Palavras sem algemas
Mil é a nota que atribuo ao projecto Mozefo, do Grupo Soico. Do encanto da gestação ao fascínio do parto, esta plataforma de diálogo alargado, que mescla pessoas de saberes distintos para reflectirem sobre o futuro do país, deu o seu primeiro passo, elevando a fasquia das expectativas em relação às conferências para 2015.
Num mesmo painel, juntou, esta quarta-feira, a conceituada Graça Machel, o académico Lourenço do Rosário, o escritor Luís Bernardo Honwana e a defensora do meio ambiente Anabela Rodrigues.
Ouvi-los na primeira conferência devia ter sido obrigatório, como oportunidade única para compreender o valor deste projecto, que já é uma realidade.
Graça Machel, membro do Comissão de Honra do Mozefo, foi quem iniciou o debate, reflectindo profundamente sobre o modelo de governação. Priorizou o investimento obrigatório no capital humano, o fortalecimento das instituições, mas a cereja chegou ao topo do bolo quando, curta e directa, apontou o factor crítico de sucesso: planeamento, acção, números e resultados. Um problema generalizado no país.
Lourenço do Rosário, também membro da Comissão de Honra do Mozefo, recorreu à fábula da Cigarra e a Formiga para explicar a importância de todas as ciências. A fábula, que nos lembra também a dos Três Porquinhos, veio com uma nova lição. Quando estudava na carteira do Ensino Primário, a moral da estória era o alerta aos perigos da preguiça e o valor da recompensa do trabalho. Era uma perspectiva individualista, recordada por Do Rosário, que subtilmente retraduziu a fábula e aflorou o valor das artes e da interdisciplinaridade.
Não tardou e chegou a vez do autor do clássico “Nós Matamos o Cão Tinhoso”, Luís Bernardo Honwana. Com ele compreendemos o significado de unidade nacional como uma construção contínua e inesgotável que abarca todos os moçambicanos. Mais: aprendemos a desindividualizar o sentimento de pertença da memória colectiva.
Por último, mas não menos importante, esteve a apresentação da directora-geral do Fundo Mundial para a Natureza em Moçambique, Anabela Rodrigues, que enfatizou a importância da biodiversidade no processo do desenvolvimento sustentável.
Mozefo coloca à disposição de todos o palco do diálogo sobre o futuro de Moçambique. Portanto, propõe um debate imperativo para um país que aspira o desenvolvimento e uma boa posição no mercado global, cada vez mais competitivo. Acima de tudo, propõe um debate que tem o seu triunfo ancorado na participação colectiva, porque, afinal, o país é nosso.
Mozefo, como um desafio ao futuro, já desafia também o presente. Porque, afinal, o futuro é o presente de cada dia e, nesse sentido, tudo o que fazemos no presente é viver o futuro.
A todos, muito obrigado.
Lição estudada.







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