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17 de Outubro
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Gestores de parques de venda de viaturas agastados com novas medidas

Vendedores de viaturas usadas acreditam que aumento de taxas de importação de viaturas usadas irá causar insustentabilidade da actividade

Depois do Governo ter anunciado a intenção de desincentivar a importação de viaturas usadas com mais de sete anos, através do incremento de impostos e por conseguinte estimular a entrada de viaturas novas com da redução de taxas, o “O País” visitou, alguns parques de venda de carros usados. Os responsáveis são unânimes em afirmar que a medida irá prejudicar o seu negócio que já está prejudicado devido a crise económica. “No ano passado conseguia vender 20 carros por mês, quando o dólar subiu passei a vender apenas 10 por mês. Com o agravamento dos impostos de importação de viaturas usadas, os nossos clientes – que já reclamam dos preços actuais – não terão capacidade de comprar as viaturas porque seremos também obrigados a aumentar os preços de venda das viaturas. Nesta situação, o nosso negócio será insustentável e seremos obrigados a fechar as portas e deixar muitas famílias sem sustento devido aos despedimentos que seremos obrigados a fazer”, disse Abu Bahi, gestor de uma garagem de venda de carros.

Noutra garagem, os responsáveis disseram, por exemplo, que para viaturas pesadas, os clientes preferem as antigas devido a facilidade de arranjar acessórios. “Antes de entrar em vigor esta nova medida já estamos com problemas de falta de clientela devido a oscilação do dólar. Sempre quando veem ao nosso parque, os clientes reclamam dos preços, mas nada podemos fazer porque este é um negócio e precisamos de garantir que todos saiamos satisfeitos. O que achamos é que esta situação será prejudicial ao nosso negócio. Por exemplo, para os camiões, os clientes preferem os mais antigos devido a facilidade de ter acessórios e assistência técnica. Os camiões recentes têm bomba electrónica, o que dificulta a vida dos proprietários, uma vez que os nossos mecânicos não estão habilitados para mexer ou reparar essas viaturas. Isso quer dizer que essas viaturas novas não têm clientela porque além de serem mais caras para o cidadão, elas requerem que os proprietários, em caso de avarias, recorram a agentes que cobram muito mais de um mecânico ou qualquer sítio de reparação de veículos”, explicou Felisberto Manjate.

Na nossa ronda, encontramos Leonardo Jorge à procura de uma viatura para si. Ele disse estar contra a medida, uma vez que não corresponde ao contexto que se vive no país e acusou os decisores de falta de sensibilidade. “Muitas das vezes quem faz os decretos e ou leis são pessoas que não têm a mesma sensibilidade que nós, pacatos cidadãos. Quando nos dirigimos a um parque de venda de viaturas, preocupamo-nos com o preço, mas eles provavelmente recorrem a facilidades nos créditos de que tem acesso. Nós ficamos a poupar durante anos para comprar uma viatura que hoje em dia já não é luxo, mas uma grande necessidade, num contexto em que o transporte público é deficitário”, criticou para depois avançar que o Governo deve discutir sobre a relevância da medida e até que ponto é relevante para o país. “Tinha que se fazer uma auscultação pública para se perceber a pertinência desta decisão. E se perceber se o país está preparado para os cenários que poderão advir com a implementação dessa medida. Estamos a falar de um ambiente de crise e está difícil comprar carros. Eu sou exemplo disso, estou já há algum tempo à procura de uma viatura, mas os preços não ajudam”, terminou. Recorde-se que esta proposta do Governo deverá ser enviada ao parlamento para aprovação.

 

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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