Palavras sem algemas
Tão cómico, quanto dramático. As prioridades definidas pelos governantes são e foram sempre mais visíveis no papel do que na realidade. Ora vejamos: a Educação, Saúde e Agricultura sempre estiveram no topo das prioridades, desde a Independência Nacional. Passaram 40 anos e avanços só à lupa. Se, por um lado, o número de crianças com acesso à escola aumentou, por outro, as condições de aprendizagem deterioraram-se. Produzimos abundantemente madeira, mas as crianças estudam no chão e ao relento. Cada dia vai uma oração ao bom Deus para que não faça chuva, vento, frio ou sol intenso para conseguirem aprender. Mas, como
Deus é por todos, para o agrado de alguns também manda chuva, frio, vento e sol intenso... e é menos um, dois, três... dias de aulas que se perdem.
O ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Jorge Ferrão, reuniu esta semana os antigos ministro do sector para, juntos, reflectirem sobre a educação do futuro. O mérito não termina no encontro, mas no que se fará hoje para que a Educação atinja a excelência amanhã. Dizer que 75% dos alunos da terceira classe se sentam no chão é assustador, Sr. ministro. Pior: sabemos também que quase metade da população é analfabeta.
Na área da Saúde, os males só multiplicam. A população cresce, mas o rácio médico/paciente continua aterrador. Um médico está para cerca de 20 mil habitantes, um enfermeiro para oito mil habitantes e a esperança de vida é ainda abaixo dos 55 anos. Em termos de infra-estruturas, temos um hospital para 15 mil habitantes, contra os 10 mil recomendados pela Organização Mundial da Saúde.
Isto sem contar que estes sectores, ao nível do Orçamento do Estado, são completamente negligenciados; aliás, juntos, no ano passado, conseguiram apenas perto de 20%. Já o SISE, as FADM e a Defesa é que são privilegiados. Portanto, o discurso político nunca esteve alinhado com as prioridades do orçamento.
A Agricultura, assumida como a base do desenvolvimento, nem sequer consegue ter o mínimo dos 10% assumidos pelos líderes africanos, na Declaração de Maputo de 2003. Alegramo-nos por termos boas taxas de crescimento económico - à volta dos 7 a 8% -, mas temos igualmente mais de metade da população na extrema pobreza. Esta realidade é inaceitável para um país com elevado potencial agrícola...
Investir biliões para dar excessivo conforto aos governante sé mais do que absurdo, neste contexto. O exemplo mais gritante é orçamento de quase200 milhões de meticais para a construção do palácio do governador de Manica, obra adjudicada a 15 de Novembro do ano passado. Que o próximo orçamento reflicta as prioridades do país, já apresentadas no Plano Quinquenal do Governo.







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