O País Online - A verdade como notícia

Sexta-feira
31 de Março
Tamanho do texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Início Entrevistas Entrevistas “Discordo desta economia completamente desregulamentada”, Fernando Couto

“Discordo desta economia completamente desregulamentada”, Fernando Couto

Em entrevista ao “O Pais Económico”. Fernando Couto, presidente da Comissão Executiva dos Portos do Norte, disse que houve precipitação na economia e que não concorda com a desregulamentação

2016 foi marcado por uma crise económica severa, o produto interno bruto recuou para a casa dos 3%, acompanhando a quebra do investimento directo estrangeiro, o aumento da inflação e a depreciação do metical, entre outros factores. Uma das principais portas de entrada da crise são os portos, porque é por lá onde passam as nossas exportações e importações. Como esta crise se reflectiu no trânsito de mercadorias considerando, sobretudo, o peso estratégico do Porto de Nacala especificamente na região norte do país?

Reflectiu-se profundamente. Nós tivemos cerca de 40% de queda do movimento de mercadorias durante o ano 2016, este valor refere para as importações como para as exportações. O porto de Nacala não serve somente a região norte do país, serve também aos países do interland, nomeadamente o Malawi. Este país também está a ser afectado por uma crise económica, mas, sobretudo, influenciada pelos efeitos do El Niño e da seca que afecta significativamente a sua produção agrícola.

Como é que a empresa lidou com esta quebra de 40% no volume de tráfego?

Durante a minha longa vida empresarial, aprendi que há círculos e há aquilo que chamamos tempos das “vacas gordas”, mas também vem o tempo das “vacas magras”. portanto, tive a experiência anterior, de gerir nos tempo das “vacas magras”, também sei fazer as receitas que são necessárias. Conseguimos na realidade, quando descobrimos que a crise vinha para durar. Desde Junho fazer aquilo que chamamos de fechar as torneiras, tornar a estrutura de despesas a mais controlada possível. Aprendi que para esta medida dar certo não se deve fazer isso meramente numa forma de exigência, mas fazer compreender aos trabalhadores que nós estamos a passar por uma crise e todos temos que fazer sacrifícios. e todos o fizemos. Tenho muito orgulho em dizer que chegámos ao fim do ano 2016 numa situação não negativa, como também não muito positiva, mas nos aguentamos e isto é o essencial, porque quem se aguenta nesta travessia certamente estará em condições de continuar a aguentar, se ela continuar neste processo.

As previsões quer das instituições internacionais como do Banco de Moçambique apontam que a retoma vai iniciar no segundo semestre de 2017, isto porque se acredita que até lá já haverá o início dos investimentos na área do gás, já haverá a reconciliação com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Que lições o país deve tirar desta crise? Compreende que poderemos realmente ter a retoma no segundo semestre de 2017?

Acho que as instituições como o Banco Central terão mais informação comparado a mim. no entanto, eu não sou tão optimista por aquilo que eu vejo desenhar, no mercado internacional. Dando-lhe um exemplo concreto, haverá uma mudança no paradigma mundial que é: um novo presidente americano, que ainda não está em funções, mas já se sente a sua mão, e diga-se uma mão muito forte, basta vermos que recentemente o dólar atingiu o valor mais alto nos últimos 14 anos. o país tem esta questão do dólar ter sido fraco, o barril de petróleo ter descido, o que está a acontecer é que o dólar está a subir de valor, o preço do barril de petróleo está a subir, é uma grande importação que Moçambique faz e é feita em dólares, e as taxas de juro aumentaram muito em 15 dias, com o senhor Donald Trump na sua torre Trump e ainda não chegou à casa branca do que aumentaram com o senhor Obama durante 10 anos na presidência dos EUA. Portanto, acho que nós vamos assistir a um reforço do dólar e um aumento das taxas de juro e isso não são dados positivos para um país como Moçambique, que precisa de fazer muitas importações e em dólar, pagamentos das dívidas a fazer em dólar, com ele mais caro não espero notícias boas, mas creio que a retoma deve ser feita, caso não seja, nós vamos assistir ao nível das pequenas e médias empresas (PME’s) uma ruptura, falência.

Que lições podemos tirar desta crise, assumindo que o dólar estava a bater tectos quase que imagináveis?

Se você for a cidade de Nacala, mas mesmo aqui, na cidade de Maputo, é possível ver isso, há prédios que foram construídos e a meio da obra foram abandonados. Na cidade de Nacala temos cerca de cinco ou sete hotéis que não foram acabados e, na minha opinião, nunca serão acabados, portanto, houve uma precipitação. Não sou muito a favor dos controles administrativos, mas creio que é necessário que hajam para o bem de todos. Descordo desta economia completamente desregulamentada, de que o mercado é que faz a economia, sem dúvida alguma tem que haver alguma orientação, por exemplo, há um certo número de camas que são necessárias e só se vão construir hotéis de acordo com essa necessidade.

Ma isso não seria cortar a liberdade empresarial?

Não acho que iria limitar, pelo contrário, seria levar a capacidade económica daqueles que querem investir para sectores onde possam estar rentabilizados. assim contraíram dívidas à banca que não conseguem pagar com juros baixos, quanto mais com uma taxa de juro maior. Os empreendimentos que fizeram não estão acabados e não podem render dinheiro e isto é uma situação um pouco complexa e caminha para uma situação que é a falência. Portanto, uma das lições é que deve haver maior planificação da própria economia nesse sentido.

E esse deve ser o papel exercido pelo Estado?

Sim, deve ser feita pelo estado. Uma segunda lição, que eu acho que é importante, também consciencializar as pessoas que estamos e vamos viver momentos difíceis, e isso temos que estar todos consciencializados.

Essa mensagem de alguma forma não foi passada? Recentemente, o Governo resolveu cortar 50% do 13.º salário...

No meu entender demorou muito tempo a ser passada, portanto, essas coisas devem ser passadas logo no início e não quando as coisas já estão a decorrer, corta aqui corta acolá, a pessoa deve estar consciente que os cortes irão acontecer. Temos pessoas que fizeram os seus planos e tinham a sua vida organizada de certa maneira, e se estiverem conscientes planificam de outra maneira, não se comprometem, por exemplo, com o plano de casar este ano, porque estava a espera de uns fundos e depois eles não aparecem, dou-te um exemplo corriqueiro. Houve aqui um problema de comunicação e de falta de comunicação mas precisamente.

Fernando Couto foi galardoado com o prémio de Personalidade Industrial de 2016. Quando recebeu esta distinção no dia 14 de Dezembro disse: relativamente a esta crise que o mundo atravessa e em particular Moçambique “Tem de haver coragem dos dirigentes políticos, das elites e da classe empresarial para enfrentar este desafio caso contrário poderemos assistir ao regresso do continente africano a um simples reservatório de matérias-primas de baixo custo e sem respeitar as questões de conservação do meio-ambiente”. De que forma é que os dirigentes políticos, as elites e a classe empresarial podem evitar que o continente africano seja o tal reservatório de matéria-prima de baixo custo?

Em primeiro lugar aplicar uma boa governação e o respeito básico pelas regras básicas dos comportamentos políticos, se olhar para aquilo que está a acontecer no Congo vai reparar que este é um exemplo gritante da falta de respeito por qualquer tipo de regra. O que aconteceu agora nas eleições no Gabão ou na Gâmbia também não é um bom exemplo. Os perdedores nunca gostam de perder, isso é um facto, mas nas regras de política e democracia deve haver respeito pelos eleitores, pelo dinheiro que é produzido no país e que seja aplicado dentro e em favor dos próprios nacionais do país e não para outras finalidades que é um comportamento geral do continente africano, sobretudo da África negra, porque a África do norte tem uma realidade muito específica nesse sentido. As elites devem ser menos predadoras, no sentido de gostarem de muito luxo e tornarem-se em elites mais pensantes, mais actuantes e cujo papel tem que ser de mais acompanhamento do ensino, porque é preciso formar pessoas não em quantidade, mas sim em qualidade, as elites devem pensar no próprio país e que tenham uma opinião construtiva. Eu digo que criticar é a coisa mais fácil de fazer, o mais difícil é o fazer, fazer e fazer bem, porque quem nunca faz nada nunca pode ser criticado.

Levantou aqui dois pontos, utilizar melhor o dinheiro que foi produzido no país e termos elites menos predadoras. Estes pontos puxam-nos para o tema do ano 2016: as dívidas ocultas. Este foi um sinal de alguma falta de transparência, porque é consensual que ouve uma violação da Constituição da República. É a este o tipo de decisões que são tomadas sem respeitar as instituições que existem no país, a que critica?

 Sem dúvida alguma que eu estou em desacordo com as decisões que não respeitam as leis do próprio país, os fins não justificam todos os meios, mas esta é uma questão que não só se levanta a Moçambique. A África do Sul viveu vários problemas que são levantadas neste sentido e teve os problemas que teve, e que são levantados pelos tribunais, a Procuradoria-Geral da República teve um papel muito importante e independente em relação à questão do uso dos fundos públicos que foram mal utlizados, ou melhor delapidados, portanto acho que este é um aspecto político. Este é o exemplo do gosto que algumas pessoas tem de usar ou ter nove ou dez carros de luxo entre outras mais coisas, de termos maior contenção a todos os níveis em relação aos nossos gastos, temos muita gente que vive e morre em condições precárias.

Voltemos para explicação que deu em relação aos efeitos desta crise, no Porto de Nacala. Onde houve uma quebra de 40% no manuseamento de produtos e bens. Quais foram as matérias-primas com menor desempenho e quais foram os destinos mais afectados. Citou o caso Malawi, mas assim estruturalmente quais foram as matérias-primas que tiveram uma quebra acentuada?

Essencialmente foram as matérias-primas derivadas para o consumo corrente das populações, bicicletas, motas, aqueles produtos que são muito usados na comercialização agrária. Portanto, houve de facto um decréscimo a nível de contentores, do volume de contentores, mas também houve um decréscimo a nível do normal o que é lógico pelas razões que fora apontadas, por exemplo, o nível de consumo de cimento, portanto, baixamos o consumo do cimento, no entanto, mantivemos o nível das importações de trigo, foram mantidas e até foram acrescidas. E houve algo também de positivo, não podemos ser sempre negativistas, do lado positivo é que se assistiu, é que, sobretudo, nos últimos cinco meses, há um acréscimo muito grande das exportações moçambicanas agrícolas pelo porto de Nacala.

Quais foram os produtos exportados?

Essencialmente, aquilo que se chama o feijão buer, que da Índia, veio um empresário queria importar 50 mil toneladas de feijão buer. Portanto, só se conseguiu arranjar 25 mil, e foi um único empresário. Se nós produzíssemos 100 mil toneladas de feijão buer no tempo certo tem que ser nos meses de Dezembro até Março que a Índia não tem esse produto e é fundamental para a dieta do país. Se nós tivéssemos essa quantidade toda tínhamos exportado tudo. Essa questão do dólar forte aumenta as exportações. O algodão é a mesma coisa, o gergelim ou sésamo também e a questão que anda em balanço, umas vezes abre e outras vezes fecha, que é a exportação de madeira. Eu preferia que não houvesse exportação de madeira, estou a ser sincero.

Mas por que razão?

Porque são florestas que estão a ser abatidas e que se tivessem uma replantação, tudo muito bem. Estão a ser abatidas e não há replantação e isso tem efeitos. Não estou de maneira nenhuma a assumir um papel de conservador da natureza, embora, todos nós temos de ser conservadores da natureza. Depois tem o papel de erosão, da falta de tudo e mais alguma coisa, portanto, os ecossistemas são destruídos nesses sentidos.

Mas defende a ideia de não se fazer a exportação ou se calhar de se melhorar mecanismos de fiscalização e de facto ser exportado apenas aquilo que legalmente está instituído?

Eu defendo a ideia que de tem que ser legalmente, mas tem que haver planos, corta e planta. E só quando estiver terminada a replantação poderemos fazer a exportação de madeira nativa. Vou dizer que esse tipo madeiras não tem mercado nem na Europa e nem tem mercado nos EUA, esse tipo de madeira tem mercado nos mercados asiáticos, na China e noutros países. A China tem poder de compra muito grande, portanto, todas as árvores podem ser abatidas e temos experiências nesse sentido. Vá ao Gabão e veja que desflorestaram tudo e aquilo até dava um exemplo, que os portos estavam cheios de troncos de árvores, etc. Quando acabou a madeira fecharam a porta e foram-se embora e deixaram o solo completamente desertificado. Uma coisa também muito positiva que está a acontecer do ponto de vista das madeiras, é que há aquele projecto da PORTOCEL, de plantação de eucaliptos, que já estão grandinhos. E que já começaram a ser exportados via Nacala, portanto, essa madeira é muito bem-vinda, porque é uma madeira que é replantada e é uma madeira que nos dá o mesmo rendimento, do que estar a ver e me dói o coração por ver troncos de pau-preto a seguirem viagem por mares desconhecidos.

Em 2016 acompanhamos várias iniciativas do Governo e de outras instituições quer de apelo, quer de apreensões diga-se medidas mais radicais, recentemente foram apreendidos mais de 1000 contentores.

Qual é o papel dos portos no controlo desta madeira que é exportada, muita das vezes, ilegalmente para fora do país?

Os portos podem ser, desde que estejam ligados às instituições de fiscalização, nomeadamente as alfândegas e às instituições ligadas ao Ministério da Agricultura que dão as licenças, porque a mercadoria quando é exportada via contentores, nós não podemos abrir os contentores depois de passarem pelas alfândegas. nós temos que nos limitar a meter ou a tirar os contentores do navio. Mas isto é um contrabando e recentemente nós tivemos um caso de madeira vinda de Madagáscar, que desembarcou em Quelimane, foi puxada até ao Malawi e de lá veio por via-férrea, porque no Malawi os contentores não são scanados, estava declarado algodão e quando as máquinas tentaram erguer os contentores não conseguiam, porque era um algodão muito pesado. Assim, tivemos que chamar as alfândegas e tivemos que abrir e vimos que era madeira preciosa que seria contrabandeada, que tinha vindo via Madagáscar, isto é um circuito muito bem organizado.

Acha que, do ponto de vista de políticas, o país está a fazer o suficiente para controlar a situação?

Acho que sim. E em 2016, houve melhorias nesse sentido e saúdo o esforço que foi feito nesse sentido da parte do Governo. Saúdo não só estas medidas governamentais, mas sobretudo a implementação pelos mecanismos que devem controlar: alfândegas, os que dão a licença de abate e todo o mecanismo que está a volta da exportação de madeira. Ou então que se faça a exportação através da replantação, ou que se crie um valor económico acrescentado como o aumento dos postos de trabalho, que é algo fundamental. A cidade de Nacala, por exemplo, perdeu seis mil trabalhadores num espaço de um ano e tem que se criar empregos, porque essa gente toda não irá voltar a praticar a agricultura, vai ficar ali e isso pode ter implicações na criminalidade. 

De certeza que já tem acompanhado este debate sobre a produção. A minha questão é, o que está a faltar para darmos o salto, para sermos auto-suficientes, eventualmente, não em todos os produtos, mas naqueles que são elementares para garantir a sobrevivência da população?

O país é grande. Portanto, o que se passa no norte é diferente do que se passa no sul. Sobretudo no sul, há uma questão que é esta, é que é muito mais fácil, em termos económicos, eu pegar um molho de rands, atravessar a fronteira e comprar batatas, do que estar ali ao sol a plantar e regar batatas. Digo batata, mas podia ser qualquer outro produto. Portanto, tem muito menos trabalho e há uma mera transacção comercial nesse sentido. É evidente que quem fica a ganhar são os exportadores sul-africanos e quem fica a perder somos nós, porque são divisas que saem do país. No entanto, o circuito alimentar é que é produzido. Quando, não sei porquê, esta questão é uma mitologia de que os sul-africanos nunca passaram o Zambeze, portanto tem pouca influência, embora haja supermercado sul-africano em Nampula, mas o resto não se aventura para essa zona, não sei, historiadores que averiguem isso. O que sucede é que destruíram-se determinados mecanismos de que você, por exemplo, decide. é importantíssimo ver por que é que o agricultor na zona norte do país, que é o único agricultor que faz agricultura para exportação, quando semeia algodão, é para ser exportado, porque o algodão não se come. Portanto, há uma decisão económica que é feita e a pessoa está a espera pelo menos ter o mesmo preço do que teve no ano anterior. Umas das coisas que leva a essa decisão económica é a questão do preço que o algodão teve no ano anterior. Estou a dar um exemplo, no ano anterior, foi bom e etc., e depois quando chega a vez de vender, vêem dizer que o algodão está associado ao preço do barril do petróleo. No mercado internacional, o barril de shel subiu e o preço baixou, o que é que a pessoa pensa? Fui roubado, então não vou produzir nada, porque não vale a pena, vou produzir qualquer coisa que me dê menos. Portanto, é necessário dar um acompanhamento ao agricultor, no sentido de que fixação do preço mínimo, eu sei que isto é completamente contra as regras do Banco Mundial, que gosta que o mercado determine o preço e que haja um acompanhamento a nível de que a semente, que é base de qualidade de produto, seja melhorada nessa mesma sementeira, de forma a termos produtos que não só sejam bons para os nacionais, mas que tenham os standards internacionais para serem exportados.

Estamos a falar de dar previsibilidade ao agente económico?

Dar previsibilidade ao agente económico, mas também o Estado tem que assumir um papel de que tem que auxiliar esses agricultores, quer na estabilização de preços, quer também no acompanhamento da própria produção. Eu não consigo perceber como é que o agricultor moçambicano tem menos produtividade, hectare, do que tem o agricultor do Malawi, se são vizinhos, atravessam a estrada e se calhar até é o mesmo povo, usam um tipo de enxada. O agricultor malawiano já sabe utilizar fertilizantes e nós não sabemos utilizar. Se calhar até não precisamos de fertilizantes, porque a terra está tão virgem e com tantos nutrientes que podemos ter, até uma questão fundamental que cada vez mais as pessoas querem produtos orgânicos, biológicos.

Outra questão que se levanta neste tema da logística e infra-estruturas é que mais de 80% dos transportes de passageiros e de bens são feitos por rodovia, ou seja, por estrada. E isto acontece numa altura em que temos ferrovias que até nem são usadas, o caso mais recorrente é da linha de Ressano Garcia.

Vamos separar duas coisas. Transportar ferros, alumínios, ou que seja, via rodoviária não é preciso ser economista ou ter muita experiência no ramo dos transportes. A via mais adequada, mais barata é via-férrea. As linhas estão lá, a linha de Ressano Garcia está lá, portanto é necessário reutilizar. Agora, quando nós deixamos que se criem impérios de frotas rodoviárias, é muito difícil lutar contra estes mesmos impérios, porque depois eles podem fazer aquilo que se chama dumping, reduzir custos neste sentido. Por outro lado, também é preciso não esquecer que esta estrada EN4 tem portagens, portanto quanto mais camiões passarem, melhor para eles. Portanto, é isto que nós temos que ver no seu conjunto nesse sentido, mas é preciso fazer um investimento e estamos a falar numa linha que tem 80 quilómetros, não é Nampula-Cuamba, que são 360, Nacala-Cuamba que são quase 600 quilómetros. Para o Malawi são 900 quilómetros, estamos a falar de distâncias consideráveis. Portanto, é necessário investirmos nesta questão por todas as razões, por segurança humana, porque é um perigo na estrada; para a conservação da própria estrada, e por custos económicos. Em relação aos passageiros, aí é que é um bocado complicado, porque de facto, e a nível mundial, os passageiros preferem usar vias rodoviárias para onde querem, fazem o que querem, descansam ali e acolá. Ao passo que ao andar no comboio, estão sujeitos a um horário fixo e paragens nesse sentido.

 

 


 

Fotogaleria: DIA DOS HERÓIS MOÇAMBICANOS

DANƁ-TRADICIONAL..jpg

Link Externo Esta ligação irá abrir o SAPO Fotos.

Fotogaleria :VISITA DE RECEP ERDOGAN A MOÇAMBIQUE

DESTAQUE2.jpg

Link Externo Esta ligação irá abrir o SAPO Fotos.

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


publicidade

Edição Impressa e O Tempo

 Edição  O Tempo

 Edição Impressa -30-03-2017

Impressa

 

Maputo

 

Inhambane

 Beira
 

Nampula

 
 

Edição Impressa 390