Palavras sem algemas
Os moçambicanos, cansados da dolorosa opressão colonial, juntaram-se e fizeram o país renascer com a sangrenta conquista da Independência Nacional. Em apenas 10 anos mostraram que para vencer, basta querer. Mostraram que, de mãos dadas, a vitória é garantida.
Hoje, celebramos 40 anos de independência, 40 anos livres da opressão colonial; mas, infelizmente, aprisionados na opressão da fome e da pobreza. Deixamos de sentir os duros golpes do chicote para sentir os fatais golpes das tripas roncando de fome.
Saímos da união para a discórdia. Perdemos o sentido de luta e o espírito vencedor no trabalhar a terra para garantir uma existência condigna enquanto humanos inseridos num mundo moderno.
Gritamos bem alto para o mundo ouvir que somos um país abençoado pela Natureza, por termos 36 milhões de hectares de terra arável e mais de 2000 km de costa.
Mas não nos apercebemos que disso vantagens nenhuma tiramos. “Deus dá nozes a quem não tem dentes”, mas a nós deu nozes e dentes, ainda assim, ainda não descobrimos como nos deliciar delas.
A realidade é mesmo dura: 46% da população sofre de desnutrição crónica e mais de 50% dos moçambicanos são pobres. Somos muitos para viver e poucos para trabalhar. A estatística nacional pesa mais para os maus resultados, realçando o quanto reprovamos em matéria de crescimento sustentável.
Uma realidade que urge colocar no passado para escrevermos uma nova página da nossa História, onde o sucesso conquistado por um crescimento planeado e concretizado tenha lugar.
Os desafios que temos como Nação são ainda enormes, mas ao nosso alcance. O Grupo Soico deu início, esta semana, à primeira conferência temática do Mozefo– uma plataforma alargada de debate sobre os desafios do país, uma reflexão profunda sobre os desafios da agro-indústria em Moçambique: da subsistência à sustentabilidade. Um debate que lança as bases para, juntos, identificarmos os melhores caminhos para incrementar a eficiência produtiva dos campos agrícolas, particularmente dos pequenos produtores– que são a maioria.
Portanto, este é o tempo de acordar. É o tempo de dizer basta. É o tempo de dizer “nós somos capazes”. É o tempo de dizer “nós podemos!”.
É tempo de nos unirmos e, juntos, fazermos Moçambique crescer. É tempo de resgatarmos os nossos valores e percebemos que a diferença é que nos une. É tempo de valorizarmos as ideias – de todos. Porque, afinal, todos somos Moçambique e o nosso país é belo.







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