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Masekela preocupado com desvalorização das “línguas africanas”

Hugh Masekela encontra-se em Maputo no âmbito das comemorações dos 130 anos da cidade

A desvalorização das línguas africanas, nos meios urbanos, constitui uma das preocupações do músico sul-africano, Hugh Masekela, um dos astros do Jazz mundial – autor de álbuns como “Home is where the music is”, “Introducing Hedzoleh Soundz”, “Trumpet Africaine”, “Hope”, “Colonial Man”, “No Borders”, entre outros –, que se encontra em Maputo, no âmbito das comemorações dos 130 anos daquela cidade, e também com a missão de fazer parte do workshop “JAZZ – The man behind the artist featuring Hugh Masekela”.

Segundo Masekela, os povos africanos devem resgatar os seus valores culturais, que encontram bases na língua, como um instrumento de identidade primária. Estas constatações surgiram num encontro havido na manhã desta quarta-feira, no Ministério da Cultura e Turismo, entre o músico sul-africano e o ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, que descreveu Hugh Masekela como pertencente à “uma geração que levantou a sua voz, como instrumento de libertação de África”. Sendo que, para Dunduro, essa geração precisa de passar os seus conhecimentos às novas gerações, para que tenham as bases culturais da música africana, sem que isso signifique fechamento às influências externas.

“Temos que conhecer os valores das nossas línguas, pois elas conferem-nos uma emancipação cultural”, apontou Masekela, para quem o conhecimento da História de África, datada há milhões de anos, é a única forma de preservação das nossas bases culturais, numa altura em que a globalização coloca os africanos à margem das suas culturas.

“Não podemos deixar de lado os nossos rituais, a componente indígena do africano é sempre importante para a compreensão da história”, frisou o trompetista sul-africano, destacando, igualmente, a contribuição que os festivais culturais podem dar na preservação e promoção da cultura africana.

Aliás, Masekela entende que a África vive um contexto de clamorosa perda de valores, sendo urgente uma tomada de medidas, por forma a reverter-se o cenário. “A comunidade africana é a única, no mundo, que copia os outros povos. Temos que fazer as nossas coisas. Temos que acreditar que podemos fazer mais coisas boas, e deixarmos de copiar os outros”, frisou.

O Projecto Hugh Masekela, que enaltece os valores da língua, apoiando artistas que cantam nas línguas locais, poderá cooperar com o Ministério da Cultura e Turismo, em vários domínios culturais, com destaque para a criação de grandes centros culturais no país, uma experiência de sucesso na África de Sul, que conta com três grandes centros culturais, no âmbito daquele Projecto.

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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