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19 de Outubro
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“Moçambique e credores devem encontrar solução definitiva em relação à dívida”

Luísa Diogo defende que Governo deve definir mecanismos urgentes de renegociação de dívidas A antiga primeira-ministra Luísa Diogo expressou a sua visão sobre como deve ser tratada a questão da dívida pública moçambicana, que nos últimos anos atingiu níveis de históricos de insustentabilidade. Falando durante a conferência, que ontem discutiu como fazer negócios em tempos de recessão, realizada em Maputo, Luísa Diogo, começou por explicar que tem a convicção também como antiga ministra do Plano e Finanças, de que os ministros das Finanças nunca devem dizer que não vão pagar a dívida, porque só por não concordarem com ela. Mas devem dizer, simplesmente, “não consigo pagar”. “E o ministro das Finanças de Moçambique (Adriano Maleiane) já disse que não consegue pagar. E depois de dizer que não consegue pagar a reacção aparece do outro lado e, quando isto acontece, o país tem de ter uma estratégia de abordagem”, defendeu, acrescentando que, pessoalmente, acredita que o Governo deve ter uma estratégia de abordagem. Avisa, entretanto que “se não a tem (uma estratégia) é bom que o faça o mais rápido possível, já que, se não consegue pagar, tem que dizer como é que fica o assunto, porque as causas do endividamento são um dossier e os livros contabilísticos são outro dossier. Então, em relação aos livros contabilísticos, ao dizer que “não consegue pagar”, tem de sentar com os credores e ver em que circunstâncias o assunto fica”, explicou.

Defende ainda que, quando as causas desse endividamento ditem que não se deve pagar, então não se paga. Mas, se o dossier paralelo não ditar isso, há que buscar formas de aliviar a situação, e aqui é preciso agrupar as dívidas porque os credores não são iguais, há os clássicos tradicionais para os quais é preciso tomar uma cautela especial e há credores pontuais que surgiram no caminho que também merecem um tratamento pontual.

É convicção da antiga governante que o dossier sobre as causas que levaram à contracção das dívidas está a seguir o seu curso normal, mas é necessário que a dada altura, o país, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e todos os vigilantes e fiscais da macroeconómica no mundo se sentem e encontrem um posicionamento definitivo em relação a dívida moçambicana, para que o país possa começar uma nova caminhada com fardo, que este é inevitável, mas é necessário que se distribua ao longo do tempo com os recursos que o país vai adquirindo para poder fazer o seu pagamento com toda a dignidade como os moçambicanos sempre quiseram e sempre tiveram.

Para Diogo, a negociação das dívidas faz-se “como nas famílias, quando se deve alguém é preciso arranjar um padrinho que vai falar, porque a própria pessoa que está a dever, se se entregar, até pode ser engolida. Por exemplo, quando fui a Paris (negociar a dívida) tinha um secretário do Clube de Paris que levava os meus recados lá para dentro da sala e trazia os recados de volta.

 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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