O País Online - A verdade como notícia

Segunda-feira
23 de Outubro
Tamanho do texto
  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Início Entrevistas Entrevistas Três anos da STV Notícias

Três anos da STV Notícias

Olívia Massango conta que um dos objectivos da STV Notícias é ser referência no país e no mundo

A STV Notícias completou 3 anos de existência, no passado dia 18 de Março. Que objectivos é que nortearam a criação do canal STV Notícias?

Quando criámos a Stv Notícias, tivemos em conta as tendências mundiais. O mundo está a mudar e o grupo SOICO, com o seu espírito inovador e ousado, teve de se alinhar. Criar um canal temático no nosso país era algo novo. Não era ao nível de outros quadrantes do mundo, uma vez que já existiam, mas, para nós moçambicanos, era um produto novo. Os telespectadores, agora, procuram conteúdos específicos, então, havia necessidade de responder a esta procura por produtos específicos. Os canais generalistas têm uma grelha muito diversificada e o telespectador de hoje não quer perder tempo a procurar o que vai consumir. Quer encontrar rapidamente o conteúdo de que precisa. Por isso, os media estão a responder a esta demanda e nós não poderíamos ficar alheios a esta mudança.

Este é o primeiro canal temático e internacional a ser criado em Moçambique. Como foi a sua criação?

Falar da criação da STV Notícias é falar de momentos emocionantes e desafiadores, porque era algo novo para nós. Por ser novo, tivemos que colher experiências de outros países que já estavam há alguns anos nesta caminhada. Tivemos que viajar para vários países, com destaque para Portugal. O objectivo era perceber qual era a dinâmica de um canal de notícias, como é montada a grelha, quais são os conteúdos que são relevantes para o telespectador, o que eles procuram nos canais de informação, etc.. Fomos perceber de quem já sabia, para sabermos implementar com sucesso no nosso país.

Qual tem sido o nível de aceitação do canal, quer a nível interno como externo?  

Do nosso ponto de vista, a aceitação tem sido muito boa, e há razões para ter este optimismo e este posicionamento. Temos uma grelha com produtos que contemplam o contacto directo com os nossos telespectadores, através de chamadas, e temos visto os telespectadores participar com muita afluência, quer telespectadores em Moçambique, quer na diáspora, falo de Angola, Portugal... Os telespectadores na diáspora não só ligam para os nossos programas, como também nos enviam correspondências dando as suas contribuições em termos daquilo que acham que pode ser uma sugestão de melhoria para a nossa grelha e para os programas. Quando viajamos para os países que têm o sinal da STV Notícias, estou a falar de Portugal e países da África Austral, sentimos que somos reconhecidos como os rostos do canal. Isso é um sinal de que assistem ao nosso canal, os nossos produtos e que, de facto, estamos a satisfazer aquilo que são as suas expectativas.

Antes da criação do canal STV Notícias, a STV era detentora de outros produtos. Que ajustes foram precisos para se chegar a este novo produto, que é o canal de notícias?

Nós, como direcção de Informação, já trabalhávamos numa dinâmica multimédia, onde o jornalista é produtor de conteúdo e coloca este mesmo conteúdo nas plataformas existentes, neste caso para os espaços informativos do canal generalista, a STV, para o jornal, para o nosso site e, sempre que necessário, para a rádio. Com a criação da STV Notícias, reforçámos aquilo que é a nossa dinâmica de produção, porque estamos a produzir para um produto específico de informação de 24 horas por dia, quando antes atendíamos a momentos específicos de uma grelha com uma diversidade de conteúdos, quer culturais, quer educativos... O canal STV Notícias é repleto de conteúdos informativos e um dos desafios foi mudar a nossa mentalidade, de modo a produzir notícias para este canal na dinâmica que ele exige. O canal de notícias requer imediatismo. Já não se guardam notícias, com um canal temático de informação. Se acontece, deve ser rapidamente difundida. Há também uma corrida para transmitir primeiro. Portanto, esta mudança de mentalidade é que foi um dos grandes ajustes.

Houve, também, necessidade de fazer algum ajustamento ao tipo de jornalismo que é feito no grupo SOICO?

Nós não mudámos o tipo de jornalismo. Em termos de linha editorial, mantivemo-nos tal como no princípio, apenas reforçámos os nossos princípios de isenção, imparcialidade, responsabilidade, porque estamos expostos a nível mundial, visto que é um canal de informação internacional. Houve, sim, a necessidade de sermos mais profissionais, com produtos de qualidade internacional e, nesse sentido, tivemos que reforçar também a nossa formação.

As equipas do grupo SOICO, quase todas, são compostas por jovens. Isto tem trazido vantagens ao grupo?

Evidentemente que sim. O grupo SOICO é uma iniciativa de jovens, os produtos que foram criados foram liderados por jovens e, ao longo destes anos, houve sempre uma aposta na juventude. O sucesso do grupo SOICO e dos seus produtos é devido a esta juventude. O canal de Notícias não foge à regra. Criar um canal de Notícias e trabalhar com uma equipa jovem significou trabalhar com pessoas preparadas para mudar, para inovar, para fazer coisas novas. Neste sentido, é sempre melhor trabalhar com a juventude. Os jovens são destemidos, entregam-se facilmente a coisas novas. Não que os mais velhos não o façam, até porque são muito importantes no processo, transmitem conhecimento, e é aí onde esta harmonia entre os mais velhos e a juventude é sempre muito importante. A juventude precisa de formação, é sempre uma vantagem trabalhar com ela, mas não podemos nos esquecer que a formação tem que ser contínua, para que faça o seu trabalho com mestria.

Quais foram os momentos mais marcantes na existência do canal STV Notícias? 

Foram vários momentos marcantes, a começar pela criação do próprio canal. Agitou-nos emocionalmente, era tudo novo, mas como me referi anteriormente, somos todos jovens e aceitámos esse desafio de peito aberto. No cômputo geral, as várias coberturas que fomos fazendo ao longo destes três anos de existência marcaram-nos muito e profundamente. A cobertura das eleições gerais em 2014, a tomada de posse do nosso Presidente da República e do seu Governo... E outros momentos não muito positivos para a nossa história, mas que também marcaram profundamente a forma como fomos noticiando esses acontecimentos, falo, por exemplo, da cobertura da descoberta dos corpos ou valas comuns nas províncias de Manica e Sofala, do caso dos refugiados moçambicanos no vizinho Malawi. Foram momentos muito tensos, porque pessoalmente tive que tomar decisões de risco, conjuntamente com os meus colegas que estavam no terreno. Eles ligavam e diziam, por exemplo, “há possibilidade de termos uma grande história, mas existe este e aquele risco. Então, directora, avançámos?” Eu colocava a mão na cabeça e dizia, nossa, é realmente difícil. E assumimos esses riscos, obviamente, nos acautelando daquilo que poderiam ser os cálculos possíveis para ter a confiança de que vale a pena assumir estes riscos. As equipas foram ao terreno e, no final do dia, quando ligavam e diziam conseguimos e estamos a salvo, era um momento de alegria e festejos, porque tínhamos de facto uma grande história. No caso dos corpos, era a confirmação de que existiam os corpos de que se falava, as pessoas estavam a ser mortas e jogadas de forma desumana nas matas de Manica e Sofala. E no caso dos refugiados, testemunhar a forma como eles viviam e colher o depoimento sobre as razões que os levavam a fugir do próprio país para o Malawi. Além destes eventos, lembro-me, e com alguma tristeza, da cobertura de vários momentos de instabilidade política. Positivamente, temos a cobertura do I Grande Fórum Mozefo, que marcou a nossa estação, porque abordámos vários temas da nossa sociedade, na perspectiva de dar um contributo para o desenvolvimento do nosso país, e foram várias personalidades que deram o seu contributo, quer nacionais como internacionais. A forma como planificámos a cobertura do Fórum Mozefo marcou-nos, porque foram semanas e semanas a trabalhar no plano estratégico, na criação de equipas específicas para atender à demanda dos leitores do nosso site. E quem acompanhou o evento pôde ver que estivemos fortemente presentes a nível do site. Outro grande marco foi a criação do programa Grande Plano, tivemos que criar uma equipa nova, com pouca experiência para assumir um desafio muito grande de preparar reportagens profundas sobre temas que mexem com a nossa sociedade, na perspectiva de gerar uma reflexão sobre como esta sociedade pode desenvolver-se com estes problemas e como ultrapassá-los. Foi com muito entusiasmo que tomámos esta decisão e avançámos com este produto.

Volvidos estes três anos, que desafios ainda persistem?

Os desafios são vários. Um deles passa pela indução do gosto pela notícia na nossa sociedade, principalmente nas camadas mais jovens, que nos dias que correm são muito desviadas para as redes sociais, que também passam alguma informação. mas é importante ter em conta que a informação é um activo muito importante para a manifestação da cidadania e também fortalece as sociedades democráticas. Se os jovens são o futuro do nosso país, é preciso que desenvolvam este gosto pelas notícias. A nível interno, persiste o desafio da formação das equipas.

Um canal temático internacional tem um tipo de necessidade de grelha especial. Como tem sido garantir esta estabilidade de grelha num país em que se produz pouco em termos de conteúdo televisivo? 

Garantir conteúdos para a grelha de um canal de notícias não é algo complicado para um país como o nosso, que tem vários desafios de crescimento. Se olharmos para os últimos três anos, o nosso país foi marcado por eventos muito negativos e, infelizmente, para quem trabalha com notícias, com informação, a desgraça alimenta os noticiários. mas é uma desgraça que nos identifica, que faz parte do nosso dia-a-dia. é sempre inevitável que os media levem esses factos ao conhecimento dos nossos telespectadores. Falo da crise económica que o país está a viver nestes anos. Assim que este Governo tomou posse, surgiram várias informações de certo modo discordantes sobre as dívidas ocultas que não haviam sido reveladas no momento em que forma contraídas e, à mistura, veio a depreciação acentuada da nossa moeda face às principais moedas com as quais transaccionamos, a alta inflação, que atingiu 30%. Estes factos, combinados com a saída dos Parceiros do Apoio Programático, de apoio directo ao orçamento, vulgo G14, criaram um momento muito crítico para a nossa economia e isso foi alimentando a nossa grelha. Foi alimentando e tivemos a necessidade de reforçar os nossos noticiários, reforçar os nossos espaços de debate, de análise e de comentários. Portanto, não foi difícil. E outros eventos negativos que foram marcando o país ditaram esta necessidade de aprimorar e alargar os espaços de debate, assim como de levar a informação pontualmente aos nossos telespectadores, sempre que necessário, com o “última hora”.

Com o avanço das redes sociais, os cidadãos tornaram-se de certo modo repórteres e a divulgação das notícias tomou uma velocidade praticamente desajustada daquilo que é o modo tradicional de fazer televisão. Como é que a STV Notícias tem estado a adaptar-se a esta nova tendência?

É um ajustamento natural, desafiador, obviamente. mas nós vivemos numa sociedade de informação e as redes sociais também divulgam informação. Este facto não nos inibe de fazer o nosso trabalho, porque não é um concorrente igual. Nós, quando falamos dos media sociais, referimo-nos a produtos e informação que circula que não é propriamente credível. Os órgãos de informação, os jornalistas, o tratamento que dão à matéria é que fornece credibilidade a estas informações que circulam nas redes sociais e não só. Então, eles não são o fim, mas sim o princípio para os jornalistas começarem a trabalhar uma matéria que se julgue relevante. Nós não vemos os media sociais como um concorrente, até porque os usamos para puxarmos a audiência aos nossos canais. Estando nas plataformas digitais, é mais fácil levarmos os nossos conteúdos a todos os que se encontram presentes ou ligados a esta plataforma muito ampla das redes sociais.

Olívia Massango, que balanço faz destes três anos de existência do canal STV Notícias? Estão satisfeitos? O canal reflete aquilo que foram os objectivos da sua criação?

Estamos satisfeitos. Se reflete aquilo que foram os objectivos da sua criação? Bom, neste momento posso dizer que tomámos a decisão de criar o canal e o real impacto deste canal poderemos vir a sentir no futuro. O mais importante é que existimos e estamos a fazer o nosso trabalho. Quanto ao balanço, posso dizer que é positivo, porque acreditamos que quando o nosso canal é falado, quando os nossos assuntos são comentados, são discutidos, é porque temos audiência e essa audiência é algo que nos orgulha. Quando as redes sociais divulgam aquilo que é o nosso conteúdo que levamos aos telespectadores, ao debate, isso é sinal de estarmos a ter audiência. Olhando para o que está a acontecer no mundo, nos Estados Unidos, por exemplo, na altura das eleições, os canais norte-americanos temáticos tiveram uma audiência tendente a crescer, exactamente porque o processo de eleição de Donald Trump não foi tão pacífico, foi algo que deixou muitas dúvidas nos eleitores americanos e no mundo. Este tema político que mexeu com a história política dos Estados Unidos e do mundo fez com que a audiência dos canais de informação temáticos nos EUA disparasse. O mesmo aconteceu no Brasil, com a polémica à volta da presidente Dilma e a ascensão de Temer ao poder. Também fez com que a audiência nos canais temáticos de informação disparasse. Tenho fé que no contexto em que a STV Notícias surgiu em Moçambique, com vários problemas que preocupam os cidadãos moçambicanos, um canal de informação faz a diferença. As pessoas procuram o nosso canal para poderem informar-se mais e melhor sobre o que está a acontecer realmente no nosso país.

No futuro, o que se pode esperar da STV Notícias?

Vamos continuar a aprimorar a qualidade dos nossos produtos, alargar a nossa grelha, produzindo mais conteúdos e, inevitavelmente, com recurso à tecnologia, massificarmos a nossa presença nas plataformas digitais. Nós somos um canal internacional de notícias 24 horas por dia e queremos ser uma referência não só em Moçambique como também no mundo. Vamos trabalhar afincadamente para termos o nosso desejo realizado.

 


 

Fotogaleria: DIA DOS HERÓIS MOÇAMBICANOS

CHISSANO-E-GUEBUZA.jpg

Link Externo Esta ligação irá abrir o SAPO Fotos.

Fotogaleria :VISITA DE RECEP ERDOGAN A MOÇAMBIQUE

Destaque1.jpg

Link Externo Esta ligação irá abrir o SAPO Fotos.

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


publicidade

Edição Impressa e O Tempo

 Edição  O Tempo

 Edição Impressa -23-10-2017

Impressa

 

Maputo

 

Inhambane

 Beira
 

Nampula

 
 

Edição Impressa420