O presidente sul-africano, Jacob Zuma, constatou que havia pontos de fricção entre os protagonistas da crise no Zimbabwe, na sequência de uma visita a Harare, quarta-feira à noite.
“Acho que foram registados progressos, mas há alguns ‘senão’ aqui e ali”, admitiu Zuma, quarta-feira à noite, perante jornalistas, após ter reunido separadamente com o presidente Robert Mugabe e o primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, que dependem de uma última análise para um acordo político. “Os diferendos já não são tão preocupantes quanto eram”, observou o chefe de Estado sul-africano, na qualidade de mediador da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), no quadro da resolução da crise que começou em 2008, quando as últimas eleições presidenciais terminaram em violência. Os principais pontos de discordância referem-se ao projecto da nova Constituição, cuja aprovação por referendo deverá abrir caminho a eleições livres e democráticas. No mês passado, os negociadores de ambas as partes concordaram sobre um texto, mas a comitiva do presidente Robert Mugabe exigiu, de seguida, alterações, considerando que a nova Constituição enfraquece muito a posição do presidente. Morgan Tsvangirai confirmou, após o seu encontro com Zuma, que as “divergências” envolvem o projecto de Constituição. “Foi decidido que esta questão iria ser discutida durante a cimeira” da SADC, sexta-feira e sábado, em Maputo, disse o primeiro-ministro zimbabweano. Na sua última reunião em Junho, em Luanda, a organização regional exigiu ao Zimbabwe a organização de eleições no prazo de 12 meses. Mas a adopção de uma Constituição é um pré-requisito para a realização de um escrutínio. Desde 2009, o presidente Mugabe coabita com o primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, que é também seu principal adversário político. As últimas presidenciais foram marcadas por violências, mas, na sequência da mediação da SADC, os dois homens concordaram em engajar-se numa coabitação política.





Comentários