Palavras sem algemas
A cidade de Maputo voltou a ser palco do terror pelo crime de sequestro. Numa semana, três pessoas foram folgadamente sequestradas.
Duas à luz do dia e uma ao pôr-do-sol, muito próximo dos escritórios de trabalho do Presidente da República, denunciando a impotência da Polícia e, principalmente, dos que guarnecem o Presidente.
A batalha dos sequestros é apenas ganha pelos criminosos com vitórias sucessivas contra a passividade, senão serenidade, dos nossos supostos protectores. A impunidade é tanta que as gangues nem precisam de sofisticar as técnicas.
O modus operandi é mesmo, mas não se consegue fazê-los parar, como se precisássemos de uma super-inteligência no lugar de vontade de impor a ordem e tranquilidade públicas.
Marchas do Norte ao Sul do país tiveram lugar em várias ruas e avenidas. O povo rogou por protecção, justiça, e clamou por soluções; a única resposta do Governo de Armando Guebuza foi a criminalização da prática, mas nada de estratégias de combate, senão promessas vazias, algumas vindas do Comandante-Geral da Polícia, Jorge Khálau. Um homem com porte militar e tom de voz ameaçador, mas cujos tiros não atingem bandidos.
Perdem-se entre inocentes...
Esta é uma das heranças de Filipe Jacinto Nyusi. Uma herança bomba que espera por explodir a qualquer momento se não for desactivada a tempo. Enquanto Dhlakama faz das suas e concentra no povo toda a atenção, o recrudescimento do crime, com destaque para os raptos, pode sorrateiramente fazer ruir o trono de Nyusi num piscar de olhos. Para isso, basta apenas que outros ingredientes já à mesa - desemprego e fome -, façam a mistura para a bomba ser dinamitada pelo povo no auge da saturação.
Datas como 5 de Fevereiro de 2008 e 1 e 2 de Setembro de 2010 deixaram lições que não nos podemos esquecer.
Por isso, conhecendo a realidade, Sr. Presidente, esperamos por rápidas e assertivas respostas ao sofrimento do povo. A dor e angústia das famílias vítimas deste crime são com certeza indescritíveis e incomensuráveis. Assim como não se recomenda a experiência.
São 15 dias de poder que não devem ser motivo de desculpa, nem razão de silêncio.
Como Presidente de todos os moçambicanos, cabe-lhe apresentar respostas à medida das promessas... O Governo está criado, os conselheiros nomeados, o baptismo da instabilidade política e dos sequestros, feito. Resta ligar os motores e por a máquina a funcionar.







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