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Ameaças do governador de Tete a jornalista

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Julgava que já tivessémos ultrapassado os tempos em que o jornalista era visto como inimigo de governantes. Puro engano. Ainda existem, infelizmente, na nossa pátria amada, governantes que ainda mantém a errada convicção de que o jornalista é uma simples caixa de resso­nância; que pensam que a tarefa do jornalista se circunscreve a sim­ples reprodução dos discursos políticos e de publicitação do que faz e o que vai fazer.

A era do jornalismo de “o governador visita”, “o governador vai visitar”, “o governador janta”, etc, pertence ao passado. Hoje, o jornalismo, mais do que um mero exercício de reprodução do que os políticos dizem e não dizem, prometem e não prometem, fazem e não fazem, é um complexo exercício de busca e filtragem de informação do interesse público e com implicações sócio-económicas para esse público. Quer dizer, a visita de um governante deixou de ser o objecto da informação, passando a interessar o que ele vai fazer nessa visita e que impacto sócio-económico, às vezes político, trará essa visita. Aliás, sou advogado de que uma viagem de quem quer que seja governante tem de ser uma notícia de rodapé ou um “fair divers”. Ora, se esse governante não efectuar viagens de trabalho, à semelhança do que acontece com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, essa é que é uma notícia de primeira pági­na, pois, se é governante tem de visitar o seu povo. Se não o faz é estranho.

A ser verdade que o governador de Tete, Idelfonso Muanantatha, fez ame­aças grosseiras ao nosso colega do jornal “Notícias”, Bernardo Carlos, então, pela sua gravidade são passíveis de abertura de um inquérito por quem de di­reito, para responsabilizar quem as fez. Não podem passar a limpo como que se nada tivesse acontecido, justamente por serem ameaças graves que man­cham a imagem do Governo, do seu partido e do país. São ameaças que um dia podem ter implicações económico-financeiros para um país mendigante e dependente das ajudas externas.

Se o jornalista escreveu inverdades e se Muanantatha julga que a informa­ção não é virídica dispõe de todos os meios para repor a verdade, desde o direito à resposta até ao recurso à justiça. Aliás, um bom jornalista só publica um artigo de carácter investigativo depois de ouvir todas as partes envolvidas. Quero crer que Bernardo o tenha feito.

A experiência mostra que se o jornalista chegou ao extremo de publicar o artigo sem a reacção do governador, é porque o articulista não só dispõe de provas como Muanantatha não colaborou, confiando eventualmente nas ameaças.

A ser verdade, Muanantatha não é tão inocente ao ponto de não saber que a morte não é algo com o qual podemos brincar, é mais do que ele eventu­almente imagina; Muanantatha não é tão inocente para tomar a morte de Carlos Cardoso como um “bom exemplo” do que deve acontecer aos jornalis­tas. Muanantatha queria, eventualmente, que Bernardo Carlos não revelasse que havia má qualidade das obras de electrificação das sedes distritais; que as vítimas das cheias de 2006 – passam 3 anos – continuam ao relento; que estra­nhamente os custos das obras de reabilitação da residência do administrador de Mágoè registaram agravamento para mais de 6 milhões de meticais, até Fevereiro deste ano. 6 milhões (biliões da antiga família) para reabilitação de uma residência? Não é uma nova obra? Quem me pode esclarecer?
 

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