PALAVRAS SEM ALGEMASA guerra já começou! Uma oração arrepiante que nos faz estremecer na projecção do futuro. Futuro intangível e sombrio que o presente nos faz experimentar. Mas, infelizmente, independentemente do nome que se lhe atribui - “tensão” ou “instabilidade” política -, a verdade é que os tiros apenas nos lembram o cenário de guerra que quem experimentou roga a Deus para que essa página da História nunca mais se abra.
A Renamo veio, esta semana, reiterar que este mês vai governar. No seu estilo característico, apimentou as condições de diálogo, alegando ser necessário, primeiro, iniciar a governação efectiva nas províncias onde ganhou, gorando claramente a esperança de que haverá diálogo são nos próximos tempos. Portanto, o céu está altamente carregado de nuvens negras, pelo que seria tapar o sol com a peneira negar que a chuva vai ser destrutiva. Uma tempestade que nos vai proporcionar capítulos dramáticos de uma série de terror que a vida nos impinge. E que já vimos.
Infelizmente, as palavras proferidas pelos políticos não são suficientes para travar os tiros, nem os tiros são inofensivos para se preferir o silêncio. Dhlakama prometeu atacar em legítima defesa, mas os ataques que vitimam cidadãos na EN1 e em outros pontos do país nada têm que ver com legítima defesa, mas com banditismo de quem os protagoniza.
E quem é o bandido? Todos sabem apontar, mas poucos podem provar. Não apenas o indicador, como os restantes dedos da mão vão em direcção à Renamo como autor dos ataques a inocentes. Mas a inteligência humana atina e recorda que a verdade é a primeira vítima em tempos de guerra. E, neste laivo de lucidez, vale sublinhar que se trata de criminosos desconhecidos, enquanto não se prova o contrário.
Com rosto ou sem rosto dos autores do mal, o coitadinho da guerra não é nem a Renamo, nem o Governo, mas o povo, cujos presente e futuro são roubados, quando, humildemente, luta pela sobrevivência. Portanto, nem palavras nem tiros. Queremos paz.
Agora, em voz baixa, mas audível: sobre os refugiados, deslocados ou pedintes de asilo, como explica o Governo para desdramatizar tudo quanto se diz dos moçambicanos que estão no Malawi fugidos de Moçambique, advogo o combate à desinformação. Independentemente da cor partidária, etnia ou género, sendo moçambicanos, merecem o amparo da Governo.
E que as vozes das autoridades que se pronunciam sobre o fenómeno não envergonhem a opção do voto da maioria dos moçambicanos que escolheram o Presidente Nyusi para governar o país. Que os seus homens de confiança acabem com os discursos antagónicos.
Que haja união!







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