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“Existem alguns dirigentes que escolhem os árbitros”

Abdul Gani, árbitro ora irradiado, atiça a polémica sobre corrupção

Segundo Abdul Gani, o que fragiliza a arbitragem e facilita a corrupção são as condições a que estão sujeitos. “Muitas vezes, o árbitro é obrigado a apanhar boleia das equipas”

Ninguém duvida que há corrupção no futebol nacional, sobretudo no Moçambola. Há muito que se falava desse fenómeno, mas ninguém tinha coragem de apontar casos concretos como indícios evidentes. Agora, o que não se sabe é como essa corrupção é feita ao nível da arbitragem.

Abdul Gani Júnior, árbitro irradiado este ano dos campos, já havia anunciado a existência desses esquemas. Em entrevista ao nosso diário, diz que nunca foi “directamente assediado” para beneficiar algum clube, razão pelo qual não pode explicar com propriedade o seu funcionamento. Mas, por aquilo que sabe, do que vinha acompanhando quando estava no activo, “os contactos são feitos pelos dirigentes para os árbitros”.

“Quando um árbitro recebe a nomeação, liga para um dirigente, para anunciar que já tem o seu jogo e quer conversar (com ele). Marcam o encontro, conversam e encerram lá as coisas. Outras vezes, existem alguns dirigentes que escolhem os árbitros junto da CNAF (Comissão Nacional de Árbitros de Futebol), determinam quem eles querem para apitar o seu jogo e, por sua vez, a CNAF faz nomeações. As coisas são vividas num triunvirato: dirigente, árbitro e CNAF”, conta Gani, desconhecendo, no entanto, a tabela de valores cobrados no negócio.

Ao que apurámos, a tabela depende de jogo para jogo: “Acho que depende. Como disse inicialmente, eu sou uma das pessoas que sempre ficaram ilibadas dessas coisas. Acho que isso depende de jogo para jogo. Falou-se, há pouco tempo, que no (último) jogo entre a Liga Muçulmana e o Maxaquene andava em negociatas, por aí, se a memória não me foge, 75 mil meticais”.

Gani desconhece de quem era o dinheiro disponível para a equipa de arbitragem. Igualmente, não sabe explicar se o referido valor chegou ao destino – os homens do apito. “Não sei quem fez a promessa, só sei que existia esse dinheiro em jogo. Isto acontece frequentemente. São factos que o cidadão comum sabe. Não posso precisar. A informação que recebi é de que existia esse dinheiro na mesa. É claro que o resultado interessava as duas equipas. Não sei dizer para quem, mas se calhar para a Liga, que mais lhe interessava o resultado”.

Afinal, a ocasião cria o ladrão

Concretamente, o que ajuda a que os corruptores ajam com facilidades são as péssimas condições a que os árbitros estão sujeitos, desde as condições de alojamento, alimentação até ao transporte. Por exemplo, “quando vais a Songo, tens de apanhar um carro do HCB, de Tete até Songo, o que não devia acontecer”. A LMF ou a CNAF deviam colocar um carro à disposição de árbitros em todas as províncias, para que se evitasse esse tipo de situação, em que o árbitro do jogo tem de apanhar carro de equipas cujas partidas vai dirigir.

“Muitas vezes, o árbitro é obrigado a apanhar boleia das equipas. Por exemplo, em Lichinga, se o árbitro perde a boleia que tem, da cidade para o aeroporto, perde o voo. Se não tem dinheiro de táxi, o árbitro está sujeito a pedir boleia à equipa que vai apanhar o voo, sob pena de perder o avião e ficar no aeroporto, ao relento”, revela Gani, assegurando que nessas condições “o dirigente desportivo ganha vantagem. Não se criam condições  nenhumas para que o árbitro tenha a sua independência”.

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Adelino Timóteo


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