Nobel da Literatura é homenageado
Uma personalidade marcante e uma escrita rebelde que se recusava ao estilo normal fizeram dele uma personalidade única na literatura. É isto que se pode ver até dia 27 de Agosto no Instituto Camões.
É lugar comum considerar José Saramago um dos melhores escritores de língua portuguesa. Aliás, o Nobel de literatura retira todas essas repetições e leva os admiradores da arte de escrever a simplesmente assinarem por baixo. Como outros artistas – de música, cinema e teatro –, conquistou fãs que o admiravam muito mais, para além da escrita em seus livros ou pequenas ideias que expunha no seu blog. Era um homem com sua própria forma de ser. Comunista assumido, mas não hesitou em pedir voto em branco até para os seus camaradas, como forma de demonstrar descontentamento pela política.
Uns chamaram isso de traição e outros chamaram de coerência, tal como o fizeram quando recusou um encontro com Bento XVI, por achar que nenhum dos dois tinha algo para dizer um ao outro.
Sempre do “contra”, até na escrita Saramago conseguia ser diferente e difícil de ser imitado, por utilizar um estilo oral, preferindo frases e períodos compridos, pontuação de uma maneira não convencional.
Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros. Este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto de o leitor chegar a confundir se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento.
Com uma personalidade assim, o Instituto Camões em Maputo não poderia ter escolhido melhor forma de olhar para José Saramago, senão com uma exposição bibliográfica das obras deste escritor considerado “fora do comum”.
A exposição integra, para além das obras publicadas em Portugal, uma grande parte das traduções. Também abre espaço para que os que visitarem a exposição escrevam num livro de honra, em homenagem a José Saramago.
Considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa, foi criticado (pela positiva) por Harold Bloom, que o considerou “um dos últimos titãs de um género literário que se está a desvanecer”.
A exposição está patente até ao próximo dia 27 de Agosto, na biblioteca do Instituto Camões - Centro Cultural Português, em Maputo.




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