A crivela
Permitam-me dizer que a frase que intitula esta opinião foi extraída da obra “Niketche” da escritora moçambicana Paulina Chiziane, quando as mulheres do polígamo Tony fazem uma reunião para oferecer mais uma esposa e por sinal mais nova do que elas, uma vez que estavam cansadas dele e queriam se ver livres do mesmo. Mas, Tony recusa-se dizendo que já não tinha condições para ter mais uma esposa. Mediante a recusa reivindicam para elas um assistente conjugal, visto que tratava-se de uma declaração de impotência sexual.
Esta analogia serve para mostrar o quão Deus “dá nozes a quem não tem dentes”. É só reparar que a equipa de futebol do Primeiro de Maio de Quelimane no Moçambola do ano passado “guerreou” tanto para não descer do Moçambola, suou a “estopinhas” para se manter no Moçambola, mas não conseguiu e ficou nos três últimos lugares na tabela classificativa do Moçambola 2015, pelo que foi despromovido.
Eis que quando menos estava a espera veio uma decisão tomada pela Liga Moçambicana de Futebol em coordenação com os clubes de aumentar o número de equipas de 14 para 16. E o 1º de Maio de Quelimane foi resgatado para voltar a fazer parte do Moçambola em 2016 com o Desportivo de Nacala.
Contudo, para o espanto de tudo e de todos o presidente 1º de Maio de Quelimane aparece a dizer que o clube precisa de 15 milhões de meticais, em 15 dias para fazer a logística das despesas da equipa. Diz ainda que meteu cartas a pedir apoio e que se não conseguir vão deixar o lugar a disposição do Ferroviário de Quelimane, outra equipa despromovida no ano passado.
Ora, este posicionamento coloca o 1º de Maio de Quelimane numa posição do personagem Tony da Paulina Chiziane que tem uma oportunidade de aumentar o seu número de esposas, não consegue dar conta do recado e as mulheres optam por assistentes conjugais, um direito que lhes é conferido pela lei da poligamia. Então, acho que é assim que os jogadores do 1º de Maio de Quelimane vão se comportar e caso o Ferroviário de Quelimane fique no lugar do 1º de Maio, os seus jogadores claramente que vão engrossar as fileiras dos “Locomotivas” de Quelimane.
Está situação leva-me a dizer que, e passo a citar, se os clubes querem estar na alta competição devem-se preparar em todos aspectos e não esperar somente a “mão estendida” da Liga Moçambicana de Futebol.
Alias, será que o Desportivo do Niassa, que segundo a FMF vai disputar o Moçambola este ano, tem capacidade financeira? Ou a emoção é que está a falar mais alto. Parem e pensem, se não querem ser mais um burro que lhe é dado pasto fresco e recusa porque não tem dentes ou está doente. Ou correm o risco de começar o campeonato e pelo caminho terem de parar por falta de condições e comprometerem o Moçambola que é o espelho do futebol nacional e prejudicar aqueles que estão preparados.







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