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A chama que venceu N’sope

Primeiro festival de salto à corda

Grupo Chama da Unidade venceu o primeiro festival “N’sope é Saúde”, organizado este sábado na cidade de Nampula, pela universidade Lúrio. O evento, que contou com a participação de grupos da periferia, foi marcado pela criatividade e sensualidade feminina.

A elegância domina a mulher macua. É como se repetissem a célebre frase das famosas actrizes de Hollywood, segundo a qual “mesmo que haja terramoto, não saio sem me maquiar!”. No sábado, elas mostraram que a dança de uma mulher de Nampula tem de ser acompanhada de toda a sensualidade feminina, sublinhada pelos trajes de cores muito vivas. Foi esta a imagem que ficou no primeiro festival de N’sope, organizado em Nampula, pela Universidade Lúrio, com apoio de diferentes instituições, entre elas o Grupo Soico.

O sábado passado começou com o sol a queimar a cidade de Nampula. Parecia o prenúncio da vitória do grupo Chama da Unidade, fundado em 1982, com nome de Fura-Rede, que viria a mudar quando Samora Machel fez a sua digressão com a chama da unidade.

A ideia de se organizar um festival de N´sope, segundo o reitor da Universidade Lúrio, Jorge Ferrão, surgiu depois de um encontro que manteve com um antigo impulsionador daquela dança. Ferrão ficou impressionado pela forma rítmica de se executar aquele tufo. N´sope é a variante mais solta, mais criativa que a previsibilidade rítmica do tufo tradicional, onde as mulheres se ajoelham e seguem todas para o mesmo lado, imitando as ondas do mar.

A corda é dominante e as mulheres libertam a sensualidade, as ancas remexem-se com delicadeza, enquanto os homens descarregam o peso das suas mãos sobre instrumentos de precursão.

Diz-se que ela chegou a Nampula com os árabes que instalaram os seus postos comerciais pelo litoral. Um outro ancião acrescentou que as mulheres ficavam a dançar enquanto esperavam pelo regresso dos seus maridos da pesca e, quando conseguissem uma maior produção, elas requebravam-se ainda mais.  Diferente de muitas danças da região sul de Moçambique, que podem ser executadas na alegria e na tristeza, N´sope é dança de alegria e elas (as mulheres) demonstram isso com o sorriso estampado no rosto e corpo que se entrega ao ritmo.

Mesmo com todo esse ritmo e alegria, Jorge Ferrão não compreendia por quê não se dançava nas cidades. O seu companheiro falou de espaço e de condições para que ela fosse executada. O mais fácil era apostar-se no tufo por toda a sua simplicidade. Dai, Ferrão e sua equipa decidiram trabalhar para a organização de um festival que se chamaria “N´sope é Saúde”.

Para o Conselho Municipal de Nampula, aquele festival não queria “apenas valorizar aquela que é uma das danças mais praticadas na província de Nampula, mas também incentivar as populações para a prática dos exercícios físicos”.

A referência a “exercícios físicos”, feita pelo Conselho Municipal de Nampula, deve-se principalmente à sua forma de dançar, marcada por saltos. Melhor, o nome N´sope provém de gafanhoto. Diz-se que as bailarinas dançam como o salto de gafanhoto.

A jornalista italiana Paula Rolleta, que fez parte do júri, ficou fascinada com o festival. “é muito interessante, é como se fosse o salto do gafanhoto. As pessoas trabalharam bem e fizeram excelentes performances”.

A satisfação também se podia ver nos olhos do reitor da UNILÚRIO, Jorge Ferrão.

“Para aquilo que era nossa expectativa, foi um bom momento de convívio. Temos grupos que vivem há 15 ou 20 quilómetros da cidade e que nunca tinham tido uma oportunidade de participar num concurso. O que queríamos e que acho ser importante é continuar a divulgar o N’sope.”

Para Ferrão, depois desta experiência, não há motivos para que N´sope parar. “Vai continuar. Temos de impulsionar muitos concursos desta natureza, mesmo nos locais onde estes grupos residem. Tem que se partir de lá para se garantir a continuidade da dança. Nas cidades, já se dança pouco, mas temos de manter esta forma exuberante de se dançar o tufo. Penso que aquela componente, que era muito africana, corria o risco de desaparecer. O tufo, como tal, tem uma componente árabe muito forte, mas a componente africana estava a desaparecer e estes movimentos podem ajudar a manter.

Quanto aos vencedores, para além de Chama de Unidade, que conquistou o primeiro lugar com direito a 40 mil meticais de prémio, os outros premiados foram Estrela vermelha de Namicopo B, em segundo, com 30 mil meticais; A Luta Continua, em terceiro, com 20 mil meticais.
 


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