
Clubes que não disputaram última jornada da divisão de honra serão averbados faltas de comparência
O Secretário-geral da Federação Moçambicana de Futebol, Filipe Johane, confirma que os clubes que não disputaram a última jornada da divisão de honra, zona sul, nomeadamente o Matchedje e o Vulcano, serão averbadas faltas de comparência. Filipe Johane lamenta que situações destas estejam a acontecer no final da prova.
Este é um caso que vem se arrastando há já duas semanas, quando alguns jogadores da Associação Desportiva de Chóckwè, que vivem na cidade de Maputo, não se juntaram a equipa para a deslocação a Vilankulo, onde iriam defrontar o SHM local. A turma de Gaza enviou uma carta, na altura, à Federação Moçambicana de Futebol a explicar o sucedido e o órgão gestor da divisão de honra mandou repetir o jogo, facto que não agradou os dirigentes do Matchedje, que queriam que à turma de Chóckwè fosse averbada uma falta de comparência, que seria a terceira na prova e consequente desqualificação na prova. Isso faria com que os pontos alcançados com esta equipa fossem retirados, no caso concreto, seis pontos ao Incomati de Xinavane e quatro ao próprio Matchedje.
Ora, a diferença pontual entre Matchedje e Incomati, à entrada da última jornada era de apenas três pontos. Com a desqualificação da AD Chóckwè, a diferença pontual passaria de três para dois pontos. A última jornada reservava a deslocação do Matchedje a Moamba, para defrontar o Ntumbuluko e do Incomati de Xinavane a Maputo, onde teria pela frente as Águias Especiais.
Em caso de vitória dos “militares” e derrota dos “açucareiros”, a equipa da capital do país ascendia ao Moçambola Zap.
Como forma de repudiar esta medida da FMF, o Matchedje convocou uma conferência de imprensa para dizer que boicotava a última jornada sem que a FMF justificasse a remarcação do jogo entre AD Chóckwè e SHM de Vilankulo. Alguns clubes assinaram a carta, casos do Desportivo, Estrela Vermelha e Vulcano.
Após a marcação dos jogos da última jornada, o Desportivo e o Estrela Vermelha, ambos de Maputo, deslocaram-se a Gaza, onde realizaram os seus jogos, sendo que o Matchedje e o Vulcano não foram aos jogos que deviam disputar diante do Ntumbuluko e SHM, respectivamente, em protesto contra as decisões da FMF. Aliás, os “militares” ainda inviabilizaram a partida entre as Águias Especiais e o Incomati de Xinavane, não permitindo a realização do jogo no seu terreno.
Reacção da FMF
Em reacção a estas situações havidas final de semana, Filipe Johane, Secretário-geral da FMF, fala em troca de papéis, uma vez que “a FMF é gestora e organizadora deste tipo de competições, que decorrem na base de regulamentos pré-estabelecidos”. E esclarece que a FMF apenas recebeu do Matchedje e outros clubes “uma carta de repúdio e de abaixo-assinado”, mas como “uma carta de repúdio ou um abaixo-assinado não precisa e nem carece de ser respondida”, nada foi feito em prol da mesma.
Filipe Johane diz ainda que caso os clubes tenham problemas, reclamações ou não concordem com certas decisões, o que devem fazer é “cumprir com o que está estipulado no comunicado e só depois podem recorrer às instâncias próprias para reclamar”, nomeadamente o Conselho de Disciplina, o Conselho Jurisdicional e outras instâncias superiores. No caso concreto das equipas que não foram realizar os seus jogos no sábado, numa primeira instância “podemos dizer que é uma falta de comparência porque não foram aos jogos”, disse Johane. “Mas depois, naturalmente, vai se aplicar aquilo que está estipulado nos regulamentos da competição. E haverá uma sanção disciplinar a aplicar a esses clubes” esclarece.
Incomati vai ao Moçambola-2018
Para o caso do Matchedje, que escreveu uma carta a última hora, depois de não ter ido ao jogo, a explicar as razões da sua não ida, Filipe Johane diz tratar-se do mesmo caso e “não faz sentido” não ter realizado o seu jogo. Por isso vai ser averbado, também, uma falta de comparência. “Se tem alguma reclamação, há órgãos próprios para poderem reclamar” apela Filipe Johane.
Em face a esta conjugação de resultados, mesmo não estando ligados directamente ao que aconteceu no sábado passado, “tudo concorre para que o Incomati seja coroado vencedor e ascenda ao Moçambola”, em face da sua posição na tabela classificativa. E tendo em conta que os outros não participaram nas suas partidas.
Quanto a não realização do jogo entre as Águias Especiais e o Incomati de Xinavane, Filipe Johane disse que “o jogo será remarcado, porque foi impedida a sua realização”. Os restantes jogos não.
Esta situação manchou o futebol moçambicano
Para evitar este tipo de situações futuramente, Filipe Johane diz que a Federação Moçambicana de Futebol tem feito o que devia fazer. “Gerimos esta competição e há regulamentos que têm que ser cumpridos” começou por dizer Filipe Johane, para depois deixar um apelo aos clubes: “o que apelamos aos clubes é que cumpram com o que está estipulado nos regulamentos e caso não concordem há mecanismos que os clubes podem usar para contestar ou reclamar”.
O secretário-Geral da FMF diz que “esta não é uma situação não ideial e nem razoável” pois é “incompreensível o que os clubes fizeram ao tentar boicotar a jornada”, mas a FMF está a “cumprir o seu papel e está a realizar as competições que tem que realizar”, para além de que “está a utilizar os instrumentos que tem que usar para validar certos aspectos que tem a ver com as diversas competições”, disse.
Johane lamentou que estas situações estejam a acontecer nesta fase da competição pois “vem manchar aquilo que é esta prova, que deve dignificar as nossas competições para que o vencedor vá ao Moçambola condignamente”.
Para além de que “está a utilizar os instrumentos que tem que usar para validar certos aspectos que tem a ver com as diversas competições”, disse.
Johane lamentou que estas situações estejam a acontecer nesta fase da competição pois “vem manchar aquilo que é esta prova, que deve dignificar as nossas competições para que o vencedor vá ao Moçambola condignamente”.




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