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Com boa investigação da PGR não sobra ninguém para contar a história

Corrupção no Moçambola

O treinador da Liga Muçulmana, Artur Semedo, diz que a Procuradoria-Geral da República já devia ter investigado, há muito tempo, casos de corrupção no futebol. Semedo diz ainda que caso as investigações sejam levadas a bom porto, ninguém irá sobrar para contar a história.

Artur Semedo é desde o passado dia o treinador  mais procurado pela Comunicação Social para falar da recente conquista do título nacional de futebol ao serviço da Liga Muçulmana de Maputo.  Sendo um treinador que leva um percurso de uma década na carreira de técnico, este agente desportivo não só falou de si como homem de futebol, mas igualmente deu a sua opinião a diversos temas da actualidade com destaque para o facto de a Liga Nacional de Basquetebol (LNB) ter decidido remeter as denúncias de Arnaldo Salvado ao Gabinete Central de Combate à Corrupção, mas igualmente do  seu estado espírito pelo facto da conquista do Moçambola-2010 não estar homologado. Mas, sobre o tema da actualidade, Semedo admite que em caso da Procuradoria Geral da República fazer uma boa investigação dos agentes desportivos, não vai sobrar ninguém para contar a história.

Há quem diz que o mister, agora, tem um discurso ponderado...

Admito que sim. No princípio tinha um discurso mais incisivo, mais acutilante, mas também para mim o meio era novo. Profundamente não terei mudado de estratégia. Aprendi melhor a perceber os intervenientes neste sistema e isso ajudou-me na alguma ponderação, sem, contudo,  deixar de ter as minhas convicções, porque os pressupostos dos meus trabalhos, os pilares do meu trabalho ainda existem. Bato-me por eles ainda hoje. Repare que continuo a falar da verdade desportiva. Continuo a falar da vontade que tenho para que os treinadores tenham formação e informação nesta área, para que os dirigentes sejam cada vez melhores, para que tenhamos gestores desportivos doutro nível para catapultarmos o nosso futebol para cometimentos maiores, sobretudo ao nível continental.

As revelações recentes sobre alguns agentes desportivos quanto à conquista de títulos acha que alguma coisa vai se esclarecer?

As pessoas têm memória curta  e eu lamento que assim seja. Hoje, foram declarações do meu colega. Estas declarações perderam validade. O tempo de validade expirou, na medida em que eu já fiz essas declarações, quando disse que tinha um discurso acutilante e incisivo, portanto essas declarações foram feitas nessa altura. Repare que até colegas meus acusavam-me  muitas vezes de ter comentários menos abonatórios em relação aos árbitros. Que falava mal dos árbitros para justificar algum insucesso da minha parte.

 

Acha que Salvado, desta vez, fala com alguns detalhes que podem suscitar uma investigação?

Concordo plenamente com isso. Eu só estava a consubstanciar o meu raciocínio e fiz referência a isto, inclusivamente, em Tete.  Numa partida, em 2005, fiz questão de dizer ao Governo que devia tomar uma atitude em relação àquilo que se passava no nosso futebol, devido à insatisfação de tudo aquilo que eram as atrocidades cometidas para com as minhas equipas. Mas agora, já que o meu colega fala novamente deste caso e remete o mesmo à procuradoria, gostaria que isso, na verdade, tomasse o rumo certo.

 

Será que o mister está expectante face a este caso?

Eu gostaria que isso fosse feito, muito mais por aquilo que oiço; por aquilo que observei quer de forma explícita, quer nas entrelinhas. Se a procuradoria entender investigar o futebol moçambicano, não vai sobrar uma pessoa só para contar história. Todos os que se lamentam  pertenceram ao sistema ou ainda pertencem, mas que num determinado momento perderam algum protagonismo ou poder. É sentido-se subjugados pelo sistema que usam a sua própria voz para contrariar o próprio sistema. Isto é um sistema intricado, onde todas as pessoas trocam ideia. Não se sabe onde isto começa ou onde isto acaba. Mas, na verdade, eu gostaria que a procuradoria tomasse conta deste assunto. Garanto  que se assim acontecer, seriamente, e com profundidade, não restará nem um único para contar a história.

 

O mister Semedo acha tem um legado ao nível do futebol moçambicano pelos clubes por onde passou?

Existe um legado, eu quase auto proclamaria-me   revolucionário. Não gosto deste termo, porque remete-me para coisas que não compartilho. Ser revolucionário impõe medidas drásticas, eu não tenho esta cumplicidade com este tipo de raciocínio,  mas, na verdade, não andarei muito longe,  porque há uma nova maneira de estar neste futebol, há uma nova mentalidade, há um novo discurso que hoje é perfilado por mais treinadores e dirigentes. Volta e meia abrem-se jornais e estão lá impressas muitas palavras que muitas vezes utilizo no meu raciocínio desportivo. Repare que a geração de 2000 a esta parte tem muito haver comigo.

 

Quando é que Artur Semedo vai à Liga e quais foram as suas exigências?

Bom, a época do Desportivo ainda decorria e foi-me colocada a possibilidade de abraçar o projecto da Liga, projecto que aceitei em virtude dos objectivos que me tinham sido propostos. Era minha ambição também aceitar um compromisso com um clube com algumas condições, de ponto de vista da realização do meu trabalho, que seriam, na minha perspectiva, as melhores, tendo atenção aos diversos clubes por onde passei.

Não mudo simplesmente pelo facto das ofertas financeiras serem substancias

Portanto, aceitei abraçar este compromisso com a Liga e não tendo ainda na minha perspectiva todos os pressupostos garantidos. No entanto, decidi rubricar um contrato de duas épocas com os pressupostos quase garantidos, que são: bom campo para poder trabalhar em condições plenas; um plantel com alguma qualidade, não sendo ainda o plantel ideal,  porque, na verdade, não encontraria um plantel ideal na Liga. Esta constatação foi sendo feita ao longo do campeonato,  mas tinha o mínimo de qualidade para poder proporcionar um trabalho que me era exigido.

Estas eram as duas premissas importantes, o plantel que me permitia as condições de trabalho; um campo em condições tal como eu gosto e depois o apoio que é sempre necessário e importante para a realização de qualquer actividade. No caso concreto, todos estes factores conjugaram-se e eu acabei por rubricar um contrato de duas épocas que ainda está em vigor.

Podemos entender que não foi um contrato entregue ao mister, mas sim negocial?

Sim, naturalmente, eu sou das pessoas que apesar das ofertas que me possam ser feitas sob ponto de vista de financeiro, não me fazem perder a cabeça até porque tenho referido com insistência para aqueles que pouco me conhecem, que os meus ganhos neste futebol estão de longe e são  inferiores, enquanto profissional praticante.

Por isso, nada faz-me perder a cabeça, não mudo, simplesmente, pelo facto das ofertas financeiras serem substâncias, mas, sobretudo, porque por detrás destas ofertas existem pressupostos que estão de acordo com a ambição desportiva que eu tenho e nesta perspectiva tudo conjugou-se e eu acabei aceitando o convite de bom grado, de corpo e alma...

 

O mister diz que ainda não é pago aquilo que vale como treinador aqui em Moçambique?

Naturalmente, é como acabei de dizer, agora não sou pago ao nível das qualificações que possuo, nem ao nível do background que, na verdade, ostento, mas entendo a nossa realidade e isso por si só tem constituído um factor primordial para eu aceitar, em algumas ocasiões, convites que, de ponto de vista financeiro, não são nada apelativos.

 

Face a isto, podemos augurar que o mister possa transitar para um outro futebol e ser remunerado à dimensão das qualificações que possui?

Como profissional de futebol, ambiciono sempre estar em campeonatos melhores e com interlocutores com mais valia, onde possa ter entre gestores do próprio futebol, praticantes, treinadores. Portanto, todos os  agentes interessantes que fazem com que eu ambicione chegar a patamares mais elevados da minha carreira.mas há uma questão central que sempre motivou o meu regresso  ao país, as saudades do meio onde nasci, cresci e me fiz pessoa. Saudades da família e também por sentir que o país estava a dar os seus passos rumo ao desenvolvimento em todas as áreas de actividade. Isso fez com que eu voltasse ao país.

 

A nível da qualidade dos jogadores, já que ainda tem contrato, vai formar um plantel ideal?

É um bocado difícil ter um plantel ideal, porque o futebol evolui dia após dia. Novas soluções são necessárias para podermos acompanhar o normal desenvolvimento da modalidade e isso é muito difícil de dizer que terei nesta época um plantel ideal. Terei sim, um plantel idealizado para esta época em função daquilo que me é oferecido neste momento. Refiro-me a jogadores disponíveis para poderem ser contratados pela Liga e formar um plantel ideal apenas e só para esta época.

 

Sentiu pressão por parte da direcção da Liga em ganhar o título logo na primeira época?

Nunca senti pressão da parte do presidente para que eu ganhasse o título esta época, muito embora no sub consciente das pessoas estivesse presente este desejo de serem campeões nesta época. Por sinal, concretizamos este desejo da direcção do clube,  sobretudo do presidente do clube, mas nunca senti sinceramente uma pressão, até porque o contrato rubricado de duas épocas pronunciava uma reestruturação da própria Liga para que se consolidasse. Uma Liga cada vez mais forte para poder atingir esses resultados com maior regularidade. Felizmente, por todos esses indicadores que lhe falei; boas condições infra-estruturais; um plantel com qualidade e bom trabalho de apoio da direcção, conseguimos concretizar um sonho que estava na perspectiva de toda gente.

 

Houve pressão por parte da comunicação social?

Houve, e tem havido sempre em todas equipas que são treinadas por mim. Elas sofrem uma pressão particular e especial,  mercê se calhar da minha presença no clube, da minha personalidade e da maneira como encaro a modalidade. Esta pressão sinto-a todos os dias e é exigido a mim e aos meus jogadores uma prestação cada vez maior. Não sei se é porque as pessoas tem percepção do valor que ostento, ou se é por uma questão de questionar alguma qualidade que possuo ou não. Sinceramente não sei, mas que esta pressão existe, existe claramente.

A Liga teve a melhor equipa no campeonato ou alguns sectores?

A melhor equipa no seu todo, a equipa da Liga valeu pelo seu todo, repara que nós tivemos uma equipa, com jogadores que não transitaram duma época para outra, ao contrário do Maxaquene e o Ferroviário de Maputo. Nós tivemos que reformular o plantel e ficámos com jogadores indicados por mim e alguns dos quais anónimos. Portanto, não seria suposto que jogadores com alguma  inexperiência de primeira liga  pudessem constituir a mais valia que constituíram no campeonato, por isso,  digo lhe que a Liga valeu pelo seu todo e valeu exactamente pela equipa que foi capaz de reproduzir em campo.

Algumas vezes o mister disse que não tinha gostado da exibição da equipa, mas tinha alcançado algum objectivo. Será que vamos ter uma equipa a jogar à sua imagem em 2011?

Agora entramos numa fase de nova reformulação do nosso plantel. Como é óbvio, temos tarefas gigantescas e merecemos ter uma equipa do tamanho dessas tarefas. Teremos que ter um plantel cada vez mais competitivo, mais equilibrado mais próximo daquilo que são os meus critérios de recrutamento de jogadores e, portanto, estamos a construir este caminho com objectivo de podermos fazer uma boa prestação, quer no campeonato nacional, quer também em termos das competições da CAF ou seja, estar presente na fase de grupos da liga dos campeões. Este é o meu objectivo pessoal que também é corroborado pela direcção do clube e eu estou satisfeitíssimo por isso. O que significa que seremos dado mais apoio do que aquele que tivemos nesta época para conseguirmos a qualificação para a fase de grupos da liga dos campeões. Mas, o caminho importante é reformular todo o projecto que nós tínhamos,  dotá-lo de melhor qualidade e competitividade para podermos estar nestas duas frentes em condições de exibirmos o nosso melhor nível.

Significa que a liga vai jogar a imagem do mister ou já jogou?

Já jogou. Nesta época tivemos partidas com qualidade excepcional. Tivemos partidas de grande vulto com estes jogadores e tivemos uma equipa a praticar futebol e, sobretudo, contra os principais candidatos ao título.

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Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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