
Esta célebre frase consta dos Evangelhos de Jesus Cristo, uma resposta que ele deu a um dos seus detractores que queria saber porque é que ele não dava dinheiro de oferta às Sinagogas. Hoje ela bem aplica-se ao que tanto se tem discutido a cerca do nome atribuído à Ponte sobre o rio Zambeze.
Ninguém duvida da importância que aquele empreendimento tem para a sociedade moçambicana do norte ao sul do país, daí a polémica que envolve o nome a ser atribuído.
Eu, particularmente, penso que o nome natural da ponte é “Ponte de Unidade”, porque é aquilo que ela é, e porque não atribuir esse nome àquela infra-estrutura que simboliza a unidade nacional arquitectada pelos moçambicanos desde 25 de Junho de 1962.
A minha opinião não desvaloriza e nem o pretende em relação a outros nomes que a mesma poderia ter, inclusive ao que o governo decidiu atribuí-lo. O presidente Armando Guebuza tem o mérito de ter o seu nome atribuído àquela ponte, o mesmo acontece a Eduardo Mondlane, mas pela dimensão que aquela ponte tem para os moçambicanos, penso que a mesma não deveria ter nome de uma personalidade específica, mas sim um ideal que todos os moçambicanos defendem: a unidade, que é de facto isso que ela representa.
Antes mesmo de a ponte ser construída, já era chamada de “Ponte de Unidade Nacional”, porque é isso que ela é, e porquê não celebrar essa unidade que levou os moçambicanos a vencer o colonialismo, e que se reeditada hoje, uma coisa é certa, com a ponte podemos acabar com a pobreza que assola mais da metade dos nossos concidadãos.
A ponte sobre o rio Zambeze não pode ser motivo de divisão da sociedade moçambicana, tal como está a acontecer actualmente, só por causa de um simples nome. Aquela ponte deve ser, como ela é, motivo de cada vez mais unidade entre os moçambicanos, e o nome a ser atribuído a mesma deve reflectir o consenso e não a divisão, por isso, os que dirigem este país e têm o poder de decisão devem pensar nisso.
O facto de a ponte sobre o rio Zambeze ostentar o nome do Presidente da República, e as justificações que são apontadas para o efeito, fazem com que os críticos acreditem que estámos perante uma situação de culto de personalidade, o que pode conduzir este país para uma situação de tudo o que é infra-estrutura de grande vulto tenha o nome do presidente que estiver no poder no momento em que a mesma for erguida.
Este país ainda vai ter muitos presidentes da República, muitos mesmo, e ainda há muitas infra-estruturas de grande vulto a serem construídas e se cada ponte, estrada, porto, escola, tiver o nome de um estadista, imaginem o que será deste país.
Sejamos francos: eu não duvido que se Armando Guebuza não fosse presidente deste país, a ponte sobre o Zambeze não teria o seu nome, por isso, não concordo com as razões que o meu respeitoso colega de profissão Gustavo Mavie invocou no programa Café da Manhã da RM, esta segunda-feira, porque temos aos milhares pessoas que fizeram, se calhar, coisas mais complicadas durante a Luta Armada de Libertação Nacional, em relação ao actual Chefe do Estado.
Se formos a invocar razões de ter dado a sua juventude pela libertação da pátria, porque é que a ponte não se chama Marcelino dos Santos, por exemplo? Até porque soaria bem, porque foi um dos co-fundadores da Frelimo, movimento que é responsável pela unidade dos moçambicanos e pela nossa libertação, e existem poucas infra-estruturas de grande vulto com o seu nome. Estamos a espera que ele morra para reconhecermos a sua heroicidade, que ele também, tal como tantos outros, entregou a sua juventude pela libertação da pátria.
Enfim, espero que este meu ponto de vista e de tantos outros moçambicanos, não seja como diz o velho ditado “enquanto os cães ladram, a carruagem passa”. Pois, os que estão no poder já nos habituaram, mas porque não é fácil ver, ouvir e calar, temos que dizer o que achámos que não é correcto e propor possíveis soluções, afinal a Constituição da República já nos consagra a liberdade de expressão e pensamento, mesmo que tal incomode os que não conseguem ouvir opinião contrária, mesmo quando é para ajudar a melhorar o seu próprio desempenho, enfim...
Que Deus abençõe Moçambique!







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