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Formação, o grande desafio

A falta de qualidade da mão-de-obra moçambicana foi ponto dominante nas apresentações dos oradores. Do turismo, passando pela banca, à construção civil ficam registadas também intervenções de quem sabe e lida com os números da economia todos os diaz.

“Os grandes navegadores devem o seu sucesso as tempestades”, atirou o secretário-permanente do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Salimo Valá, apelando aos investidores que não recuem perante as dificuldades do mercado.

Salimo Valá apresentou os incentivos fiscais oferecidos pelas autoridades moçambicanas, destacando o novo Código de Benefícios Fiscais, que suaviza os impostos aos grandes negócios.

No encontro de ontem intervieram vários oradores, que olharam para as características do mercado moçambicano, os seus nós de estrangulamento e lançaram desafios.

O presidente da Intelec Holdings, o empresário Salimo Abdula, defendeu que Moçambique precisa de desenhar e alinhar projectos nas áreas mais promissoras para posteriormente promove-los junto do empresariado nacional e estrangeiro.

O empresário alerta que perdessem várias oportunidades de negócios, porque não são discutidas questões concretas. “Os empresários vêem a Moçambique, pesquisam e voltam. Ficam nos seus gabinetes e as coisas não avançam”, argumentou.

Para Salimo Abdula, a existência de projectos específicos em cada área facilitaria a prospecção de negócios, evitando a burocracia e gerando um efeito significativo nas parcerias entre nacionais e estrangeiros.

Os projectos deste género, na óptica do antigo presidente da Confederação das Associações Económicas – CTA -, poderiam ser vendidos aos investidores.

“A abundância pode não significar nada se não for executada em tempo recorde”, destacou, acrescentando que os projectos podem ser desenhados via parcerias público-privadas.

É de destacar que vários grupos de empresários têm escalado Moçambique à procura de novas oportunidades, mas, muitas vezes, voltam sem respostas na mão.

Salimo Abdula deixou ficar também a sua experiência no mundo de negócios, para o qual se lançou em 1984, gerindo uma pequena empresa de electricidade abandonada pelos gestores principais.

Disse que ser empresário é uma missão, em que os obstáculos fazem parte do caminho. Desafiou os jovens a construírem o seu próprio rumo, com entrega e determinação.

À mão-de-obra moçambicana defendeu que é fácil treina-la, apontando, contudo, que a formação é um dos maiores desafios do país.

Financiamento

Olhando para a restrição do crédito no mercado internacional, o administrador do Banco Português de Investimentos (BPI), Miguel Alves, disse que os mercados financeiros têm liquidez para financiar projectos, desde que devidamente estruturados.

Revelou que várias instituições financeiras internacionais olham para a África como um mercado estratégico, e tem janelas de financiamento para o continente.

A falta de projectos rigorosos, segundo Miguel Alves, têm feito com que poucas propostas sejam elegíveis.

O gestor defendeu ainda que há bancos saudáveis, alguns baseados na África do Sul, capazes de financiar projectos em Moçambique. O BPI é um dos principais accionistas do Banco Comercial de Investimentos, com 30%.

Recursos humanos

O administrador da construtora Mota-Engil, José Zilhão, repisou, por sua vez, que o país tem um importante desafio na área dos recursos humanos, o de formação de quadros e melhoramento da legislação relativamente à retenção dos trabalhadores.

José Zilhão afirmou que os graduados moçambicanos a vários níveis, mas sobretudo no ensino superior, têm uma base teórica dissociada da técnica. Chamou a este problema “malha de facilitismo”, apontando que as instituições de ensino superior não têm formado técnicos de qualidade.

Disse também que no terreno os graduados debatem-se com dificuldades técnicas básicas, o que se deve a falta de preparação durante o processo de formação.

Apresentando a experiência da Mota-Engil no mercado moçambicano, José Zilhão revelou que várias vezes a construtora financia formação aos quadros internamente e fora do país. Porém, os mesmos quadros, a dada altura, abandonam a empresa, abraçando novos projectos.

No entender deste gestor, a legislação moçambicana, a Lei de Trabalho e outros dispositivos avulsos, não protegem as empresas neste tipo de situação, saindo estas em prejuízo.


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"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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