Palavras sem algemas
Corpos estremecendo, outros desfalecendo, gritos histéricos, pânico generalizado... é a reedição de uma dramática novela vivida na Escola Secundária Quisse Mavota, em 2010, mas agora numa versão mais agressiva, na Escola Secundária da Manhiça.
Assaltados pelo medo que este triste espectáculo proporciona, alunos, pais e encarregados de educação precipitam-se nas análises – culpam pessoas, apontam para existência de espíritos, demónios, etc. Mas compreende- se que assim seja.
O que não se percebe é a rapidez com que pessoas mais estudadas e distantes do problema formulam respostas rápidas, atropelando grosseiramente os procedimentos exigidos pela Ciência.
No meu entender, tudo o que se pode imediatamente dizer desses factos são hipóteses a serem testadas, num estudo que as valide ou rejeite. Portanto, aguardamos que as instituições do Estado promovam esta pesquisa, que deve ser feita despida de preconceitos, com a devida neutralidade axiológica e respeitando distintos saberes.
A Dra. Lídia Gouveia, que se pronunciou sobre o assunto num encontro organizado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, explicou que várias acções estavam em curso, mas sem ainda lograrem sucesso.
Além das soluções tradicionais, que citou, espero que tenham feito também exames médicos às vítimas – e todos que possam ajudar a compreender aquele tipo de reacção. O que não vale é o discurso das pressas virar uma verdade absoluta: “Os desmaios devem-se a uma histeria colectiva”, “aos espíritos descontentes dos antepassados” ou “aos demónios de fulano ou beltrano”. Não me aventuro em nenhuma destas explicações, porque o meu intelecto projecta uma longa pesquisa até se encontrar uma explicação mais próxima da verdade.
O problema clama por uma solução urgente, inteligente e concertada. Por isso, discordo do ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Dr. Jorge Ferrão, quando diz que a investigação deve ser liderada pelo Ministério da Saúde. Esta ou outras instituições podem liderar a investigação, mas sendo os alunos os maiores visados – para imprimir maior dinâmica -, o ministério que dirige seria o elegível. Até mesmo porque teria mais sensibilidade em envolver mais áreas do saber e pedagogicamente educar a sociedade a saber encarar os problemas com serenidade e sem discriminação. Agora, dizer “Os professores não são médicos, não são enfermeiros, por isso, não podemos aventurar-nos para áreas que não são as nossas” é fugir do problema e excluir outros saberes - como os dos sociólogos ou antropólogos – na procura de solução. Isso não educa, Sr. Ministro.







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