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03 de Dezembro
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Início Opinião Francisco Mandlate Ponte sobre o Zambeze: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”

Ponte sobre o Zambeze: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”

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Esta célebre frase consta dos Evangelhos de Jesus Cris­to, uma resposta que ele deu a um dos seus detractores que queria saber porque é que ele não dava dinheiro de oferta às Sinagogas. Hoje ela bem aplica-se ao que tan­to se tem discutido a cerca do nome atribuído à Ponte sobre o rio Zambeze.

Ninguém duvida da importância que aquele empreendimento tem para a sociedade moçambicana do norte ao sul do país, daí a polémica que envolve o nome a ser atribuído.

Eu, particularmente, penso que o nome natural da ponte é “Ponte de Unidade”, porque é aquilo que ela é, e porque não atribuir esse nome àquela infra-estrutura que simboliza a unidade nacional arqui­tectada pelos moçambicanos desde 25 de Junho de 1962.

 A minha opinião não desvaloriza e nem o pretende em relação a outros nomes que a mesma poderia ter, inclusive ao que o governo de­cidiu atribuí-lo. O presidente Armando Guebuza tem o mérito de ter o seu nome atribuído àquela ponte, o mesmo acontece a Eduardo Mon­dlane, mas pela dimensão que aquela ponte tem para os moçambica­nos, penso que a mesma não deveria ter nome de uma personalidade específica, mas sim um ideal que todos os moçambicanos defendem: a unidade, que é de facto isso que ela representa.

Antes mesmo de a ponte ser construída, já era chamada de “Ponte de Unidade Nacional”, porque é isso que ela é, e porquê não celebrar essa unidade que levou os moçambicanos a vencer o colonialismo, e que se reeditada hoje, uma coisa é certa, com a ponte podemos acabar com a pobreza que assola mais da metade dos nossos concidadãos.

A ponte sobre o rio Zambeze não pode ser motivo de divisão da so­ciedade moçambicana, tal como está a acontecer actualmente, só por causa de um simples nome. Aquela ponte deve ser, como ela é, motivo de cada vez mais unidade entre os moçambicanos, e o nome a ser atri­buído a mesma deve reflectir o consenso e não a divisão, por isso, os que dirigem este país e têm o poder de decisão devem pensar nisso.

O facto de a ponte sobre o rio Zambeze ostentar o nome do Presi­dente da República, e as justificações que são apontadas para o efeito, fazem com que os críticos acreditem que estámos perante uma situa­ção de culto de personalidade, o que pode conduzir este país para uma situação de tudo o que é infra-estrutura de grande vulto tenha o nome do presidente que estiver no poder no momento em que a mesma for erguida.

Este país ainda vai ter muitos presidentes da República, muitos mes­mo, e ainda há muitas infra-estruturas de grande vulto a serem cons­truídas e se cada ponte, estrada, porto, escola, tiver o nome de um estadista, imaginem o que será deste país.

Sejamos francos: eu não duvido que se Armando Guebuza não fosse presidente deste país, a ponte sobre o Zambeze não teria o seu nome, por isso, não concordo com as razões que o meu respeitoso colega de profissão Gustavo Mavie invocou no programa Café da Manhã da RM, esta segunda-feira, porque temos aos milhares pessoas que fizeram, se calhar, coisas mais complicadas durante a Luta Armada de Libertação Nacional, em relação ao actual Chefe do Estado.

Se formos a invocar razões de ter dado a sua juventude pela liberta­ção da pátria, porque é que a ponte não se chama Marcelino dos San­tos, por exemplo? Até porque soaria bem, porque foi um dos co-fun­dadores da Frelimo, movimento que é responsável pela unidade dos moçambicanos e pela nossa libertação, e existem poucas infra-estrutu­ras de grande vulto com o seu nome. Estamos a espera que ele morra para reconhecermos a sua heroicidade, que ele também, tal como tan­tos outros, entregou a sua juventude pela libertação da pátria.

Enfim, espero que este meu ponto de vista e de tantos outros moçam­bicanos, não seja como diz o velho ditado “enquanto os cães ladram, a carruagem passa”. Pois, os que estão no poder já nos habituaram, mas porque não é fácil ver, ouvir e calar, temos que dizer o que achámos que não é correcto e propor possíveis soluções, afinal a Constituição da República já nos consagra a liberdade de expressão e pensamento, mesmo que tal incomode os que não conseguem ouvir opinião contrá­ria, mesmo quando é para ajudar a melhorar o seu próprio desempe­nho, enfim...

Que Deus abençõe Moçambique!

 

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"Moçambique tem tudo para ser uma potência de África e do mundo.

Tem riqueza que chega para todos. Falta é de inteligências."

 

Adelino Timóteo


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