O País Online - A verdade como notícia

Quarta-feira
26 de Julho
Tamanho do texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Início Economia Economia Governo dá impulso ao negócio de gás

Governo dá impulso ao negócio de gás

Executivo manteve diversos encontros com representantes de empresas do sector de hidrocarbonetos

Nos últimos dez dias, registou-se uma dinâmica forte para a concretização dos projectos de gás natural, nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, operadas pela Anadarko e Eni, respectivamente. Se o projecto da Área 4 da Eni está praticamente fechado, com investimentos aprovados, cliente para encontrado e já com data marcada para início da construção das plataformas e da fábrica de processamento, o da Anadarko ainda tem algumas decisões por tomar.

Aliás, no passado dia 9 de Março, o projecto da Eni ganhou mais um importante parceiro, com o anúncio da compra de 25% de acções por parte da gigante norte-americana de gás e petróleo Exxon Mobil, por 2.8 mil milhões de dólares, um negócio que deverá render dinheiro ao Estado moçambicano com impostos das mais-valias, o que ajudará substancialmente a estabilização das finanças pública.

Como sinal de total empenho na dinâmica que se pretende dar à indústria do gás como factor dinamizador da economia nacional, o Presidente da República recebeu o presidente da Comissão Executiva da Exxon Mobil, Darren Woods, dois dias depois do negócio com Eni ser fechado. Do encontro, Woods saiu satisfeito por ter encontrado total abertura por parte do Chefe de Estado para a implementação dos projectos daquela empresa em Moçambique. Como contrapartida, a Exxon Mobil comprometeu-se a ajudar a desenvolver o tecido empresarial moçambicano, o que significa tornar a economia do país mais robusta, para o melhoramento das condições de vida da população em geral.

Uma vez ter o projecto da Área 4 quase totalmente encaminhado, o governo vira, agora, todas as suas forças e capacidades para apoiar a materialização do projecto da Área 1. Com efeito, o Presidente da República empreendeu uma visita oficial ao Japão, com o objectivo bem definido: usar as boas relações entre os dois países, que duram há 40 anos, para convencer o Japão a ser o principal comprador do gás natural a ser produzido na Área 1 da bacia do Rovuma, que tem como principal operador a Anadarko.

Para o efeito, Filipe Nyusi visitou a Tokyo Gas, uma das empresas que mais compram gás a nível mundial - actualmente, consome 14 milhões de toneladas de gás natural importado de seis países diferentes -, a qual se mostrou interessada em comprar gás moçambicano.

Segundo a ministra dos Recursos Minerais e Energia, as negociações havidas de facto mostram que a Tokyo Gas pode vir a ser o principal cliente da Anadarko. Mas os resultados das negociações, segundo Letícia Klemens, deverão ser conhecidos até ao final do presente mês.

Mas lembre-se que foi pelo interesse do gás natural moçambicano que, em 2014, Shinzo Abe efectuou uma visita a Moçambique, a primeira de um chefe de governo japonês. Logo a seguir, a empresa japonesa de petróleo e gás Mitsui comprou 20% de acções da Anadarko. Assim, com interesses japoneses na Área 1, tudo leva a crer que Japão poderá de facto ser o próximo destino do gás natural extraído na bacia de Rovuma.

E a semana de impulso ao negócio de gás natural encerrou com uma notícia sossegadora. O Japão disponibilizou-se a doar combustível para aliviar a pressão que a importação dos derivados de petróleo exercem sobre a balança de pagamentos. Uma vez que o governo já não tem acesso ao apoio ao Orçamento do Estado e a actividade económica abrandou significativamente nos últimos dois anos, afectando a recolha de receitas, havia o risco de nos próximos dias Moçambique enfrentar uma crise de combustível.

O Japão mostrou, ainda, estar em linha com o governo de Moçambique, ao anunciar a disponibilização de mil bolsas de estudo para jovens moçambicanos, o que, certamente, vai ajudar o governo a alcançar um dos seus principais objectivos ao longo dos seus cinco anos de governação, nomeadamente o desenvolvimento do capital humano. Agricultura, energia, engenharias e tecnologias de informação e comunicação poderão ser as maiores preferências dos formandos.

Outra grande conquista de Filipe Nyusi no Japão é a possibilidade daquele país apoiar Moçambique na instalação de um sistema de transportes públicos urbanos. Nesta fase, vai financiar o estudo de viabilidade e, mais tarde, poderá disponibilizar 544,6 milhões de dólares para a instalação do Automated Guideway Transit (AGT) na rota Baixa-Zimpeto, ao longo da EN1, com um ramal para o Aeroporto Internacional de Maputo. Este sistema deverá ser complementado pelo BRT e Metro de Superfície, que deverão estar instalados na região do Grande Maputo até 2023.


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


publicidade

Edição Impressa e O Tempo

 Edição  O Tempo

 Edição Impressa -26-07-2017

Impressa

 

Maputo

 

Inhambane

 Beira
 

Nampula

 
 

Edição Impressa401