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28 de Julho
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Entrevistas

 “Juventude e desportos estão num bom caminho”

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Ponte entre Maputo e Catembe está para breve

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Há espaço para terceiro operador de telefonia móvel no país

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Alternativa à linha de Sena é o Corredor de Nacala

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PIC não está preparada para o combate ao crime

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Imposições de doadores são cada vez menos chocantes

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Pobreza será reduzida para 45%

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O ministro da Planificação e Desenvolvimento diz, em entrevista, que a concretização dos projectos de refinaria de Nacala e de areias pesadas de Chibuto está a tardar devido à crise financeira   O Ministério da Plani­ficação e Desenvolvi­mento é um órgão cen­tral do aparelho do Estado, que dirige e coordena o processo de planificação e orienta acções para o desenvolvimento socioe­conómico integrado e equilibra­do do país. Estamos em 2009, ano do término da fase de im­plementação do PARPA II. De um modo geral, quais foram as grandes realizações alcançadas com a implementação do PAR­PA II? De uma maneira geral, a opera­cionalização do Programa Quin­quenal do Governo 2005/2009 vai terminar este ano e tínha­mos, como grande objectivo, a redução da pobreza de 54%, em 2003, para 45%, em 2009. Neste momento está-se a fazer um le­vantamento para se aferir o ní­vel em que estamos e, com base numa análise empírica, acredita­mos que conseguimos reduzir o nível de pobreza. Mas há instru­mentos, por exemplo, inquéritos às famílias feitos pelo Instituto Nacional de Estatística, que de­vem ser usados para se saber até que ponto conseguimos reduzir a pobreza. eesse trabalho está a decorrer. Fizemos a operaciona­lização do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), que consiste numa auto-ava­liação a níveis do Governo, das empresas e da sociedade. Temos a reabilitação da linha de Sena, que é um outro sector extrema­mente importante para a nossa economia. Temos a construção da ponte sobre o rio Zambeze. Estas são algumas das grandes realizações que estavam pre­vistas no plano quinquenal do Governo e plasmadas no PARPA II e que foram concretizadas ao longo desse período. Refere-se que mais de meta­de da população moçambicana (54%) vive abaixo da linha da pobreza. Será que com o fim do PARPAII, cujas projecções apontavam para a redução da pobreza para 45%, pode dizer-se que já é mais de metade da população que não vive abaixo da linha de pobreza? Cremos que sim. Porque, pri­meiro, temos de ter em conta que estamos a sair de uma si­tuação bastante difícil. A nos­sa população apresentava uma taxa de 54% em termos de pre­valência de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza. De 2003 a 2009, queríamos reduzir para 45%. É um grande desa­fio para todos nós. É claro que o tempo não é suficiente, mas cremos que, em função daquilo que é a dinâmica da economia, estamos a crescer entre 7 e 8% anualmente. Acreditamos que esses 45% são posssíveis de ser alcançados. Os dados que indicam que houve redução de 15% da po­breza foram obtidos em 2002/3 e foi quase nesse período que iniciou a implementação do PARPAI (aprovado em Abril de 2001 com efeito no orçamento de 2002). não acha que é tecni­camente insustentável associar a redução de 15% ao PARPA I? Como é que se explica que essa redução se tenha devido à im­plementação do PARPA I? Temos a esclarecer que, na avaliação que fizemos em 2004, não recorremos às técnicas que estamos a usar agora. refiro-me às técnicas do INE, recomenda­das a nível internacional e que consistem em inquéritos às fa­mílias sobre a pobreza, os rendi­mentos, (...). O que fizemos foi aferir o nível em que estávamos em função do nosso nível alcan­çado em 2003. No ano em que acabávamos de sair da guerra e, de acordo com as informações disponíveis, achamos que era possível alcançar os 45%. Temos mapeado os distritos e postos ad­ministrativos do país, para saber o nível de pobreza existente nes­ses locais, e apura-se que os ín­dices de prevalência de pobreza são gritantes. Como é que o discurso do Go­verno, quando fala da redução da pobreza absoluta, principal­mente da questão do PARPA I, sempre refere que a redução de 69% para 54% é resultado do PARPA I? É resultado do PARPA I por­que tínhamos, em 1992, indica­dores correspondentes a 69%. Até 2003, conseguimos sair de 69% para 54%. E, agora, de 2003 para 2009, estamos a sair de 54% para 45%, precisamente devido ao trabalho que foi feito e aos investimentos aplicados na área social e rural. É por aí que o nosso programa prevê que, em 2009, iremos atingir os 45%. O que virá a seguir ao PARPA II? Será o PARPA III ou existe uma outra perspectiva em ter­mos de planificação? O PARPA III é um nome que vai operacionalizar o programa quin­quenal do Governo 2010-2014. Uma das grandes preocupa­ções no combate à pobreza em Moçambique está relacionada com o facto da pobreza rural es­tar a reduzir e a pobreza urbana estar a crescer. Que medidas es­tão a ser implementadas para a inversão desse cenário? A pobreza urbana é combatida criando condições a nível rural. Aquilo que está a ser feito hoje visa combater a pobreza rural para que todos não saiam do campo para a cidade só porque gostam da cidade. Devem sair do campo porque vão à procura de melhores condições. E, se essas condições forem criadas a nível local, as populações vão perma­necer nos seus locais de origem. O Governo está a atacar estas in­suficiências, criando condições para que o fluxo campo-cidade se reduza, mas ainda ocorre esse fluxo porque os nossos recursos são escassos, apesar do trabalho que está a ser feito, no sentido de se criar condições a nível rural. Só para citar um exemplo, temos o caso da alocação dos “7 mi­lhões” que visa, essencialmente, incentivar os empreendedores existentes a nível do campo. O Instituto de Desenvolvi­mento Cruzeiro fez um estudo na zona norte do país (Niassa, Cabo Delgado e Nampula) e chegou à conclusão de que es­sas foram as províncias que, nos últimos anos, mais benefícios ti­veram em termos de infra-estru­turas, como estradas, escolas e postos de saúde. Mas as mesmas não são as mais ricas. Como ex­plica este facto? Constatou-se que a estraté­gia de desenvolvimento com base nas infra-estruturas não é suficiente para o combate à po­breza. O Governo está a fazer a parte que lhe cabe, mas como não pode trabalhar sozinho para o desenvolvimento do país, existem os seus parceiros que são o sector privado. Portanto, criámos as condições básicas como, por exemplo, as infra-estruturas, para atrair o sector privado embora, muitas vezes, o mesmo não esteja nas mesmas proporções que o Governo. Nós criámos a zona franca de Belu­luane, que tem boas condições infra-estruturais, mas muitas empresas que operam lá são estrangeiras. Infelizmente, o nosso sector privado está descapitalizado.   Mercados agrícolas Ainda neste quinquénio, foi lançado o Programa de Apoio aos Mercados Agrí­colas (PAMA) e assinado o financiamento do Programa de Promoção de Mercados Rurais (PROMER), a serem implementados no Corredor de Nacala, cobrindo cerca de 15 distritos, com vista a reforçar as redes comerciais nas zonas rurais no país. Quais têm sido os resultados da implementação destes programas? Esses são programas em que trabalhamos com o Fun­do Internacional de Desen­volvimento Agrícola e que vieram substituir um outro programa, que vínhamos apoiando até ao ano passa­do e que permitiu a abertu­ra de algumas estradas em alguns distritos, principal­mente, aquelas estradas que ligam as áreas de produção e consumo. Foi através des­se programa que ajudámos o município de Maputo a construir o mercado gros­sista do Zimpeto e, nessa segunda versão, são cerca de 40 milhões de dólares. afilosofia continua a mesma de permitir que o que for produzido a nível do distrito tenha o mercado necessário. Portanto, que seja possível escoar através da organiza­ção de feiras, abertura de estradas terciárias, sensibi­lização dos camponeses em relação às novas técnicas de produção. Em suma, são complementos do programa dos “7 milhões”.   Investidores redesenham engenharias de financiamento em face da crise De 2006 a 2007, no âmbito de tornar o distrito como pólo de desenvolvimento, houve várias transformações. Temos, por exemplo, a questão dos con­selhos consultivos. Houve um programa nacional de educa­ção cívica para consciencializar os residentes nos distritos em relação a estas novas dinâmi­cas que estão a ser implemen­tadas? Há um trabalho que está a ser feito à medida que a descentra­lização está a ser implementada no terreno, que é resultado de um movimento a nível das pró­prias comunidades. Esse mo­vimento é feito com o envolvi­mento de pessoas reconhecidas a nível do bairro pelo seu poder económico ou pela sua influên­cia social. Trata-se de pessoas que são escolhidas num uni­verso de 40 a 50 pessoas depen­dendo do distrito. E, conforme está previsto, o administrador tem que consultar essas pessoas criando uma inter-relação entre os programas. “Sete milhões” A aplicação do Fundo de In­vestimento de Iniciativa Local (FIIL) continua a alimentar acesos debates. Num encon­tro que decorreu este ano, em Nampula, revelou-se que fo­ram investidos cerca de 200 mi­lhões de dólares neste fundo, mas sabe-se que o nível de re­embolso não é satisfatório. Em 2008, falava-se de 5 a 20%. O que é que está a ser feito para se alterar este cenário? Estamos a trabalhar a níveis central e distrital. Em 2006, quando se alocou o Orçamento de Investimento de Iniciativa Local (OIIL), que são os 7 mi­lhões, questionaram-nos sobre a uniformidade do valor para distritos diferentes. Tínhamos de encontrar indicadores que diferenciassem os distritos e a nossa tarefa era operacionali­zar o princípio político de dis­trito pólo de desenvolvimento. Em 2008, já tínhamos escritó­rios para facilitar a alocação dos valores e já havia clareza sobre a importância do plano. Alguns abriram estradas, ou­tros construíram residências para funcionários, mas, em 2007, a prioridade foi a produ­ção de comida e a criação de emprego. Nos relatórios do impacto do OIIL, fala-se de milhares de empregos que foram criados. O que isso significa? Será que estamos a falar de criação de novos postos de emprego ou foram potenciados os mesmos postos de emprego? Isto tem a ver com cerca de 110 mil postos de emprego que foram criados até ao ano passa­do, o que significa que há novos empregos. Aqueles que recebe­ram o montante estão empre­gados e já empregaram outras pessoas. Todos esses são novos empregos criados. Alguns bancários já apare­cem publicamente a dizer que seria mais viável se esses re­cursos fossem confiados a ins­tituições financeiras, para que concedessem créditos às activi­dades a serem realizadas nes­tes distritos. Qual é a posição do Governo em relação a este assunto? Sempre tivemos instituições financeiras no nosso país. Dos 128 distritos, cerca de 45 é que têm bancos. O Governo tem duas linhas: uma linha de apoio às finanças rurais e a linha dos sete milhões. Pode não ser viá­vel entregar esse dinheiro aos bancos porque, primeiro, eles não cobrem todos os distritos; segundo, precisam de alguma garantia para ceder dinheiro por empréstimo. Acrise financeira internacio­nal está a inviabilizar uma série de projectos, que contribuiríam para o aumento da riqueza e de emprego no país. Além disso, há previsões segundo as quais o continente africano será o mais afectado pelo fenómeno. Projectos como a construção de refinarias de petróleo em Maputo e em Nampula estão paralisados devido à crise. Por outro lado, há indicações de que o tráfego de passageiros, sobretudo de turistas, reduziu 25% nos aeroportos nacionais Até que ponto esta crise está a afectar o país e as contas do Estado? Quais são os sectores mais vulneráveis? A crise tem três portas de en­trada para o nosso país: a pri­meira porta é através do nosso orçamento, que vive à custa dos nossos parceiros internacionais. Felizmente, até agora não há si­nais de alarmes. Os compromis­sos feitos para 2009 mantêm-se e, relativamente ao ano 2010, os nossos parceiros pronunciar-se-ão dentro de duas semanas. A segunda porta é relativa a pro­gramas sectoriais do Governo nas áreas da educação, saúde e, felizmente, também a este nível os compromissos mantêm-se. A terceira entrada está relacio­nada com os investimentos ex­ternos, nos quais temos alguns sinais que precisam de muita atenção. Trata-se de sinais re­lativos a alguns projectos, cujos proponentes estão a fazer a veri­ficação da monitorização finan­ceira para a sua aplicação, (...). Mas essas são cautelas que os in­vestidores estão a tomar, redese­nhando a engenharia financeira dos projectos. Um dos projectos é o da refinaria de Nacala, que ainda não avançou, e temos o das areias pesadas de Chibuto. Nestes dois projectos teremos de esperar mais um pouco. A Autoridade Tributária dis­se, recentemente, que poderá haver uma queda de 100 milhões de dólares nas receitas devido à crise financeira internacional. Quanto é que o país está a per­der, ou já perdeu, devido à crise financeira internacional? Pode exemplificar-se com o caso da Mozal, que é um grande exportador. Só por se ter bai­xado o preço do alumínio no mercado internacional, as recei­tas do Estado também saem a perder. Mas a situação está a ser normalizada e a nossa balança de pagamento irá melhorar. Como é que estão a decorrer os desembolsos ao Orçamento do Estado e aos projectos secto­riais, tendo em conta a presen­te crise? O desembolso está a decorrer normalmente. Os projectos que foram planificados, tanto os que dependem do financiamento do Estado como os que dependem dos parceiros de cooperação, estão a ser financiados normal­mente. Há dados segundo os quais, na província de Nampula, as populações deixaram de con­sumir outros tipos de alimen­tos e recorrem à mandioca como estratégia de poupança. Neste caso, está-se a criar um outro problema que é a subnu­trição. Como é que analisa esta situação? Nas nossas comunidades, ain­da que as pessoas se alimentem quase sempre de mandioca, há muita diversidade de alimen­tos disponíveis. Às vezes, é uma questão de hábito, porque há zonas em que não se come alfa­ce, não se come cacana, que são alimentos bastante nutritivos. E a questão que existe é a da ne­cessidade de uma educação nu­tricional.   Microfinanças Segundo o Balanço do PES de 2008, no mesmo ano, exis­tiam cerca de 32 instituições microfinanceiras formais nas zonas rurais, 15 institui­ções informais e cerca de 3.008 grupos de poupança e crédito, baseados na comu­nidade (ASCAS), de modo a que todo o sistema de micro­finanças beneficie cerca de 243.293 clientes... Queremos expandir mais. Aliás, em 2007, conseguimos atingir 100 clientes de mi­crofinanças. Temos um pro­grama de apoio às finanças rurais e está adstrito ao fundo de rentabilização económica, FARO, que é tutelado pelo ministério da Planificação e Desenvolvimento. O nosso objectivo é estimular aquelas agências que querem operar a nível local. E, o tipo de es­tímulo que damos é o finan­ciamento a essas instituições microfinanceiras. Não damos financiamento a retalho. O que fazemos é financiar as instituições microfinanceiras, e essas, por sua vez, vão finan­ciar as populações. Até 2008, tínhamos 250.000 clientes. Está em curso a revisão do documento final da Estraté­gia de Finanças Rurais em Moçambique (EFR), para a sua aprovação em 2009. Que medidas inovadoras este do­cumento poderá oferecer para a aceleração da expan­são dos serviços financeiros para as zonas rurais? A nossa preocupação é ex­pandir para mais beneficiá­rios. A inovação é torná-las mais flexíveis no sentido da sua extensão territorial e das exigências que são necessá­rias, e naqueles elementos que o Governo pode partici­par através dos subsídios nas taxas de juro, porque, muitas vezes, essas instituições pra­ticam taxas de juro bastante elevadas, incomparáveis com a dos bancos comerciais. en­tão, negociámos no sentido de se superar essas limitações.

Não haverá muito camarão como há agora

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O ministro das Pescas reconhece a incapacidade do Estado na fiscalização

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“Energia de Moatize estará disponível em 2014”

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“Inicialmente, assinámos um acordo de princípio com um investidor americano,

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“Machel assumiu um cariz autoritário”

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Uma das medidas mais mar­cantes na governação de Samora Machel foi, sem dúvida, a “ope­ração produção”, cujo objectivo oficial era de levar pessoas tidas como desempregadas e delin­quentes pelos líderes da revolu­ção para centros de reeducação localizados nas províncias de Niassa e Cabo Delgado, mas que acabou sendo uma tragédia. Quase 30 anos depois, qual é a análise que faz desta acção... Eu acho que foi um grande erro. A “operação produção” foi um exemplo de procurar resol­ver um problema através de uma forma errada de materializar esse objectivo. Era uma opera­ção extremamente delicada que teria exigido grande preparação. Foi um grande erro. Na ocasião era ministro. Teve oportunidade para expôr a sua ideia sobre a mesma? Sob essa questão não. Tive oportunidade de expôr as minhas opiniões sobre outras questões. Havia o centralismo democrático e nós tínhamos direito a emitir as nossas opiniões no partido. Se eu discuti alguma questão foi no partido do que no governo. O primeiro embaixador sovi­ético em Moçambique, Piotr Ev­siukov, publicou um livro sobre a sua experiência em Moçambi­que no qual acusa Samora de se ter comportado como Staline em relação à população branca portuguesa: Não concordo com a visão dele. Conheço bem esse embai­xador. Aliás, contei uma história dele num prefácio de um livro que escrevi sobre a biografia de Samora. Devo dizer que Samora tratava-o com bastante respidez por causa do seu comportamen­to discutível. As declarações dele mostram de facto que era um idiota. O problema era em torno do tratamento a dar à situação rodesiana ou sul-africana. E nós tratamos de resolver esse proble­ma no primeiro momento, onde deixamos claro quem estava no poder. Logicamente, os brancos que estavam no poder não gosta­ram de ser desalojados. Mas, a história reza que a Fre­limo tratou muito mal os bran­cos que estavam em Moçambi­que nos primeiros anos após a independência.... Não é verdade. Os portugueses abandonaram o país porque não aguentaram com a nova realidade. E a famosa medida 20/24 que consistia em expulsar brancos num espaço de 24 horas com apenas 20 kg de bagagem? Foram casos pontuais. Quan­tas pessoas foram expulsas....? 100, 200, 1000? não foram ex­pulsas. A grande maioria fugiu porque não aceitou o novo go­verno liderado pela Frelimo. Acha que a história um dia vai absolver Samora Machel e a Fre­limo pelos erros do passado? Samora e a Frelimo comete­ram erros. Isso é indiscutível. Mas os erros foram também cometidos depois de Samora. Qualquer governo comete er­ros. Se há um grande sucesso na vida de Samora foi a derrota do colonialismo e a instalação da independência. Por isso, Sa­mora e a Frelimo não têm por que serem absolvidos. Quem deve ser absolvido pela história são os portugueses que a devem compreender realmente. Depois da morte de Samora, o Dr. abandonou a política acti­va. Porquê? Samora morreu em 1986 e eu abandonei a política cinco anos mais tarde, portanto, quando fiz 50 anos. Achei que tinha de­sempenhado as funções que de­sempenhei no país, no partido e no governo, por uma questão conjuntural, pois vínhamos de uma situação de grandes desi­quilíbrios na altura da indepen­dência e havia necessidade de pessoas como eu ocuparem essas funções. Quando chegamos em 1991, vi que o país já tinha mui­tos quadros com experiência e, portanto, achei que ficar no po­der era ocupar um lugar por ve­terania, já não me competia. Há quem diga que o Dr. Ca­baço, juntamente com a equipa base do governo da Frelimo, constituida por brancos, cane­cos e mulatos (...) abandonou a política activa por não concor­dar com o novo modelo de go­vernação que estava a nascer, ou seja, não quis trair a consci­ência. é verdade? É mentira. Primeiro dentro da Frelimo não havia grupo Caba­ço. O meu grupo era do secreta­riado do Comité Central e fui o único que sai na altura. Foi uma decisão absolutamente pessoal e tomada de acordo com a mi­nha consciência. O dr. Rebelo e outros continuam no Comité Central e isso é fazer política activa. Continuo membro da Frelimo e não tenho problemas com ninguém. Nunca fui margi­nalizado dentro da Frelimo por ser branco.

“Não podemos continuar calados”

“Não podemos continuar calados”

"Nunca tive paz desde o momento que decidi enveredar por esta linha" Sobre a primeira música “Mentiras da Verdade”, foi um despertar da sociedade. Surpreendeu muita gente pelo conteúdo. Ninguémconhecia o Azagaia. Porquê “Mentiras da Verdade”? Bem, “Mentiras da Verdade” surge numa altura em que eu começo a questionar muitas coisas que eram dadas como verdadeiras, mas que, ao mesmo tempo, existiam correntes segundo as quais aquela ditas verdades eram mentiras. Existe muita contradição e manipulação a nível dos órgãos de informação. Por exemplo, nós temos o jornal mais antigo, que é o jornal Notícias, cujo carácter, em termos de informação, é sempre politicamente correcto. Depois, começam a existir jornais que abordam a outra face dos mesmos factos. E aí surge uma confusão e questiona-se: afinal, qual é a verdade? É esta questão que nos leva à procura da verdade, que nos fará perceber algumas mentiras naquelas verdades que nos são ditas. Daí, o surgimento dessa expressão “As Mentiras da Verdade”. É uma viagem de descoberta... Exacto. Nós temos que viajar e questionar. A viagem começa com a morte do presidente Samora Machel. Ensinaram-me que morreu num acidente, mas que hoje se questiona. Existe  um processo-crime para se averiguar se realmente se tratou de  um acidente ou assassinato. Se formos a viajar pela história, poderemos encontrar várias coisas parecidas com estas. Encontraremos os casos da morte de Mondlane, do jornalista Carlos Cardoso, de Siba-Siba Macuácua, cujas verdades as pessoas querem saber. Se se não souber a verdade sobre estes casos, continuaremos intimidados. Nós queremos saber quem está por detrás disso, de modo a que não possamos continuar reféns de uma minoria. O que percebo é que estão a esconder os factos, a negar a história ao seu povo para continuarem no poder. Acredita que há uma manipulação da nossa história? Acredito. O que o faz crer nisso? Há várias fontes que se contradizem. Existe aquela história que não sei se se pode considerar institucionalizada, visto ser a que se aprende na escola e que diz as coisas de uma determinada maneira. Quando saímos um pouco, encontramos outros autores que defendem outras coisas. Eu falava de mortes, por exemplo, em torno da morte de Eduardo Mondlane, existe agora uma polémica. Afinal, Eduardo Mondlane morreu no seu escritório ou não? E se foi morto pela PIDE, houve ou não conivência de gente do partido? Qualquer um que faz investigação à volta da história de Moçambique encontra estas dúvidas. Onde há fumo há fogo. Alguma coisa não está bem explicada aqui e eu acho que é altura de se revelar isso às pessoas. Há quem defenda que talvez quando certas pessoas deixarem o mundo dos vivos é que iremos a saber. Se calhar seja a resposta mais sensata, mas nós como povo moçambicano temos direito de conhecer a nossa história, como ela é de verdade, com os seus podres ou não. Já percebi que se inspira no nosso processo histórico, na nossa realidade do dia-a-dia, para escrever as suas letras. Como é que depois selecciona  os temas das suas letras? Escreve sozinho? Conta com ajuda de alguém? Escrever sozinho acho um pouco difícil. Tenho vários amigos com quem converso, dos quais, alguns me ajudam. sempre que tenho uma ideia consulto determinadas pessoas de modo a que me dêem certos contributos. A partir daí, tomo a decisão. Porque são temas bastante sensíveis, eu não posso ser completamente egoísta na produção. Acha que as pessoas têm medo da mudança? Acho, sim. Sinceramente, julgo que nós fomos ensinados a ter medo da mudança. Existe esta coisa toda de estarmos reféns ao mesmo partido durante mais de trinta anos, o que nos faz ficar tão habituados a esta realidade que não conseguimos espreitar e pensar como seria se não fosse assim. É um efeito manipulador que existe. Por exemplo, o que se diz é se a Frelimo deixar de governar, a primeira coisa que o próximo partido vai fazer é roubar(...). Não quero dizer que sou contra a Frelimo ou coisa parecida. Eu acho que se estamos a falar de democracia tem de  a ver rotação de poder. Um poder absoluto para um grupo de pessoas vai corrompê-las e nós é que vamos continuar reféns. Diz, numa das suas músicas, que não tem medo de ser calado. Não tem costas quentes e nunca foi alvo de ameaças relacionadas com as suas músicas? De uma forma geral, não. Simplesmente uma vez fui alvo daquilo que eu considero uma intimidação indirecta. Foi a primeira vez que senti que estava a começar uma coisa mais séria para me tentar calar. Considero aquilo um processo de intimidação. Foi a única vez que senti que estavam a tentar calar-me. Foi ouvido pela Procuradoria. De que o acusavam? Bem, fui acusado de tentativa de...já não me lembro do termo (...), mas depois de me ouvirem, decidiram emitir uma nota que dizia nada foi encontrado que me incriminasse. Fui ilibado. Foi uma fase difícil para mim, para a minha família e para as pessoas à minha volta. Como se sentiu nesse momento, quando estava a ser acusado pela Procuradoria-Geral da República? Bem, tentei manter-me calmo. A primeira coisa que eu procurei saber é se eu tinha cometido um crime. Antes de entrar em pânico, procurei ajuda da Liga dos Direitos Humanos. Fui acolhido de braços abertos. Já agora, mais uma vez, agradeço à mãe Alice, como costumo tratá-la, que me apoiou desde o primeiro minuto, pondo à disposição advogados e fazendo-me perceber que eu não tinha razão para temer. Que eu estava, simplesmente, a exercer um direito que tenho de me expressar. Fui aconselhado a não andar em sítios muito concorridos. há quem chegou a dizer-me que tinha de ter cuidado porque, por exemplo, podia morrer por envenenamento. Senti, de perto, um pouco a possibilidade de partir desta. Hoje em dia, se calhar, sou um pouco precavido. Embora saiba que se me quiserem despachar, não vai ser problema, sou um pouco precavido por causa disso. Sentiu isso como uma atitude deliberada do poder político para o calar? Sim, senti. Não posso prová-lo. Aliás, nós estamos muito à volta disso. Há muita coisa de que quase temos a certeza, mas que não podemos provar. Eu não posso provar. Mas sentir, senti. Mas antes disso, sentiu alguma pressão por causa do trabalho que faz, da linha que escolheu? Sempre. Eu nunca tive, digamos, paz desde o momento que decidi enveredar por esta linha. Nunca tive paz, porque sempre tive gente de vários sectores da sociedade a tentar aconselhar-me. Aquilo que eu chamo “povo” sempre deu-me força. Até aos dias de hoje, as pessoas (o povo) quando me encontram, sempre me encorajam. mas as pessoas que estão ligadas ao governo, ao partido que está no poder, ligadas directa ou indirectamente, simpatizantes ou algo parecido, sempre e de várias maneiras me aconselharam a parar. Começou com “Mentiras da Verdade” e a seguir veio a música “Marcha”. No primeiro tema, parece fazer constatações. No segundo, parece já levar o seu esforço para mais adiante. Parece que passa, digamos, para a acção. um convite à insurgência. É esta lógica que está subjacente nas suas músicas? um apelo a uma acção permanente? Sim. tenho estado a combater o adormecimento da sociedade. Quando digo “Ladroes fora, corruptos, assassinos fora”, quero mesmo dizer isso. Não quero dizer outra coisa. Eu acho que todos nós temos de ser polícias. Porque esta coisa de mudança não é simplesmente um processo onde o povo está contra a minoria que manda. Não é só isso que eu quero dizer. Se as pessoas ouvirem atentamente a versão que está no disco, que é mais longa, eu digo, mesmo entre nós. não é atirarmos as culpas. Por exemplo, a corrupção existe a nível da função pública e deve ser combatida. É certo que, eu penso, o exemplo deve vir de cima. Se temos casos de corrupção a serem abafados, por exemplo, se um ministro que está a ser acusado, está à beira de sair ileso desse processo todo, por que é que eu cidadão, que ganho muito pouco, não vou usar essa via ilegal? Estão a faltar modelos ainda? Sim, estão a faltar modelos. A nossa sociedade carece muito de modelos. Eu acho que isto é, se calhar, uma coisa boa que podíamos ir buscar no sistema anterior  - o socialismo. Acho que é algo que se impunha. Os governantes, para além de governar, devem ser modelos. Isso é muito importante. Mas, atenção, não estou aqui a querer dizer que a partir de agora, se um ministro é corrupto, eu tenho de ser também corrupto. Eu estou a querer dizer que é importante que se analise esse processo todo antes de se tirar conclusões. A sua música parece estar em contra-mão com o discurso político do momento. Vejo o exemplo na música “Combatentes da fortuna”. Fala de combater a riqueza absoluta antes da pobreza absoluta, porquê? Só para corrigir, isso pertence ao tema “A Marcha” e, realmente, falo disso. Se calhar, fosse bom exercício trocar um pouco os papéis. As pessoas que detêm o poder passassem um pouco para o lado de cá (dos sem poder) e tentarem perceber o que é que o cidadão sente, quando acorda de manhã: falta de pão, graves problemas de transporte. Irem para a avenida Guerra Popular, local por onde sempre passo. É uma vergonha ver o governo moçambicano a desresponsabilizar-se e entregar os transportes aos privados. Se as pessoas que estão no poder passassem um pouco para este nosso lado e, depois, olhassem para as regalias todas que têm, iriam perceber a raiva, a revolta que o povo sente. Se calhar, o povo moçambicano é pacífico ou coisa parecida. Sinceramente, existe uma série de regalias que os homens do governo têm e que acho serem completamente absurdas, a partir de tais carros protocolares de que tanto falam, passando pelo facto de terem tudo pago, até aos salários astronómicos que os nossos deputados recebem, enquanto as pessoas que realmente trabalham todos os dias ganham muito pouco. Sinceramente, por que é que  se está a alocar uma boa parte daquilo que é o orçamento do estado para sectores como a defesa, a guarda do presidente? Ouvir o que vai ser o orçamento do estado e percebe-se que se está a deixar reduzir o orçamento em áreas-chave, como a saúde. Esta distribuição de riqueza está errada... Sendo um artista de intervenção social permanente, acha que o que escreve e canta corresponde, de facto, ao sentimento de parte significativa dos moçambicanos? Acha que os moçambicanos se revêem nas letras que o Azagaia escreve? Bem, quando escrevo, principalmente falo daquilo que eu sinto e sou. Como um ser que está integrado numa sociedade, onde existem outras pessoas iguais a mim. São essas pessoas que sentem o mesmo que eu sinto. Pelas respostas que eu tenho das pessoas que ouvem a minha música, penso que sim. Ou o Azagaia funciona como um escape para aquelas pessoas que não têm coragem de expressar o que têm para dizer... Penso que sim, embora ache que há responsabilidades que deveriam ser partilhadas. Devia haver mais gente a fazer o mesmo, porque um homem ou uma pessoa só não é capaz. Azagaia notabiliza-se por dizer tudo quanto pensa. Vou buscar uma frase do filosofo Aristóteles que diz “o homem prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz”. Não acha que, de alguma maneira, em alguns momentos, o Azagaia é imprudente? Eu não digo tudo quanto penso. Acha que há muita gente que gostaria de dizer o que Azagaia diz, mas não diz? Um escritor congolês disse, um dia, que “nenhuma sociedade progride se não fizer a sua autocrítica e se os pensadores críticos não se puserem contra a corrente dos bem pensantes”. O Azagaia revê-se nessa frase certamente... Sim, acima de tudo. ouvi pela primeira vez esta frase com o sociólogo Carlos Serra. Agora, já estou a ver de onde é que vem. Se nós estamos na luta para acabar com a violência doméstica, o que é que estamos a fazer concretamente? Estamos a aceitar que existe violência, estamos a criticar esta violência, estamos a arranjar meios legais para penalizar as pessoas que praticam esta violência? É este processo que existe nos pequenos problemas sociais. É o que deve acontecer a nível global. Não é algo de outro mundo. Esta coisa de autocrítica é fundamental... Tendo esse seu carácter politicamente incorrecto nas suas líricas, qual é a sua relação com os media públicos? Como sente que é recebida a sua mensagem? Passam normalmente as suas músicas ou há  tendência de evita-las? Como é que vê isso? Se formos a olhar para a TVM, que é o canal público que o estado financia, facilmente perceberemos que não vai querer ir contra aquilo que são as posições políticas do governo do dia. E, quando censuram a minha música, quando não passam a minha música, simplesmente estão a confirmar isso. Sente que existe essa censura na sua música? Existe claramente. As minhas músicas, os meus vídeos, basicamente não passam na TVM (...). Caso similar verifica-se com a Rádio Moçambique, que também censura a minha música. Raras vezes passa ou não a passa tanto quanto as outras músicas. Já soube de ordens internas para que as minhas músicas não passassem. E depois as ordens internas são realmente muito boas para cumprir com os seus objectivos. Que ideia é que o músico Azagaia tem do nosso país fora aquilo que ouvimos nas suas músicas?  Eu penso que Moçambique é um país jovem. Tem gente com vontade de trabalhar, o que é propício para o desenvolvimento. Estamos cada vez mais a descobrir e a potenciar os nossos recursos naturais. Temos uma juventude que pode ser acordada. Não há nada que se possa dizer isto é impossível fazer em Moçambique. Acho que é um país próspero. Mas há quem ouve as suas músicas e fica com a percepção de que está tudo mal. Será isso? Não é bem isto, que esteja tudo mal. Mas, se calhar, eu seja o músico que aponta os problemas. E quando aponto os problemas é que quero soluções. Não que queira dizer que esteja tudo mal. É um pouco por aí. Cada artista tem o seu carácter. O Azagaia é um militante político na forma como faz a música. Uma das suas músicas diz que pertence ao partido da verdade e que não tem assento no parlamento. A política não é feita só no parlamento. A política é feita todos os dias. Um chefe de família tem uma política dentro de casa. Então eu acho que todos somos um pouco políticos. Se calhar, quando me chamam artista político na tentativa de me catalogarem e me afastar, pôr-me num grupo (...). Existe uma tendência das pessoas não gostarem de política. Dizem que a política é chata. Mas isto é errado. Se calhar, a culpa não seja muito das pessoas. Se a política fosse explicada de uma forma mais acessível para as pessoas e se essas pessoas percebessem como ela interfere nas suas vidas, podiam entrar mais para isto. Dizer que eu sou um militante político penso que sou como o somos todos nós.   Tem simpatias por algum partido especificamente? Tenho simpatia, sim, por um partido político. É o MDM que foi recentemente criado. Sou simpatizante do partido. O que é que o faz acreditar no MDM?  Antes de eu acreditar no MDM, sempre tive a convicção de que a solução dos problemas que nós temos agora é existir uma terceira, uma quarta ou quinta forças. Não podíamos continuar nesta coisa de Frelimo-Renamo, porque é um jogo muito fechado. Há muita gente que diz, por exemplo, existe dinheiro da Frelimo a ir para Renamo. E, por causa disso, há muita confusão. Há tentativa de compra deste e daquele. Isto é muito fácil quando temos um jogo entre duas forças políticas. Mas quando o jogo começa a passar para três, quatro, esta possibilidade começa a diminuir. E, se calhar, estaremos cada vez mais perto de vivermos um exercício democrático muito mais próximo daquilo que é a definição. Antes de eu apoiar ou ser simpatizante da existência de um partido como o MDM, sou simpatizante desta ideia de que não podemos continuar nesta linha de bipolarização política. O que acha que faz de Daviz Simango um líder diferente dos da Frelimo e da Renamo? Penso que, acima de tudo, são as obras. Já fui várias vezes à Beira e pelo que posso ouvir dos beirenses é que Daviz Simango, no seu primeiro mandato, fez alguma coisa de positivo pela Beira. E não fazia sentido, na minha opinião, tira-lo de lá. Ou que se não lhe desse a chance de concorrer. Foi o que acabou acontecendo. Então, esta tendência que eu sinto nele deve-se à sua apetência de mostrar trabalho, ao invés de discursos. Acho que é isto o que está a faltar nos nossos líderes. O que também dizer, que também afirmei na Beira, é que agora as pessoas dizem que eu sou frelimista. Não importa se a Frelimo faz mal ou se faz bem. Eu sou Frelimista até à morte. Eu sou Renamista. Não importa se faz bem ou mal. Eu sou renamista. Isto é o problema. Então, se eu actualmente sou simpatizante desta ideia da criação deste movimento, MDM, porque acho que sim, temos que dar oportunidade às outras pessoas de trabalhar e mostrar que podem fazer. E, enquanto continuar, na minha opinião, e se aparecer uma opção válida, eu vou apoiar. Quando deixarem de aparecer eu também não vou apoiar. É isto o que é importante que aconteça. Nota-se, nas suas músicas, algum desencanto com os políticos libertadores de África, no caso particular, que nos seguraram a independência. Numa das suas músicas, até diz “operários, camponeses na trilha da revolução. Eles eram os nossos deuses a quem fazíamos a adoração. Donos dos nossos interesses, símbolos de idolatração. Vocês não são libertadores. São combatentes da fortuna e a liberdade existirá até onde for essa fortuna”. O que quer dizer? Como disse, combatentes da fortuna, é possível que seja um termo a ser introduzido, porque hoje em dia nós temos gente que tem riqueza acima dos seus rendimentos. É mais uma vez uma antítese aos combatentes da pobreza? É um pouco disso também. Mas veja, quando olharmos para África, verificamos que os partidos que estão no poder são, basicamente, aqueles que foram libertadores. Foram os libertadores, fizeram a guerra para libertar o povo, a terra. E este espírito de libertação morreu, na minha opinião. Hoje em dia, temos estes mesmos combatentes ou antigos combatentes, na minha opinião, a não combaterem pelo povo, mas a combaterem pela fortuna. A combaterem por mais bens, por mais regalias. O interesse individual sobrepôs-se à causa colectiva... Sim, acima de tudo. Se calhar, fazer um pouco minhas as palavras de Mia Couto que disse aqui, muitas vezes, que aquilo que combatemos é aquilo que actualmente estamos a apoiar. Se ontem nós tínhamos José Craveirinha a escrever porque defendia que o povo podia ser libertado, hoje, nós temos órgãos de informação a censurar músicos, escritores que dizem o que pensam, que acham que, de alguma maneira, devemo-nos libertar de alguns vícios. Ontem, apoiavam um determinado comportamento e hoje a condená-lo (o mesmo comportamento). É por isso que eu digo combatentes da fortuna. Quando nós começámos, estávamos todos juntos e éramos como camponeses, operários. Todos mobilizados para libertar a terra. Hoje, há essa separação. Existe um grupo que cada vez mais se distancia do povo que disse que amava. Hoje, passam por nós dentro dos seus Mercedes e com os vidros fumados. E nem sequer olham para nós.    

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"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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