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Artur Semedo em “Grande Entrevista” da Stv.
É verdade que o senhor está de saída para o Costa do Sol?
Sinceramente, essa informação que circula não corresponde minimamente à verdade. Acredito que haja manifestações de interesse para a minha contratação para os quadros do clube que acabou de mencionar que, eventualmente, se propõe a fazê-lo. Entretanto, tenho a certeza de que continuo na liga Muçulmana e o meu contrato vai até ao dia 31 de dezembro deste ano. Há também manifestação por parte da Liga no sentido de eu continuar ligado à mesma durante as épocas seguintes. E, por isso, neste momento só posso aguardar pela data do término do contrato para ver qual vai ser o desfecho.
O Costa do Sol já manifestou interesse pelos seus serviços?
Oficialmente não. Tudo quanto sei sobre este caso é através de pessoas ligadas ao Costa do Sol. Na verdade, oficialmente, não existe nada de concreto.
Após o jogo contra o Ferroviário de Maputo, disse, perante jornalistas, que andava insatisfeito com algumas coisas que aconteciam na Liga Muçulmana, principalmente na ausência do presidente. A que coisas se referia?
Na verdade, tudo quanto gira à volta de uma equipa tem intervenção de duas componentes principais: a técnica e a administrativa. Para este caso, com a ausência do presidente, senti algum desconforto, porque nós conversamos diariamente sobre assuntos ligados à equipa, os apoios necessários à equipa, sem querer dizer que na Liga não haja, da parte de outros membros do quadro administrativo do clube, qualquer apoio prestado à equipa. no exercício do meu trabalho, senti, de facto, essa ausência do presidente, pessoa com quem cultivo alguma empatia e sinto-me mais achegado a ele. Na Liga Muçulmana, enquanto instituição, enquanto entidade, eu nunca tive problemas. Todas as minhas condições contratuais foram respeitadas.
O que esteve por detrás do insucesso da Liga Muçulmana, na luta pelo acesso à Liga dos Campeões Africanos, na sua primeira participação?
Falharam muitas coisa, mas “o que importa é a nossa preparação para a edição que se avizinha. Trata-se de circunstância totalmente diferentes. É verdade que, na edição passada, o tempo de transição para um futebol de nível internacional faltou muito, como é o caso de estágios que permitissem o nosso enquadramento no ritmo competitivo. mas dentro deste quadro, naturalmente, eu sinto que a Liga Muçulmana é o clube indicado para inscrever o nome de Moçambique ao mais alto nível do futebol internacional, e sinto que estamos suficientemente preparados. É verdade que há factores que não jogam a nosso favor, pelo facto de todos os jogos da primeira volta se realizarem no nosso terreno, e da segunda volta, considerada fase decisiva, no reduto do adversário. isto não nos dá espaço para ambientação no terreno do adversário.
O que foi determinante para a sua revalidação do título?
O cumprimento atempado, por parte do clube, dos seus compromissos para com os seus profissionais; o incremento da auto-estima dos seus profissionais pelo clube, que tem plantel de qualidade e ainda valor acrescentado que alguns jogadores vieram oferecer, logicamente são os principais elementos que conduzem uma equipa, como a Liga Muçulmana, ao sucesso que a mesma está a registar. Outro aspecto que caracteriza a Liga é a competência. Somos uma equipa que pauta pela competência no cumprimento daquilo que são os objectivos traçados.
Quando se fala da Liga Muçulmana, vem-nos a ideia de um clube que mais bem paga salários e que também dá regalias aos seus funcionários. Será verdade?
Não é tudo verdade. Há clubes que pagam o mesmo valor, ou até pouco mais do que a Liga Muçulmana. Não vou mencioná-los aqui, mas o que faz diferença na Liga é o cumprimento escrupuloso dos seus compromisso e, muitas vezes, atempada ou antecipadamente em função das necessidades dos próprios atletas. Portanto, isso é que faz a diferença. Um jogador que se sente acarinhado nessa perspectiva só pode dar o melhor de si. É isso o que tem acontecido.
Ano passado, levantou-se uma polémica à volta da corrupção na nossa arbitragem, um caso que foi conduzido para a Procuradoria. Entretanto, o procurador-geral da República veio, há dias, dizer em público que se tratava de uma “palhaçada”. O que acha deste caso?
Não sei quem foram os personagens que levantaram esta questão. tive poucas oportunidades de acompanhar o caso pela imprensa, mas penso que não é novidade nenhuma. Eu já me queixava destes aspectos na nossa arbitragem há um bom tempo, mas ninguém deu ouvido a esta manifestação de algum desconforto na altura. em relação à existência de corrupção no nosso futebol, protagonizada por indivíduos que, de diferentes formas, faziam a utilização abusiva de manipulação de jogadores, atitudes que pareciam ínfimas, mas eram um empecilho para aqueles que, com determinação, faziam de tudo para conquistar o título, ou pelo menos atingir lugares de pódio do nosso futebol. Porém, apesar de todos esses esforços para reduzir o suor daqueles que, de forma justa, têm lutado para escrever os seus nomes na história deste nosso futebol, como é o caso da Liga Muçulmana, nós lutamos para, de forma humilde e honesta, ganhar o nosso espaço no futebol.
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