Palavras sem algemas
Passa hoje um ano após a investidura de Filipe Nyusi como Presidente da República. Uma data que o Presidente fez questão de torná-la inesquecível com o seu discurso inovador e renovador de sonhos. O povo ouviu, aplaudiu e sorriu com a esperança de que uma nova página da história do país se abria.
O encanto foi profundo e generalizado. Mas, com o aflorar dos dias negros, o sorriso não permaneceu nos rostos. As rugas de preocupação caracterizaram muitos moçambicanos que viram seus sonhos, pessoais, profissionais, académicos, esmagados pela conjuntura política e económica que esteve a desfavor.
A começar pela tão almejada Paz que esteve sempre ao reboque de duas pessoas: Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama. Dois “irmãos” desavindos que não conseguem se reconciliar e fazem da imprensa um pombo correio. Nyusi prometeu que tudo faria para que jamais irmãos se voltem contra irmãos seja a que pretexto for. Mas ainda não conseguiu se entender com Dhlakama e por conta disso o país se afunda em instabilidade, por receios de investimento e avaliações negativas de agências rating internacionais.
Vivem uma guerra excitante, mas perigosa. Aliás, o político britânico Winston Churchill há décadas despertava para os seus riscos, na célebre frase: “a política é quase tão excitante como a guerra e não é menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas”.
A cada pancada que o primeiro ano de governação de Nyusi deu ao povo, uma urna se abria. Assim como se abria para Dhlakama sempre que agitava o país quando recuava os passos pacificadores.
Nyusi prometeu tudo e mais alguma coisa. Sublinho rapidamente a promessa da transparência, presente em muitos parágrafos do discurso de investidura, por ser uma das que menos cumpriu neste primeiro ano. Por exemplo, disse: “asseguraremos que as instituições estatais sejam o espelho da integridade e transparência na gestão da coisa pública”. Infelizmente, o dossier Ematum esvazia seu discurso ao continuar às cegas tal como vinha no governo do seu antecessor. A pouca claridade que se deu não foi suficiente. Aliás, neste capítulo, maior ganho seria a institucionalização da transparência nas instituições públicas, para que não pareça caridade ou boa vontade de alguns sempre que fornecem informação de interesse público. Afinal, governar pressupõe saber prestar contas. No caso, ao povo, para que o contrato social tenha valor.
Com todos os socos, pancadas e rasteiras do primeiro ano de Nyusi, o tempo para remendos e uma nova rodada na ignição ainda é extenso. Assim, vale renovar as esperanças para os próximos 4 anos.







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