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“Escrever sobre desenvolvimento reflecte o ridículo das ONG”

Com “VISÃO” Manuel Mutimucuio tentou contar uma estória de desenvolvimento de forma apelativa

A Beira ocupa um lugar muito especial no coração de Manuel Mutimucuio – autor que lançou seu livro de estreia, “VISÃO”, este mês –, e não é para menos, lá o autor tornou-se parte do homem que é. Por isso, a imagem daquela cidade e dos seus bairros periféricos constituem o centro da sua obra. Mas a novela “VISÃO” não é sobre a capital de Sofala. Longe disso, o mais importante para Mutimucuio, no ofício da escrita que o apresenta ao público moçambicano e do mundo, foi o assunto ou as peripécias que, na sua opinião, acontecem em qualquer parte do país. Assim, a “minha maior preocupação foi trabalhar esse mesmo assunto de modo que não se tornasse algo técnico e, com isso, espantasse quem quisesse ler por prazer”, confessou o escritor.

Ao mesmo que se preocupava com o rigor indispensável a qualquer obra literária, Manuel Mutimucuio explica que, no livro, tentou contar uma estória de desenvolvimento e das Organizações Não-Governamentais, de forma apelativa e relevante para as pessoas que trabalham na área. “E, para veicular esta estória sobre as ONG tive de humanizar a narrativa. Aí encontrei no personagem Enoque uma forma de fazer com que as pessoas compreendam que existem sempre razões para as decisões que as pessoas tomam, as coisas não acontecem por acaso. Tentei mostrar as coisas de vários prismas, porque é importante deixar que o leitor tome as suas conclusões”.

“VISÃO” levou três anos a ser escrito, e, no início, a ideia nem era publicar o livro. Na altura, o autor optou em escrever por ter demasiado tempo livre. “Mas depois comecei a compreender que havia qualquer coisa que podia dar algo mais sério”, afirmou.

Nesta aventura literária, Manuel Mutimucuio concilia experiências vividas por si e por tantos moçambicanos como ele. Com alguma pretensão? “Sim, porque um enredo sobre desenvolvimento pode ser uma plataforma para partilhar uma estória de modo que as pessoas possam reflectir à volta do ridículo e de algumas coisas que acontecem na função pública e nas ONG. A minha principal mensagem neste livro tem que ver com a promiscuidade que existe entre os doadores, ONG internacionais, implementadores nacionais e, eventualmente, beneficiários. É muito comum nesta cadeia que uns critiquem os outros, mas, na verdade, é que uns não existem sem outros. E se existe um comportamento que se pode considerar corrupto, este comportamento reproduz-se ao longo da cadeia”.

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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