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Partos em casa entre principais causas de mortalidade materna em Luanda

29 casos de mortalidade materna foram registados em duas principais maternidades da capital angolana em Janeiro deste ano

A situação foi abordada, ontem, num encontro do Comité de Auditoria sobre Saúde Materna e Infantil do Município de Luanda, dirigido pela vice-presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda para a Área Política, Social, Assuntos Comunitários e Ambiente, Mara Quiosa.

Durante o encontro foram apresentados dados referentes a Janeiro, período em que foram contabilizadas 29 casos de mortalidade materna nas duas principais maternidades da capital angolana.

Segundo a responsável, dos casos avaliados no encontro, chegou-se à conclusão que a chegada tardia às unidades sanitárias é também uma das causas de mortes de mulheres grávidas.

“Tivemos casos de jovens que estiveram durante uma semana a receber tratamento tradicional e só depois de a família ter verificado o agravamento do estado de saúde é que acorreram ao hospital”, apontou.

Para a responsável, o recurso primeiro ao tratamento tradicional deve-se a factores culturais e não a falta de condições nas unidades hospitalares.

“Nós, enquanto africanos, ainda temos essa cultura e damos uma atenção especial àquilo que é o tradicional, por isso não acorremos de forma imediata às nossas unidades hospitalares, pelo que temos estado a orientar e temos verificado que se tem estado a cumprir, aquilo que é a sensibilização para que recorram aos nossos postos de saúde”, salientou.

Mara Quiosa disse que é preciso admitir-se também que o atendimento em muitas unidades hospitalares tem sido feito de forma tardia, devido às enchentes que as mesmas registam.

“É preciso divulgarmos mais que os centros de saúde, a nível dos distritos, também realizam esse tipo de trabalho”, disse.

Além da malária, os inquéritos que vêm sendo realizados, permitiram identificar, igualmente, como causas de mortalidade materna, os abortos quer provocados, quer espontâneos, e casos de eclampsia: perturbação da gravidez em que se verifica hipertensão arterial grave, que também se está a verificar em mulheres bastante jovens.

Por sua vez, a responsável pela área de saúde reprodutiva no município de Luanda, Ágata Capimgâlã, referiu que as mortes infantis têm na sua maioria como causas as infecções e o tétano neonatal

O elevado número de adolescentes grávidas constitui também uma preocupação, segundo avançou aquela parteira especializada, indicando que só em Janeiro e em apenas uma unidade hospitalar registaram-se mais de 15 grávidas com idades até aos 15 anos.

O próximo encontro do referido comité multissetorial está previsto para Julho.

 


 

"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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