “Sibéria moçambicana”, Francisco tornou-se Cossa e Ungulani.

No início de 1980, com a esposa Judite e a filha no colo, Ungulani regressa mais uma vez a Maputo, onde faz o Bacharelato do ensino de História e Geografia, e passa a ensinar na escola Secundária Francisco Manyanga, enquanto membro da Comissão Nacional de Apoio Pedagógico no MNED. Dois anos depois, a veia de escritor aproxima-o a recém-criada Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Mais dois anos, a necessidade de publicar textos contribui para que ele e um grupo de amigos (Pedro Chissano, Eduardo White, Juvenal Bucuane, Armando Artur, entre outros), procurem materializar a vontade de ser lido em algo concreto. Assim, os futuros autores vão bater à porta de Elias Cossa, irmão de Ungulani que na altura era jornalista do Notícias, para pedir ajuda. Elias, que também tinha experiência em maquetização, poderia ter recusado, julgando que aquilo não iria longe. Não o fez. Uma convicção fez-lhe acreditar que naqueles jovens estava a nascer um movimento importante, algo que ficaria para a História. Sem hesitar, ele próprio entrou para História ao tornar-se o maquetizador dos primeiros dois ou três números. “Ualalapi” estava a caminho. Daí em diante, tudo era contagem regressiva.


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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