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“A escrita aproxima-me a Moçambique”

Rafo Diaz

 

Para além de ser a capital moçambicana, Maputo é um espaço que inspira a criação artística. Um dos autores que encontra nesta cidade os condimentos necessários à sua obra e que acredita no poder das estórias na formação da personalidade é Rafo Diaz, escritor peruano que leva à sua arte o melhor e o pior da Cidade das Acácias, agora, com 128 anos.   

 

Começando pelas suas origens, de que modo o folclore da Amazónias contribuiu para lhe tornar num contador de histórias?

Cresci numa zona muito parecida a algumas provinciais moçambicanas, onde a magia, o real e o maravilhoso acontecem a cada momento. Cresci rodeado de espíritos, de fantasmas, de aparições com barcos que aparecem e desaparecem nos rios. Tudo isto fazia parte do meu contexto familiar e social. Era inevitável que acabasse um contador de estórias.

 

Acredita que estórias como “A menina leão”, um dos seus títulos, podem contribuir para a formação de uma personalidade?

“A menina leão” é uma estória proveniente da província de Gaza, com muitas versões diferentes. Na minha versão, mais do que uma estória para contar, é uma estória musicalizada. Respondendo à pergunta, sim, acho que as estórias abrem e preparam os olhos das pessoas para uma realidade. Além disso, acho as estórias podem servir para ampliar o campo de imaginação de determinados leitores. Pensando nisso e na necessidade de expor as crianças moçambicanas a diversos tipos de informação publiquei “Pinguim”, uma estória de um animal de territórios muito frios. Elas gostam deste tipo de imagens.

 

Assumindo que esta é sua pretensão, como espera impulsionar a boa conduta nos seus leitores através das suas estórias?

Levando às estórias algumas questões que abalam esta sociedade, de modo que as pessoas desenvolvam em si a necessidade de optarem por seguir um caminho do bem, o que faço de um modo divertido. Penso que contar estórias e escrever livros permite-me estar mais perto das pessoas desde país.

 

No ano passado expôs “Maputo em cor” e tem um livro intitulado “O mar de Maputo”. O que esta cidade que acaba de celebrar 128 anos representa para si?

Representa tudo. Antes de vir para cá, nunca tinha morado num país durante muitos anos, e olha que vive nos Camarões, Nicaragua, Brasil, e etc. Esta é a cidade que me acolheu e que me tem dado imensas oportunidades para desenvolver os meus trabalhos artísticos. Por isso, humildemente, tento ser o grão de areia que me permita contribuir para o progresso do país, com as minhas estórias e acções.

 

Julga que em “O mar de Maputo” os leitores têm a possibilidade de em si desenvolver uma outra sensibilidade ao olhar para sua baía e cidade?

Penso que é importante falar das virtudes deste país e dos esforços que tem feito para ser melhor. Porque a cidade e o país são espaços cosmopolitas, nesta segunda versão do livro acrescentamos o inglês, afinal, parte do meu público é estrangeiro.

 

Se Maputo é todo um espaço de sonho para os moçambicanos e estrangeiros, qual é que vem a ser “A cidade do terror” que intitula um dos seus livros?

“A cidade do terror”, neste caso, é aquela constituída por pessoas que destroem o ambiente saudável de Maputo, ao fazer chichi nas árvores, ao promover a poluição sonora com motorizadas nas nossas avenidas, perigando a vida os cidadãos. É essa a cidade do terror, em que as pessoas não têm consciência do que é viver em sociedade e do respeito pela tranquilidade do outro. A cidade do terror não é um espaço, mas é todo um comportamento das pessoas que contribui para a destruição desse mesmo espaço público. Mas eu lembro, nós temos a capacidade de fazer da nossa cidade um céu assim como um verdadeiro inferno. 

O seu livro mais recente é “Nyeleti, a filha das estrelas”. Onde pretende chegar com esta história que denuncia a barbárie de que os albinos são alvos nos últimos tempos?

Na verdade, “Nyeleti” é uma estória que escrevi em 2011, depois de em 2010 ter lido num jornal a estória de uma família de Cabo Delgado que vendeu o filho albino.

Essa notícia, como é óbvio, chocou-me muito. Então pensei, como contar uma estória tão violenta de um jeito que pudesse ser acessível a todo o tipo de público, obrigando-o a reflectir. Foi esta a principal intensão de ter escrito este livro que é para ser lido em família. Espero que as pessoas debatam sobre este problema. 

Como é fazer literatura infantil em Moçambique?

É difícil publicar livros desta natureza em Moçambique. Mas noto que há cada vez mais esforços das nossas editoras preocuparem-se em publicar literatura infantil. A Alcance Editores é um exemplo disso, ao fomentar a presença do livro nas escolas e ao levar livros às províncias. Além disso, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, através dos esforços do Ministro Jorge Ferrão, uma pessoa muita aberta e simpática, tem-se envolvido mais neste movimento.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro “Niketche”, de Paulina Chiziane, e “O teatro de Sabbath”, de Philip Roth

 

Fotogaleria: DIA DOS HERÓIS MOÇAMBICANOS

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Fotogaleria :VISITA DE RECEP ERDOGAN A MOÇAMBIQUE

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"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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