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Início Cultura Cultura “Lambinha” sai seis anos depois de sarar a “Cesariana”

“Lambinha” sai seis anos depois de sarar a “Cesariana”

Jomalu lança terceiro álbum amanhã no Centro Cultural Franco-Moçambicano

Foram necessários seis anos para que José Manuel Luís, quem se assume como Jomalu nas lides artísticas, superasse a “Cesariana” e nos brindasse com um novo filho, aliás filha: “Lambinha”. Este substantivo, ainda que seja feminino não se refere exactamente a uma mulher exclusivamente, mas a todo aquele que põe em causa os seus conhecimentos em detrimento de ganhos ou agradecimentos de outrem.

O álbum que sai esta sexta-feira (1), no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo, não só critica os “lambinhas”, mas também faz um périplo por diversos temas sociais. A faixa “Mafalala”, por exemplo, revisita a infância do artista e daqueles que nasceram ou passaram por aquele emblemático bairro periférico. Aliás, falar do bairro da Mafalala é, implicitamente, evidenciar um contexto histórico e sócio-cultural preponderante para a edificação de Moçambique como nação e a exaltação da nossa gente e a das nossas coisas.

Mas também há outros dramas sociais que não passaram distante do olho crítico do compositor. Os filhos que abandonam os seus pais, concretamente as mães, por isso “Mamani”; os emigrantes que buscam novos horizontes noutros quadrantes; a discriminação racial e social; a superstição; inveja, entre outros temas constam nesse trabalho que será exibido ao vivo, num frenesim rítmico tradicional e afro-jazz.

Jomalu não estará sozinho. Figuras como Salimo Mohamed, Xixel Langa e Isabel Novella estarão com o artista no palco. Aliás, desde os 12 anos que está na estrada musical sempre teve companhia, a destacar Seth Swazi e o seu irmão Osvaldo Luís, que constituíram com o outro o quarteto Ndzuti (sombra), banda que se projectou por longos anos, com apresentações em igrejas.

Antes de uma carreira a solo de facto, Jomalu trabalhou com José Mucavele como corista e tamborista tradicional, com quem percorreu longo caminho de investigação rítmica do norte ao sul de Moçambique, bem como fazendo digressões pela Europa. Por isso, com o tempo, revela-se um jovem empenhado na valorização da cultura moçambicana. O artista compõe músicas baseadas em pesquisas rítmicas e melódicas de todo o país. Mucavele foi um dos responsáveis pela sua maturidade musical. Esta patente em “Vida sem orgasmo” (2006) - com o lançamento deste álbum ganhou a oportunidade de representar Moçambique em 2007 no Festival Awesome Africa em Durban - África de Sul - “Cesariana” (2011) e agora “Lambinha”.

Desengane-se quem pensar que o artista estava desaparecido, talvez só das telas. Dai para cá tem participado em vários concertos e bem-sucedido em concursos no país, casos do Ngoma Moçambique, no qual por três anos consecutivos arrecadou prémios nas categorias de Canção Mais Votada, Melhor Canção e Melhor Voz.

Além do Ngoma, aliado ao “Projecto Pac”, Jomalu vence com uma das suas canções o concurso “FUNDAC” na categoria consagração Fanny Mfumo, espevitando ainda mais sua carreira, enchendo-a de muitas oportunidades, de entre outras a participação no Festival Festeixo em Vianna de Castelo, Portugal e ganha também o prémio “Francofonia 99”, que lhe valeu um estágio linguístico em Larochelle-França. Este feito veio galardoar o seu grande empenho pela investigação de ritmos tradicionais, encorajando-o a enriquecer o seu repertório musical.


 

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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