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03 de Dezembro
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Início Opinião Olívia Massango O cinismo político e os órfãos da democracia

O cinismo político e os órfãos da democracia

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...a democracia moçambicana está de luto, órfã de pai. Tendo mãe, está provavelmente a agir como mandam as leis locais: obediente e submissa...

O país está novamente mergulhado numa incerteza. Vivemos um presente angustiante e sem boas perspectivas do futuro. Tudo porque Afonso Dhlakama e o seu partido se recusam a aceitar os resultados das eleições de 15 de Outubro último, já validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.

Claro e directo: Dhlakama já não aceita derrota. Com ou sem razão, o facto é que está consumado. E, para quem se intitula “pai da democracia”, devia saber reconhecer as instituições, principalmente os órgãos de soberania. Portanto, a democracia moçambicana está de luto, órfã de pai. Tendo mãe, está provavelmente a agir como mandam as leis locais: obediente e submissa...

Com o nervosismo à flor da pele, Dhlakama não poupa sorrisos para disfarçar, e até a dança é tempero. O relógio já aponta para o limite do tempo e o coração acelera o ritmo nas coronárias. Prova disso são as flutuações de tom no seu discurso. Um dia manso e outros mais acutiliante, dependendo da reacção do Governo: silêncio ou promessa. É a imagem perfeita de uma criança que chora por um rebuçado.

O palco é feito à medida da ambição, com os membros do seu partido e simpatizantes em vénia, como se as imagens fossem a fotografia real dos interesses dos 25 milhões de moçambicanos – ou, pelo menos, de 12 milhões de eleitores.

Não está em causa a razão que leva as pessoas a aglomerarem- se à volta de Dhlakama, porque esse poder (e, se calhar, muito mais...) têm também os músicos, os apresentadores de programas de entretenimento, etc. Interessa é saber se o que move Dhlakama é de facto o interesse do seu eleitorado.

A moda agora é “Região Autónoma”. Se assim for, como pensa governar os que elegeram Filipe Nyusi e Daviz Simango, sendo um profeta da intolerância multipartidária? O que fará pelos que votaram nele nas províncias do Sul do país?

Sem esperar respostas, não temo em dizer que a política é quase sempre um espaço por execelência de cinismo.

E Dhlakama não faz uso exclusivo desse espaço. Sem distinção, todos os partidos ou líderes políticos, em vários momentos, também recorrem ao truque para subsistir.

Dhlakama é exímio nesta matéria, e aqui reside a diferença em relação aos outros, aos quais, se calhar, o destino ainda não deu oportunidade de se aperfeiçoarem.

Amanhã é um novo dia. Que seja mesmo novo!

 

Fotogaleria: DIA DOS HERÓIS MOÇAMBICANOS

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Fotogaleria :VISITA DE RECEP ERDOGAN A MOÇAMBIQUE

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"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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